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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

POR SER VERDADE


Ex-marxista, renegado resoluto que sou, julgo-me insuspeito para declarar imprópria a imputação de comunistas, dirigida à súcia de bandoleiros que assaltou o erário público. Lula, Sarney, Jader Barbalho, Vaccari, José Dirceu, comunistas? É mais fácil encontrar traços da defunta doutrina no pensamento de Cristiano Ronaldo, Xuxa Meneguel ou Gisele Bündchen do que na confraria dos inquilinos e candidatos à Papuda.
Os regimes, levados à pratica, inspirados na doutrina de Marx, cometeram horrores que me dispenso de enumerar. Igualaram em perversidade os praticados por Hitler o que deixa entrever que para nada importa o viés à esquerda ou à direita. Ambos confundem-se na matriz hedionda que lhes é comum: destruir o ideal democrático penosamente conquistado ao longo da história.
Nosso continente, por boa parte do século passado, foi bordado de ditaduras de direita, que assassinaram, pilharam, prenderam e deportaram. Anastasio Somoza, Porfírio Dias, Augusto Pinochet, Rafael Trujillo, entre muitos outros; por vinte anos no Brasil, por mais de dez na Argentina, generais sucederam-se no poder sem a unção do voto.
Os irmãos Castro em Cuba, solitariamente,
exibem, ainda que falsa, uma desculpa ideológica. Como falsa era a doutrina conservadora dos ditadores de direita. Em Cuba todos os meios de produção foram expropriados. Para provar que nem o temor ao ridículo os detinha, os Castro estatizaram até carrocinhas de cachorro-quente. Suprimiram a Imprensa e erigiram o marxismo como seita de Estado.
Mas o que exibem os populistas da Venezuela, Argentina, Bolívia, Equador, Brasil? Não exibem nada porque seus verdadeiros motivos são inconfessáveis.
Comunistas? Se alguém adepto dessa utopia os segue, o faz certamente porque ignora os fundamentos da seita que julga professar. Comunistas? A primeira providência que tomaram Lula e seu festeiro propagandista Duda Mendonça, na eleição de 2001 foi deixar claro para banqueiros, empreiteiros, barões do agronegócio e grão-duques da telefonia que o mundo era belo e inúteis as teorias. Fariam juntos a mais risonha confraria à custa do povão. E fizeram.
A nação despertou e vai pôr fim à farra. Estamos unidos e engana-se crassamente quem imagina que algo bolado por políticos possa impedir a queda desse governo; crasso engano comete por igual quem aposta na impunidade dos bandidos do petrolão; erro pior comete quem alimenta sonhos totalitários. O populismo fez estragos inestimáveis, mas não quebrou os fundamentos de nossa democracia.
As Forças Armadas acabam de dar cristalina demonstração de respeito à constituição ao retirar o mando de um general que se pronunciou sobre o momento político. Cidadãos desarmados têm a prerrogativa de opinar. Soldados detêm o monopólio da força destinada a garantir o direito da cidadania à manifestação do pensamento.
Quem levanta bandeiras pedindo a intervenção de militares no processo político causa grande dano à luta do povo. Fornece aos combalidos guerreiros do sanduíche de mortadela seu único argumento: tachar-nos de golpistas.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

VITÓRIA DE PIRRO OU TIRO PELA CULATRA.


Os estrategistas palacianos ou, quem sabe, o marqueteiro-mor lhes fazendo às vezes está, a cada dia, aprimorando a arte de atirar contra a própria retaguarda, dando tiros no pé, como se costuma dizer.
Entrincheirada no Planalto, a cúpula corrupta recebe fogo cerrado da opinião pública, imprensa inclusa, e da Operação Lava Jato. O congresso, terra de ninguém, foi escolhido pelos sitiados para simular normalidade. Aventam ali fantasias urdidas pelo banqueiro Levy e pelo cínico profissional Renan Calheiros com bizarros nomes-fantasia: Ajuste Fiscal e Agenda Brasil. Com o mínimo de argúcia perceberia qualquer um que este seria o pior momento para atrair o ódio do presidente da câmara Eduardo Cunha. Permitiram que recaísse sobre as costas da combalida presidente a pecha de ter urdido com o MP a trama que redundou em denúncia contra o parlamentar. É claro que isso não aconteceu, mas, a esta altura, um exército de desorientados ganhou as ruas levantando cartazes com o costumeiro “fora Cunha!”.
Falar em corda em casa de enforcado? Irreprimível a percepção de que o clamor pelo banimento deve atingir a quantos se envolvam com a corrupção e, na escala delinquencial, o papel da pupila de Lula ofusca de longe a do parlamentar presidente.
Eduardo permanecerá no cargo, para o que conta com sólida base de apoio. A importante posição que ocupa não sofre erosão do meio político. Não o afetam a inflação, queda do PIB, desemprego, descrença, rebaixamento de nota do Brasil. De sua privilegiada posição continuará a despejar petardos contra a cidadela. Festejam o quê os hierarcas dilmistas?

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

EU NÃO DISSE?


O alto mundo financeiro e empresarial está se convertendo na principal força do “fica Dilma”. Mais uma vez a súcia populista e corrupta, mascarada de bolivariana, chama a “zelite” para o banquete.
A oposição, finalmente, percebeu que contra o binômio Lava Jato e Opinião Pública, esquema algum, ainda que urdido pelo capeta, poderá vicejar. PSDB, DEM, PPS e SOLIDARIEDADE alinham-se pela remoção do governicho. A parte mais viva e atuante do PMDB vê com clareza claramente vista que será arrastada para a cova se persistir apostando no conchavo via Renan. Geddel Vieira lá da Bahia encarregou-se de dar o alarme. A Agenda Brasil do Renan é conversa fiada, afirmou o cacique peemedebista.
Os que têm coração e mente voltados para a libertação do Brasil nada devem temer.

O MORTO

Um governo com aprovação inferior a dez é um governo morto. Nenhuma ação de sua esfera de atuação passa a ser percebida pela iniludível razão de que mortos não falam, não agem, não comandam. O país de Tiradentes está sendo governado por um morto.
Mortos não podem permanecer insepultos. Daí que perde qualquer sentido a invocação do revestimento formal das democracias quando do que se trata é a preservação de sua estrutura material. Não pode haver democracia firmada contra a vontade virtualmente unânime da nação.
Morto não governa. Quem governa? Núcleos sem qualquer traço de legitimidade formam-se ao sopro dos ventos e lançam-se numa disputa estéril e alheia à realidade. A cada minuto e de forma crescente o povo se desliga da Presidência da República e do Parlamento para fixar-se no trabalho da polícia e do judiciário, de onde espera surja uma saída.
O trabalho da polícia e do judiciário concentra toda a nossa esperança, mas não poderá apontar a solução. Esta terá que surgir na esfera política. A pressão das ruas fará com que os líderes -ruins, razoáveis e bons- disponham-se, premidos pelas circunstâncias,
a promover o enterro.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O PEQUENO RENAN


Vítima de uma mística nada rara de que o poder tudo pode, voeja Renan em torno do palácio, cumprindo seu destino de mosca. Acredita que dali tudo de bom pode auferir, incluso a impunidade. Quanto mais podridão, mais miasma, mais atração sofre o pobrezito. O “pudê” é o “pudê”.
Apressam-se os arautos do mal a ver na repentina adesão do homúnculo ao planalto uma gigantesca conspiração, capaz de reverter a Lava Jato e ocasionar uma ”volta e meia volver” na direção do paraíso bolivariano, comandado por Lula e empreiteiras. Veremos amanhã.

O PRÓ


Há algo de assombroso na argumentação a favor de Dilma Rousseff ou, com maior abrangência, a favor do Governo. A evidência é desprezada em favor da hipótese. Como alguém no meio da rua, embaixo de um guarda-chuva, a indagar dos passantes se está chovendo.
Ondas e ondas de brasileiros saem às ruas protestando em sucessivas manifestações. O pró festeja o fato de que o último protesto foi inferior ao primeiro. Esquecido de seu compromisso com a democracia constata haver mais ricos do que pobres; assume-se racista ao festejar maioria branca nos movimentos como se desprezar pessoas brancas fosse menos sinistro do que fazê-lo com pessoas negras.
O pró migra do auge da tolerância para o auge do moralismo furibundo e quer toda a corrupção punida ou nenhuma. E as privatizações das teles? Esbraveja. E a venda da Vale? E o mensalão mineiro?
Infelizmente não mais que dois enquadramentos são possíveis: o pró é doente ou é corrupto.

OS JANTARES DE DILMA


Não se necessita de muita argúcia para perceber que o momento político passa mais pela desorganização da vida social- inflação, desemprego, descrédito, falta de investimento, rebaixamento, dólar em alta, corrupção- do que na esfera parlamentar e palaciana. Mas mesmo aí a presidente só semeia ventos. Pretende, reunindo parlamentares para jantar, passar a perna em Temer e Eduardo Cunha a favor de Renan. Não lhe serviu de lição o fiasco de haver lançado Chinaglia contra Eduardo Cunha na eleição da câmara. A patada virá.

ENTREVISTA


Poucos, por não dizer nenhuns, acreditarão na sobrevivência do atual governo. Quem ouviu a entrevista coletiva que concederam José Pimentel, José Guimarães e Edinho Silva- líder no senado, líder na câmara e ministro da secretaria de comunicação - pela ordem, quem presenciou “aquilo” e permaneceu na crença da sobrevivência do governo estará, perdoe-me a franqueza, longíssimo do mínimo aceitável.
Um mar de gente, sem qualquer comando ou prévio ajuste, numa espontaneidade aterradora, resolve simplificar o plano de combate e deixa de lado o clamor contra duríssimas agruras para gritar a uma única voz: impeachment!
Sabem o que viram os dignitários do palácio? Pois viram um belíssimo desfile popular de encantador arroubo cívico. Não viram como a multidão estraçalhou a tese do novo mandato que limpa o velho; antes reuniu quatro mandatos num só e os condenou à execração. Não viram como rolou ribanceira abaixo a imagem, construída durante décadas de corrupção e demagogia, do ex-presidente Lula. E como nada disto viram deitaram a falar dos novos tempos.
Tempos de ouro em que Renan subirá ao palco para reencenar, agora com novo script, a farsa da era Mantega.

RACIOCÍNIO SIMPLES

É inadequado extrair conclusões da simples comparação numérica das manifestações. Imaginemos que o universo dos manifestantes perfaça cem cabeças. Numa manifestação comparecem 50. Numa segunda 40. Diminuiu a hostilidade ao governo? Não.
É mínima a possibilidade de que os que não comparecem à segunda manifestação tenham mudado de opinião. É grande a possibilidade de que na segunda manifestação haja novos manifestantes. Impõe-se concluir que o número de pessoas hostis ao governo está numa média que não se pode aferir pela contagem da manifestação mais recente e, sim, através de outros métodos do tipo pesquisa de opinião.

ÀS VÉSPERAS DE


Nada a favor de Eduardo Cunha não seja a hostilidade que lhe move a cidadela do crime entrincheirada no Palácio do Planalto em Brasília. A nação está em guerra contra a corrupção e, pelo que se tem notícia, inimigos dificilmente miram suas armas contra os mesmos alvos. Se Dilma e seus sequazes querem-no morto é porque algo de útil está fazendo contra o mal. E está.
Sejam quais forem seus móveis, possivelmente ambições de poder, percebeu o arguto parlamentar que o governicho populista é, a esta altura, burro morto. No colégio que preside, 513 deputados, grassa o descontentamento devido a que a cúpula em declínio não tem benesses a distribuir. Daí que os ministros nomeados pela presidência já não são ouvidos pelos deputados da sigla contemplada. Com isso perde o governo os elos de transmissão com a câmara e, como consequência, engrossa o poderio de Eduardo Cunha.
Como a reforçar o inesgotável dito “quem não tem cão” foi o desarvorado Estado Maior palaciano socorrer-se de Renan Calheiros, “wanted”. Pretende bloquear com o apoio de Renan - adquirido sabe-se lá com que sinistras moedas- as desconfortáveis votações oriundas da câmara. Não vai conseguir.
Que o conseguisse! As manifestações populares, a inflação galopante, a economia em declínio, o dólar disparado, as notas de rebaixamento, a descrença generalizada e profunda tornam as áfricas de Renan menos importantes do que a lã das cabras.

PELEGÃO

Em uma dessas “plenárias do desespero” convocadas pelo Palácio, o pelego da CUT, Wagner Freitas, cevado no ignominioso imposto sindical, ameaçou entrincheirar-se em armas com seu exército de mentirinha para enfrentar nas ruas a “burguesia golpista”. Mal o leão eletrônico rugiu, expressando a indignação popular com a ameaça, o neném choramingou uma desculpa esfarrapada: a ameaça não passaria de metáfora. CRETINO E COVARDE.
Que a bravata desse tartufo desprezível tire um e traga dez para o grito de domingo!

AS DESFOLHADAS MARGARIDAS

O aplauso comprado com dinheiro de bancos públicos, Marcha das Margaridas e entrega de casas populares no Maranhão, tem sobre a erosão do prestígio presidencial o mesmo efeito de gasolina jogada no incêndio. Lula não percebeu, e certamente não perceberá nunca, que o alto grau de aceitação com que encerrou seus mandatos nada tinha a ver com as tolices que proferiu durante oito anos. À dinheirama que malgastou distribuindo bondades insustentáveis deveu-se a popularidade mal havida. Fecharam-se as burras e abriram-se os olhos, mas o bufão continua a fazer as mesmas graçolas.
Armar comícios contratando figurantes a soldo é o último ato dessa tragédia em ritmo de farsa. Pretender opor encenações bufas ao clamor irado da nação que explodirá domingo dá o exato grau de insanidade a que chegou a camarilha delinquente que nos governa, ainda.

TADINHA DE DEUS

Só quem não está neste mundo - e há outros?- acreditará que Dilma Rousseff pode se salvar depositando esperanças nos carcomidos ombros de Renan Calheiros. Para nisso crer é necessário abrigar uma descrença: no povo, na Justiça, na democracia, na honradez, no bem. Como pode ser tábua de salvação quem de uma precisa? Aí está Renan a evidenciar que em política não basta habilidade. Se bastasse Palocci estaria no alto. Lapidar Lincoln: é possível enganar muita gente por pouco tempo; alguma gente por muito tempo; mas não se pode enganar toda a gente por todo o tempo.

FALTA COMBINAR

Nunca foi tão oportuno invocar a clarividente frase do craque Garrincha quando, ante uma preleção de Feola, ilustrada com tampinhas de garrafa simulando jogadores, perguntou se já haviam combinado com a equipe adversária. O veterano técnico movimentava as tampinhas sobre um tabuleiro em jogadas que, ao fim e ao cabo, sempre resultavam risonhas à equipe canarinho. A partida, no campeonato mundial de 58, era contra a então União Soviética. “Já combinaram com os russos?”- perguntou Garrincha.
Os de Brasília, que se de craques algo têm é no jogo da canalhice, movem tampinhas nas mais criativas jogadas. Temer manda para Padilha, Padilha rasteiro e curtinho para Mercadante, este desvia de Rosseto e lança em profundidade para Renan. Não lhes ocorre, jamais lhes ocorrerá combinar com o povo cuja equipe “adentrará” o gramado dia 16, domingo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

CRISES

Ensaia-se no tabuleiro tese das mais bizarras: a crise é política não econômica. Leia-se: estamos nadando na fartura, mas só por implicância com a Dilma e o Lula armamos esse fuzuê. Dá para acreditar?
Separar o político do econômico ultrapassa o suportável. Quem assim pensa deve procurar algo para ler. Nem que seja almanaques que davam de graça nas farmácias lá por mil novecentos e cinquenta. Lembro-me do Saphorl. Era bom para o peito e revelava curiosidades sobre o velho Egito. Para partir do zero pode até servir.

domingo, 9 de agosto de 2015

POR UM PUNHADO DE VOTOS


Ouvindo pronunciamentos nos legislativos do país vê-se quão importante é o papel de quem se ocupa de política sem preocupação de votos. Digo isto porque, como goiabada cascão em caixa, é muito difícil encontrar políticos eleitos ou aspirantes a tal que coloquem o sentimento acima da urna.
Dispensa-se a obviedade de que o clamor dos funcionários públicos do Rio Grande do Sul ante o parcelamento de seus salários é legítimo. Não menos óbvio o fato de que o governador Sartori tomou essa medida pela única e suficiente razão de que outra nenhuma menos severa estava ao seu alcance. Não há dinheiro. Esta evidência, com todo o seu vigor dramático, mostra-se incapaz de impedir estultícias do tipo: ele não sabia quando se candidatou? Sugerindo, sem perceber, que somente tolos incapazes de avaliar a realidade devessem concorrer aos cargos.
Mas, o que mais nos choca é presenciar políticos engajados na frente contra o governo, de forma consciente, concorrer para que a desconformidade popular seja desviada da irresponsabilidade do senhor Tarso Genro para as dificuldades do senhor Sartori. Nem a urna, esse lugar sagrado da democracia, consegue ser perfeita. Como todo o engenho humano ela também deforma. A urna não fala, não gesticula, mas infunde o terror de ser contrariada.
Menos mal que muitas vozes, ampliadas pela democracia das redes sociais, podem colocar verdades simples e urgentes: é contra o lulopetismo, versão cruel e envenenada do populismo, que deve ser voltada nossa indignação.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O PROGRAMA

Há quem reconheça talento no senhor João Santana, o marqueteiro palaciano com status de ministro. Se assim é vejo-me na rude condição de insensível, obtuso, vez que não só não vislumbro essa virtude no trabalho do propagandista senão que o avalio torpe, grosseiro, falto de qualquer engenho e arte.
Durante a campanha, dando cabal cumprimento a pacto que celebrara com satanás, cometeu Santana os mais desprezíveis atentados contra a verdade, a moral e a honra e dignidade dos opositores. Claro que não só suas “besteiras de menino” como diria Caetano, decidiram o pleito. O encantatório para ganhar votos vinha de outras flautas. Isenção de impostos para baratear automóveis e linha branca, crédito fácil, dinheiro a rodo para ONGs e movimentos sociais, gasolina e luz subfaturadas, cargos para a companheirada a perder de vista, falsificação de índices sobre emprego e outros indicadores de bem estar, afora a compra de apoio de lideranças espúrias no reduto dos líderes sindicais e dos coronéis dos brasis.
Mesmo assim a coisa foi feia. Ganharam de fiador. Metade do eleitorado votou contra o “projeto”. No dia seguinte a Realidade entrou sem bater na porta. Ontem chamaram o Santana para que exercesse seus poderes. Todo o mundo viu no que deu. Querer descrever o que disseram as panelas seria muita pretensão. Aos vídeos!.

A AUSENTE


Multiplicam-se análises e prováveis saídas para a conjuntura, mas, curioso, na maioria delas não é levada em conta aquela que, sozinha, dispensaria outras variáveis: a realidade. Reprovação acima dos 70%, inflação galopante, dólar em disparada, políticos sob investigação ou denúncia, incapacidade de honrar a dívida pública, iminência de rebaixamento para área de risco, desemprego desgovernado.
Ante esse quadro anunciam-se chamamentos da classe patronal a que se busque concórdia. Concórdia? Com quem? Estarão esquecidos nossos valentes representantes do setor que, até ontem, estavam casados com o governo que causou tudo isto e dele hauriram toda a sorte de favores e de benesses?
A ideia de organizar no senado um dique capaz de conter a balbúrdia vinda da câmara, se prosperar, terá como consequência sério agravamento do que já se mostra gravíssimo. A sobrevivência do governo Dilma arruína toda e qualquer composição que se possa urdir ainda que oriunda da mais brilhante cabeça. Sem que fique assente a necessidade de remoção do atual governo, composições palacianas seriam vãs, não fossem antes desastrosas.
Três são as saídas impostas pelas circunstâncias: renúncia, cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE ou impeachment.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O PROCESSO


Quando se evidenciou a incapacidade do governo de impedir as investigações, evidenciou-se, por isso mesmo, a fatalidade de sua queda. Isto porque a corrupção lhe é essência, não acidente. No fenômeno neoesquerdista, manifestação tardia e degenerada, espécie de crepúsculo vespertino da utopia marxista, aparelhamento do estado se converte em reles roubalheira, com foco em enriquecimento pessoal e fonte de poder.
O fenômeno que com razoável precisão se pode enfeixar sob a denominação de bolivarianismo fez-se mais trágico e danoso na medida da fraqueza político-econôm
ico-social dos países por onde se disseminou. A Venezuela ilustra isto com cores vivas. Supressão da imprensa, aniquilamento da oposição no plano institucional, repressão violenta das manifestações populares.
No Brasil, embora profundo e longevo, o estrago restringiu-se ao campo econômico, administrativo e cultural. Os fundamentos da democracia não foram atingidos. O vigor da reação institucional aí está aos olhos de todos na operação Lava Jato. A morte do governo populista já se consumou no mundo material; falta sua formatação no plano formal.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

TEORIA DO PIOR


O título resume o que seria Teoria do Quanto Pior Melhor, pecha comumente lançada contra os que se opõem ao governo. Há medidas corretas e ninguém que seja lúcido lhes nega apoio. O que acertadamente se não deve apoiar são propostas cujo alcance final é dar sobrevida a um mal manifesto.
A maioria tem muito clara a necessidade de enxugamento profundo em todo o arcabouço administrativo da nação, mas não se agrega à ideia de pinçar direitos e jogá-los aos peixes para que, folgadamente, a horda palaciana prossiga na roubalheira, no desperdício e na gastança.
Agora, quando até Colombina Pierrô e Arlequim perceberam a inevitabilidade
da queda, o governo Dilma acena com a redução dos ministérios. Diziam até ontem que a economia entre os haver quarenta ou doze era insignificante. Posta de lado a falsidade disto, como não ver que envolve inaceitável indecência? País algum pode aspirar a um mínimo de progresso se tem como norte fabricar ministérios para acolher aliados. Não há indagar o quantum do ônus de tal prática. Ela envenena a alma nacional e sinaliza a favor da mais generalizada corrupção e oportunismo.
O tardio aceno de Dilma será resistido e lhe apressará o fim. Que sentido teria socorrer o governo e aplaudir a proposta? Lupus pilum mutat nom mentem. O lobo muda o pelo, não o caráter.

AD ARGUMENTANDUM TANTUM


É comum numa discussão o argumento do oponente socorrer nossa própria tese. O latim do título trata disso. Traduz-se por “para argumentar, somente”. Desdobrando: ainda que o que dizes seja verdade, o que digo continua sendo certo.
A inocência da presidente Dilma nos amazônicos escândalos que abalam o mundo tem sido aventada com frequência e, agora, recebeu o aval de Fernando Henrique. A bem da verdade, o discurso da mandatária corrobora o argumento a seu favor. Ela fala, veste-se, caminha e comanda como quem nada tem a ver com o momento, o cargo, o país que governa. É uma deficiente? Não sei. Se o for torna mil vezes maior o crime dos que a usaram. Se não é, há de recair sobre ela culpa muito maior do que a dos comparsas.

UNIDADE


Estamos empenhados em monumental frentão pela remoção do lulopetismo. Doença infantil dos frentões, como diria Lenin, déspota mas não burro, são as divisões internas. Estéreis quase sempre, danosas, sobretudo inúteis. Você é a favor do impeachment, eu também. Fernando Henrique dá a entender que não. Fernando Henrique é indiscutivelmente um importante aliado. Isso se infere da fixação que nele têm os ideólogos do bolivarianismo, reservando-lhe sem favor o título de inimigo número um da esquerda. Se o adversário o avalia assim será justo que o frentão o repila?
Não digo que não se possam contrapor razões aos que, na oposição, discordam do impeachment. Claro que sim. O que me parece errado é virar a metralhadora contra o aliado, reforçando o fogo do inimigo. Diferenças dentro do frentão não só podem como devem alimentar controvérsias, mas nunca luta fratricida.

CORAGEM GOVERNADOR


Nada tão deseducador e pernicioso como acreditar que governo é fonte de benesses. É mentalidade colonial achar que dificuldades, quer impostas pela natureza, quer pela má gestão de antecessores, devam ser solvidas pelos governantes sem que tenhamos que arcar com o ônus da superação.
Recebendo o governo com déficit zero das mãos de Yeda Crusius, Tarso genro, muitos se lembrarão, afirmou que não se endividar na gestão pública era sinal de incompetência. Diga-se que esta é norma pétrea da cartilha petista. Possivelmente do velho ódio marxista ao dinheiro, ao capital, à poupança, ao mérito, à burguesia, contraíram os líderes da nova seita a ideia de que é gastando que se faz distribuição e justiça. Amealhar prudentemente, reforçar os cofres públicos é coisa de neoliberal reacionário. E se disse melhor fez.
Como encontrasse o tesouro equilibrado, graças ao “acanhado” trabalho de Yeda, os empréstimos devidamente amortizados, depósitos judiciais intocados, lançou-se nosso bravo líder neoesquerdista a mais resoluta gastança de que se tem memória nesta querência amada.
Vê-se agora o governador Sartori a braços com a dificuldade de governar com déficit de cinco bilhões. Como não lhe é dado multiplicar peixes, é compelido a dividi-los em pequenos pedaços, com o que não concorda boa parte da gente. Vai penar.
Será socorrido porque, mais breve do que muitos pensam, a seriedade com que está encarando a realidade de nosso estado será norma geral no Brasil. Isto ocorrerá quando, por renúncia, cassação ou impeachment, a remoção do atual Governo Federal entregar a outras mãos o destino da nação. Aquele a quem couber o bastão haverá de alinhar-se com Sartori. Aqui na planície, queiramos ou não, teremos que apertar os cintos; sejamos liberais, assalariados ou funcionários públicos. Será para o bem de todos e felicidade geral da nação, como disse o saudoso príncipe.

QUANDO O VAZIO VISITA O NADA


Nas horas que precedem a capitulação nada além do silêncio faz sentido. Que foram fazer governadores em Brasília? Que lhes tinha a dizer a anfitriã? A inflação dispara, demissões pipocam, o povo protesta. Pela primeira vez desde 1997 as contas fecham em vermelho.
Não vê quem não quer que o quadro agrava-se ao extremo. Se para tomar medidas necessárias ao conserto do que ocasionaram 12 anos de insanidade, inocentes sofreriam alto desgaste, que se dirá de culpados? Estes não podem sequer assumir essa empreitada. Como pode pedir paciência e sacrifício quem causou a ruína?
A presidente diz frases sem sentido, expondo à chacota a própria presidência. Não nos iludamos com o humor reinante. Ele não esconde a indignação nem a mitiga, antes a reforça.
Com nitidez chocante vê-se o desprezo que as lideranças populistas nutrem pelo povo. Creem com convicção fanática que sempre haverá um expediente para mistificar os cidadãos, falso sempre, danoso, solerte, mau. Mensalão, petrolão, eletrolão. Rios de dinheiro gastos na mentira impressa, irradiada, televisada, a apregoar virtudes de planos e de obras de minguado proveito em relação ao rombo criminoso que abrem nos cofres da nação.
Agora essa pantomima sem graça, sem rumo, sem feição. Um fiasco a mais para o Palácio, o que já não surpreende, e sério deslustre para os governadores que, notadamente os da oposição e independentes, não se atreveram a recusar o convite, vazio de sentido.
O governo usou os governadores para a falida manobra de pressionar as bancadas estaduais a aprovar o ajuste fiscal, mas, mais que tudo, para barrar eventual impeachment derivado da rejeição das contas de 2014 pelo TCU.
Sobrará uma foto e uma pergunta: que proveito pensa tirar o marketing palaciano? A foto com a confraria de ocasião a sorrir, a aplaudir, em tão sombria hora. O que aplaudem? De que acham graça?

NEC

Há no latim expressão indicativa de apogeu, de excelência ou desastre, que não se poderá ultrapassar: nec plus ultra. O infortúnio que atingiu o Brasil quando colocou no comando da nação um homem de instrução primária, afeito ao discurso simplório, não se consumou nos intermináveis oito anos de seu governo. Neles o charlatão gastou recursos que tempos de bonança na economia do mundo nos propiciaram e, nessa gastança, viabilizou as alianças criminosas que lhe asseguraram permanência. O pior viria depois.
No lastro eleitoral que conquistou, dissipando o erário em bondades insustentáveis e franqueando a mais desenvolta corrupção do universo, tomado de irrefreável egolatria escolheu a mais rude e despreparada pessoa entre seus áulicos para sucedê-lo.
Dilma Rousseff, como para dissipar qualquer sombra de injustiça destas afirmações acaba de proferir a seguinte frase: “não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta". Nec.

DA MAIS FÁCIL LIÇÃO

Surpreende constatar que a mais imediata percepção parece, assim mesmo, ser a que mais frequentemente nos escapa. Algo será mais verdadeiro do que haver neste mundo limite para tudo? Penso nisto ao olhar o fetiche que se atribui ao marketing político. Vige ainda para muitas consciências a malsinada afirmação de Goebbels de que uma mentira mil vezes repetida se converte em verdade. As mentiras do psicopata fizeram o estrago que fizeram não porque fossem simplesmente repetidas. Sinistro complexo de causas lastreou a eclosão da tragédia nazista, cuja enumeração quiçá não seja suficiente para explica-la porque a tudo se somará imponderável participação da estupidez humana.
Como a desafiar a máxima do limite, na eleição passada, a facção vencedora entregou a plenitude da condução da campanha a um marqueteiro. Outras já lhe tinham sido entregues e redundado em sucesso total. Isto foi suficiente para que se generalizasse a aceitação do absurdo: hoje em dia as campanhas têm que ser entregues a marqueteiros e não mais aos políticos.
Como, pergunta-se, como, pode alguém cujos problemas lidam com questões destinadas a vender sabonetes ou eletrodoméstico
s ou hortaliças conduzir uma campanha à presidência da república? Nesta, na campanha, incide gama tal de variáveis que soa um pouco jactanciosa a denominação “cientista político” para acadêmicos do setor. Que se dizer então de “marqueteiro?”.
Quando o senhor marqueteiro da candidata Dilma, do alto de sua amoralidade, percebeu que seus contratantes tinham-na em igual grau, largou-se sofregamente, com desusada sede ao pote e se mandou a mais formidável procissão de mentiras, calúnias, fraudes, sobretudo, inimaginável coleção de vilanias, de golpes baixos, de sórdida mesquinharia.
Metade do povo abriu os olhos. A outra estava por demais anestesiada pela cantilena do lulopetismo enganador e ainda dormitava na hora de votar. Despertou com o violento tapa na cara do dia seguinte.
No quadro atual chamam o marqueteiro e pedem-lhe um conserto. Atônito, erradio, titubeante, vez que outra diz frases soltas. Com frequência repete: agenda positiva, agenda positiva.
Senhores políticos, entregar campanhas a marqueteiros é o mesmo que organizar uma banda com fabricantes de instrumentos no lugar dos músicos.

SEM BALACA

Há muitos anos, sabem disso meus raros ouvintes do Visão Geral, venho afirmando que o PT está condenado a ser partido pequeno, como o PSOL, ou o PCdoB. Está na natureza dos partidos ditos ideológicos, com rígida estrutura orgânica e viés revolucionário, ainda que mitigado sob outras denominações como progressista ou popular, serem pequenos e de pouca presença no palco político.
Condições já desaparecidas do cenário mundial permitiram-lhes
momentos de grandeza. O PCUS (Partido Comunista da União Soviética) diminuta facção, mantida com excepcional coesão pelo pulso de Lenin, contrariando princípio assentado pelo próprio Marx, tomou o poder na Rússia. Marx havia declarado impossível a tomada do poder em país isolado. O campo para sua revolução restringia-se ao mundo europeu estrito senso, de que a Rússia predominantemente asiática e feudal não fazia parte. Debilitada ao extremo pela guerra, a monarquia dos Romanov sucumbiu nas mãos dos bolcheviques porque eram estes a menos fraca das oposições que vicejavam no caos reinante. Traindo a promessa de expropriar os meios de produção da burguesia para criar um Estado Operário, o partido criou o terror e de forma que dispensa explicação tornou-se gigante. Até sumir como sumiu.
Os poderosos partidos comunistas, francês e italiano, conheceram a opulência enquanto se manteve a luta contra a selvageria do capitalismo, secundando pleitos reivindicatório
s dos assalariados. Ademais grande prestígio lhes conferiu a participação na frente mundial contra o nazismo. A modernização das relações de trabalho, o fim do pesadelo nazista, e o colapso do “paraíso socialista” soviético decretaram-lhes o enxugamento que os condena hoje à condição de nanicos.
Seria encompridar desnecessariame
nte descrever o destino do Partido Comunista Chinês. Ele deixou de existir porque não há qualquer resquício de comunismo na China. Reina ali ditadura que protege um capitalismo tão desumano como o foi o jovem capitalismo ocidental ao tempo da revolução industrial.
O nazismo e o fascismo só tiveram caráter de massas após a tomada do poder, pondo os recursos públicos a serviço do fanatismo patrioteiro. Vegetam hoje no espaço que lhes garante a democracia como organizações anãs.
O Partido dos Trabalhadores só cresceu quando desmentiu sua carta de fundação e, acaudilhado por Lula, firmou a mais permissiva aliança já vista por aqui. Collor, Sarney, Barbalho e uma súcia de siglas de aluguel que protagonizam os tristes episódios destes dias.
Estas as razões que me levaram a prever, há muito tempo, o encolhimento do PT às dimensões impostas a quantas agremiações propugnem por uma “democracia” que não é a que todos querem.

INOCÊNCIA

Inclino-me a crer não tenha havido na história do mundo escândalo maior que o petrolão, universalizado agora, alvo da investigação de vários países. Mais claro quiçá que a própria clareza o fato de que o epicentro do cataclismo está nos governos atual e passado. Primeiro, segundo, terceiro escalões; periferia desses cargos; políticos aliados e ministros gravitam em órbitas de variada distância à volta do sinistro. Mas garante-nos Rui falcão que Lula e Dilma são inocentes.
Inescapável certeza brilha nas consciências de que rios de dinheiro molharam as campanhas de Lula e de Dilma, mas Rui Falcão nos repreende quando nos atrevemos a pedir que O TSE invalide o pleito e nos acusa de golpistas porque, assevera, Dilma e Lula são inocentes.
José Dirceu, esquálido, assustado, carrega a dura cruz de uma condenação presente e a iminência de outra futura. O ex-ministro saiu de dentro dele, era a voz minimamente culta a repetir a arenga tosca, neoesquerdista,
do metalúrgico loquaz. Apregoava com humildade a indiscutível liderança do genial operário. Já não se ouve um vagido sequer na grei partidária em defesa do mísero, ainda ontem guerreiro do povo brasileiro. José Dirceu é culpado, mas seu mentor supremo, Lula, tranquiliza-nos Rui Falcão, é inocente.
Dilma, ao que se sabe, não estava meditando entre os monges budistas no Himalaia quando foi gestado o assalto arrasador contra a Petrobras. Vinha do ministério de Minas e ocupava a presidência do Conselho da estatal quando se consumou a negociata de Pasadena, cuja trama grosseira e burra era visível à longa distância. Mas, é Falcão quem o diz, Dilma é inocente.
Dia 6 haverá panelaço se Dilma consumar a ameaça de aparecer no programa do seu partido. Dia 16 um oceano encrespado inundará as cidades. Quando somente Rui Falcão alegar a inocência de quem encarnava o governo, de onde partiu o crime, teremos a certeza de que ela não subsistirá.

Marxismo

Reneguei o marxismo por volta dos anos oitenta porque fui seduzido pela democracia. E o mais sedutor adereço que nela encontrei foi o apego, e respeito, à pluralidade. O estadista Fernando Henrique Cardoso, a quem o Brasil muito ainda tem a agradecer, pode e deve ser criticado como, de resto, todos os mortais. Mas se há algo que me parece imperdoável é a crítica rastreada nas diversas estações pelas quais transitou o ilustre sociólogo e político. Isso, esse tipo de crítica, tem a pior extração possível: a que serviu de fonte ao macarthismo, que conseguiu manchar até a gloriosa história da democracia americana.

DIÁLOGO INSANO


A disparatada ideia de buscar diálogo com a oposição, leia-se Fernando Henrique Cardoso, força-me outra vez a evocar Eurípedes: “os deuses enlouquecem primeiro aqueles a quem querem destruir”. À beira do buraco que meticulosamente cavaram por doze anos, dirigentes petistas, Lula à frente, convidam Fernando Henrique, Serra, Aloysio Nunes, outros, para um convescote junto ao fosso. Em dado momento, abraçados, festejando, despencam todos “cuesta abajo” como diz o tango. Esta hipótese, parecendo fábula de Esopo ou de Fedro, tem lugar porque tudo tem lugar desde que despojado de seriedade, para abordar tão burlesco propósito.
Há que se ponderar que sob a maldição da loucura, de que fala Eurípedes, estão Lula e seu séquito, não Fernando Henrique e companheiros. Admitida, por admitir simplesmente, a possibilidade de que dirigentes da oposição aceitassem o insano convite para dialogar, pergunta-se: que efeito teria isto? Que influência teria esse diálogo no “filme de terror sem fim” a que alude o vetusto Financial Times?

BEM ME PARECIA


Demorou pouco para dar com a cola na cerca o bom-mocismo de Temer e de seu escudeiro, o gaúcho Eliseu Padilha. Geddel Vieira Lima, presidente do PMDB baiano, vendo o que todos veem pegou o grito: quer que, desde logo, o partido sinalize ruptura com o PT e abandone o cortejo que está levando o governo Dilma para a cova.
Temer encarna como ninguém a visão subdesenvolvida
de política. Crê com fanatismo que a marca superior do homem público é saber ajeitar as coisas, puxa daqui, puxa dali, cede um ministério, promete outro, faz que não ouve, enfim, tome gambeta e panos quentes. Isso funciona em determinados momentos e cenários, em outros se revela o caminho mais curto para o abismo.
É o vice-presidente
a alternativa constitucional para duas das hipóteses previsíveis de afastamento da atual presidente: renúncia ou impeachment. Somente uma terceira, a cassação da chapa Dilma-Temer, nos traria a benção de uma nova eleição. Temer se enseja assim como eventual substituto da atual mandatária. Significará um avanço naquilo em que nada poderá existir pior do que o lulopetismo, mas já deixa entrever a gama de problemas que trará com seu estilo aguado, dúbio, frouxo.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

DELAÇÃO


Delatores há que simplesmente cumprem missão, infiltrados no movimento ou grupo a serviço de inimigos. Outros se rendem à tortura e entregam segredos e companheiros sem que nem nesse amargo momento abandonem seu apego à causa abraçada. Mas que dizer dos que se associam simplesmente para roubar? Sobre estes, reles delinquentes, não é difícil imaginar o poder de sedução que exerce o recurso legal de combate ao crime dito delação ou colaboração premiada.
Somente uma amizade fortíssima, sublime, equiparada ao amor de mãe seria impeditivo capaz de levar um ladrão a suportar o peso de uma condenação quando a dois passos pode obter a liberdade.
Supõe-se, com a margem de erro de todas as suposições, que entre a rapaziada mensaleira, ora petroleira, a relação de afeto não passasse de mera camaradagem. Isto porque ausente qualquer fumaça de grandeza, qualquer assomo heroico ou épico. Imagina-se, com a ressalva natural a toda a imaginação, que já nem se animassem a falar dos grandes propósitos igualitários dos primeiros tempos. Não ficaria nada bem, em meio ao luxo asiático que se propiciavam, atacar a burguesia parasitária; no vaivém das bolsas e mochilas recheadas de notas falar da voracidade dos capitalistas desalmados, cultores do dinheiro. Bandidos comuns, traficantes, assaltantes de bancos e de carretas têm pelo menos o perigo que, sublimado, pode criar um vínculo forte, um halo de valentia e de denodo a uni-los fortemente.
José Dirceu, desfigurado, envelhecido, acha-se a um passo da delação. Arcar com o castigo em nome de quê? Pede ao juiz que o poupe da prisão, como se cabível fosse. O pânico das grades se agiganta e torna insuportável pensar na fruição de cúmplices que eventualmente forem poupados.

EU NÃO TÔ DIZENDO!?

Essa turminha da cúpula não tem cura mesmo. Temer não aprendeu com a “marolinha” do Lula que pôr diminutivo em problema só atrai desgraça. Vem agora chamando a crise de “crisezinha”.

POSTO DE OBSERVAÇÃO


Tenho como certo que para observar o que está se passando no Brasil tem melhor posição quem está na planície, longe da fervura, que os próprios protagonistas da cena política. A começar pela singela constatação de que na crise somente grandes líderes acertam a leitura, coisa impossível de acontecer em Brasília porque foi precisamente a carência de líderes que causou a desgraça.
Ilustra o que estamos dizendo notícia da imprensa sobre a pressão de aliados para que seja substituído Aloisio Mercadante por Jacques Wagner na chefia da Casa Civil. Haverá alguém entre os que leem jornais, escutam rádio, ou assistem os noticiosos de TV, capaz de apontar diferença entre estas duas personalidades?
A única que vislumbro é que Mercadante, sabe-se lá por que nebulosas circunstâncias, é hostilizado por Lula, enquanto Wagner goza da simpatia do chefão. Ora, se não estou perdido, nulidade por nulidade, neste duro trajeto por que passa o Palácio, ser hostilizado por Lula até daria pontos a Mercadante.
Tudo para dizer que a esfera de poder não tem a mínima condição de encarar os fatos. Prendem-se a futricas e disputas que até as irmãs da Ordem das Carmelitas percebem que estão a passar longe, muito longe, longíssimo dos verdadeiros problemas que afligem o povo. De comida se trata, de conter a roubalheira, suprimir a gastança, vender as empresas em mãos do Estado, sinalizar robustamente que o Brasil quer distância de ditaduras bolivarianas e teocracias fundamentalista
s, para só enumerar reclamos mais candentes.
Substituir ministros? Farinha do mesmo saco? Estarão brincando? Não é provável que brinquem. Tocou à degola. A polícia chegou.

FEIURA


Há um toque sinistro na ostentação de riqueza provinda do crime. Um mau gosto atroz marca as correntes de ouro e os relojões dos traficantes de bermudas, e não menos, como a denotar origem comum, as mansões dos ladrões de colarinho, suas frotas reluzentes, a arrogância dos sorrisos, a bravata dos ditos.
Sobre todas essas coisas algo há de ruim, uma breguice má, um viço de flor de monturo, coisa pior, difícil de pontuar, mas que está aí, a empestar, a enojar, a despertar revolta.
A visão dialética vinda de Heráclito, com estação em Hegel e concurso em Marx e Engels, deixa-nos lição de que, por vezes, a evolução se dá por saltos. Pequenas mutações quantitativas vão se acumulando e, de repente, dá-se o salto. O que era aceito até ontem é repudiado hoje.
Bem pode ser que tenha havido um salto na apreciação do povo sobre Lula. O aplauso de ontem em vaia transmutou-se. Nada desautoriza pensar que haja nisso percepção do feio que ronda o político. Paira sobre Lula desconfiança, quase certeza, de que não só comandou a corrupção que assombra o mundo, como dela tirou proveito pessoal. Não se o vê ostentar tesouros, mas sua arrogância, seu pavoneio estulto a alardear sabedoria sem letras, sua grosseria contra adversários, o trombetear de obras que não fez, tudo isso, traz a marca maldita, o mau gosto chulo da bandidagem, o arrivismo sem vergonha dos aproveitadores.

PROJETO


A sem-cerimônia de líderes petistas para falar de “nosso projeto” encabula até quem lhes devota pouco apreço. Se indagados de que projeto falam, pior. Vemo-nos em tal caso sujeitos a ouvir em reedição burlesca a trágica pregação de Goebbels sobre transformar-se em verdade a mentira repetida. Virão em torrente, de modo a irritar até um ermitão budista, arengas a respeito de 40 milhões de brasileiros resgatados da miséria; de pródiga distribuição de moradias; de extensão do ensino superior e de qualidade a milhões e milhões de jovens nascidos na pobreza; de elevação do prestígio nacional nos mais altos foros.
Paro aqui porque infinita é a ladainha falsa e ufanista. Dos 40 milhões de felizardos, por satisfeito dar-me-ia se me trouxessem três, não falo de milhões, mas de viventes salvos. A decantada democratização do ensino não nos tirou do lugar de lanterna em listas restritas de países e próximos do fim em listas ampliadas, à frente apenas de nações flageladas. As moradias construídas em plano que não fugiu ao superfaturament
o e ao saque, a par de clamor dos contemplados pelas péssimas condições dos imóveis, caíram em mãos de gangues de bandidos a transformar em inferno o paraíso do Minha Casa que luz na propaganda paga pelo erário público. A elevação do Brasil no contexto mundial pode ser avaliada pelo gelo que nos dispensam as grandes democracias do mundo e o entusiasmado calor que nos brindam notórias ditaduras.

OBVIEDADES NECESSÁRIAS

Causa graça quando altas patentes sobem no pedestal para proclamar que não se pode prejulgar ninguém. Momentinho meu: quem não pode prejulgar é o juiz quando preside uma ação. Pretender que não possamos julgar nós outros, aqui na planície, nós, os burros de carga, os que trabalhamos meio ano para abastecer os cofres do palácio, nós que botamos o pé no barro e perigamos levar tiro e facada de bandido a todo o momento, que morremos no corredor clamando por uma aspirina, nós não podemos? Teremos que esperar, acaso, que as ações penais, dentro de dez, doze ou vinte anos, transitem em julgado? Brincadeira tem hora, senhor ministro. Deixe disso. Confundir processo judicial com processo político para proteger ladrão?

CALMA REINALDO


O ilustre esbanjador de talento Reinaldo Azevedo, até aqui um dos mais valiosos soldados na luta anticorrupção, está picado de uma mosca rara, e, pagando tributo à precipitação, tem dirigido duríssimas criticas ao juiz que conduz o processo da Lava Jato, aos agentes policiais e ao MP. Sem levar em conta os elementos de que dispõem as autoridades envolvidas no feito, visto que enquanto inquérito encontra-se ele protegido pelo sigilo, o jornalista se antecipa e fustiga as medidas tomadas pelos agentes, desatento a que tais medidas, quando passíveis de lesar direitos passam antes pelo crivo do Juiz e, em se tratando de pessoas com foro privilegiado, pela solene autorização do STJ ou do STF, conforme o caso.
Quer nos parecer, data venia, e com o respeito que merece Reinaldo, que está ele sendo vítima, ainda que pareça um paradoxo, de sua alentada inteligência. É que ao frequentar o mundo do fenômeno jurídico, o jornalista, levado pela facilidade com que apreende as coisas, empolga-se e alça voo, o que, permisa maxima venia, não é prudente.
A hermenêutica, arte de interpretar as normas jurídicas, projeta espectros distintos conforme se maneje no primeiro ou no terceiro mundo. Naquele serve de instrumento para a melhor aplicação da lei, neste de carapaça para acobertar bandidos poderosos quer sejam egressos do mundo político ou de traficâncias várias ou, ainda, da combinação entre umas e outras. Não se necessita de argúcia para perceber que nisto residem os aleijões das super bancas de advogados e dos processos sem fim que aviltam o direito.
No caso, verifica-se medida que de fato merece atenção de todos. A advogada do senhor Marcelo Odebrecht foi impedida de acompanhar o depoimento de seu cliente, sob alegação de que também ela teria que ser ouvida. É estranho? É. É legítimo seu apelo ao órgão de classe para que lhe dê a proteção devida? Claro que sim. Mas nada nos autoriza a formar um juízo antes que se dê o conflito e se saiba de que trunfos dispõe o delegado que determinou o ato.
O advogado é sagrado sempre e quando o que diz, escreve ou faz não guarde um átomo de contaminação com a ação delitiva.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

MIDIÁTICO? QUE BICHO É ESTE?


Sofre a imprensa contínua e pertinaz campanha de descrédito de parte de esquerdistas e direitistas visto que para ambos nada é mais inconveniente que a plena luz do dia. De algum destes extremos surgem os jargões depreciativos com que se pretende menoscabar a atuação dos meios de comunicação. Um deles, que tresanda cretinice por todos os poros, é o termo “mídia”, paçoca de latim, inglês e sabe-se lá que dialetos. Com ele busca-se sempre redesenhar a realidade em quadro onde o homem comum aparece acanhado, desprotegido, inerte, a necessitar a proteção do Estado pai, na visão à esquerda, ou como vilão, bandido, ou parasita, na visão à direita.
Agora, por ocasião da operação autorizada pelo STF, espetacular por sua própria natureza, queriam os senhores “antimídia” que não fosse espetaculosa. Por quê? Ao que parece para que não fossem expostos aos olhos do povo os inimagináveis, improváveis, estupefacientes
, assustadores, me ajudem com outros adjetivos, tesouros dos senadores, havidos de forma nada, nada mesmo, nadíssima honrosa.

DE NÃO SE ACREDITAR


O blog do respeitado jornalista e repórter Gerson Camarotti traz a informação de haver Lula sugerido a Dilma que procurasse agenda fora de Brasília em viagens pelo país e interlocução com os movimentos sociais. Estará o ex-presidente em avançado estado de demência? Ou, quem sabe, a pilheriar em que pese o inoportuno do momento?
A mísera não tem condições de se expor nem pelas ondas, eis que mal começa a falar por cadeia nacional e explode o matraqueio das panelas e o tremeluzir de lâmpadas quanto mais pôr o couro à prova em interlocuções como quer seu desorientado ou risonho mestre. E olhe que, como dizem os hermanos, “no estamos para risas”.
Precisou que chegássemos aonde chegamos para o que, visível para poucos, se escancarasse para muitos: a patética insignificância
de Luís Inácio.

O OLHO DA GATEADA


As diligências da PF que vasculharam residência e gabinetes dos senadores Collor e Ciro Nogueira foram autorizadas pelo insuspeitíssimo ministro Teori Zavascki. Suspeição houvesse seria de parte de quem se opõe ao grande conchavo governista de que fazem parte os supracitados senadores.
Não há, por certo, quem não se lembre do rigor "garantista" com que se conduziu Teori no julgamento do mensalão. Como entender então o clamor de Collor que vê violência, agressão a direitos e outros fantasmas na operação policial? Espantados estamos nós com sua portentosa frota de carrões.
O que se vê claramente é que não há "garantismos" que possam valer a meliantes ilustres, mesmo quando tradições são pisoteadas de parte de quem não se esperava como é o caso da gloriosa OAB
.

CUIDADO MICHEL


Afora o golpe mortal que pode sofrer no TSE que, pela impugnação da chapa Dilma-Temer, determinaria a perda de mandato de ambos, enfrenta a presidente da república, agora de forma isolada, o risco de vir a sofrer rejeição de suas contas pelo TCU e ter de enfrentar no Congresso um processo de impeachment. Claro está que esta segunda hipótese é sumamente risonha ao insinuante e sinuoso, para não dizer resvaloso, vice-presidente, visto que pode agraciá-lo com a presidência.
Temer está abusando da hipocrisia. Proclama que não vê motivos nem conveniência, sequer viabilidade, de vir a ocorrer o impeachment, no que não acredita nem Chapeuzinho Vermelho. Dilma finge acreditar porque tão mísera é sua situação que essa mentira lhe resulta melhor do que a verdade.
Temer envelheceu na escola do jeitinho. Mestre consumado na arte do fisiologismo sonha em recompor a velha política do compadrio, das composições de conveniência, da distribuição de cargos em troca de poder, enfim, do mais escancarado sarneysismo. Imagina que bastará substituir as torpezas de Dilma por sua refinada habilidade para que volte a primavera. Mas, como no verso do grande Drummond está “chegando muito tarde a um mundo muito velho”. Coisa bem diversa precisa, quer e exigirá a nação. Cuidado Michel, se não mudares de conversa teu nome passará para a história como aquele que associou o partido de Ulisses aos últimos dias de um império de ladrões.

CAMINHO SEM VOLTA

O direito é indiscutivelmente um sistema de natureza formal. Mas não se diga que, embora essencial a sua natureza, o formalismo esgote sua razão de ser e lhe demarque de forma fatal o campo de ação. A ética, a moral (não confundir com moralismo) há de ser seu escopo supremo, razão de existir. O formalismo, perseguido até o limite, como meio de garantir eficácia à perseguição do justo e do bem, não pode servir de escudo para afrontar a evidência, e, de forma trágica, escarnecer dos ofendidos e propiciar o deboche da impunidade a favor de notórios delinquentes.
A nação já soube demonstrar de forma explícita, e a mais eloquente ao seu alcance, ganhando as ruas, cara, coração e voz ao vento, quando não batendo panelas, que não aceita mais ser pilhada por larápios. A Operação Lava Jato, tanto no inquisitorial como no judicial, recolheu mais do que a contento, com louvor diria, o clamor do povo. Tudo vai muito bem, aliás, em harmoniosa continuidade com a épica Ação Penal 470.
Não nos distraiamos. Há nos códigos um capítulo onde se vai achar caminho para a suprema justiça bem como para a mais iníqua injustiça. É o que trata das nulidades. Invocar tecnicalidades para anular o ciclópico esforço da operação que se converteu na esperança de redenção será um golpe de morte na democracia e o sinal de que foi devolvido ao povo o direito de achar seu caminho.

CAMINHO SEM VOLTA


O direito é indiscutivelmente um sistema de natureza formal. Mas não se diga que, embora essencial a sua natureza, o formalismo esgote sua razão de ser e lhe demarque de forma fatal o campo de ação. A ética, a moral (não confundir com moralismo) há de ser seu escopo supremo, razão de existir. O formalismo, perseguido até o limite, como meio de garantir eficácia à perseguição do justo e do bem, não pode servir de escudo para afrontar a evidência, e, de forma trágica, escarnecer dos ofendidos e propiciar o deboche da impunidade a favor de notórios delinquentes.
A nação já soube demonstrar de forma explícita, e a mais eloquente ao seu alcance, ganhando as ruas, cara, coração e voz ao vento, quando não batendo panelas, que não aceita mais ser pilhada por larápios. A Operação Lava Jato, tanto no inquisitorial como no judicial, recolheu mais do que a contento, com louvor diria, o clamor do povo. Tudo vai muito bem, aliás, em harmoniosa continuidade com a épica Ação Penal 470.
Não nos distraiamos. Há nos códigos um capítulo onde se vai achar caminho para a suprema justiça bem como para a mais iníqua injustiça. É o que trata das nulidades. Invocar tecnicalidades para anular o ciclópico esforço da operação que se converteu na esperança de redenção será um golpe de morte na democracia e o sinal de que foi devolvido ao povo o direito de achar seu caminho.

CAMINHO SEM VOLTA


O direito é indiscutivelmente um sistema de natureza formal. Mas não se diga que, embora essencial a sua natureza, o formalismo esgote sua razão de ser e lhe demarque de forma fatal o campo de ação. A ética, a moral (não confundir com moralismo) há de ser seu escopo supremo, razão de existir. O formalismo, perseguido até o limite, como meio de garantir eficácia à perseguição do justo e do bem, não pode servir de escudo para afrontar a evidência, e, de forma trágica, escarnecer dos ofendidos e propiciar o deboche da impunidade a favor de notórios delinquentes.
A nação já soube demonstrar de forma explícita, e a mais eloquente ao seu alcance, ganhando as ruas, cara, coração e voz ao vento, quando não batendo panelas, que não aceita mais ser pilhada por larápios. A Operação Lava Jato, tanto no inquisitorial como no judicial, recolheu mais do que a contento, com louvor diria, o clamor do povo. Tudo vai muito bem, aliás, em harmoniosa continuidade com a épica Ação Penal 470.
Não nos distraiamos. Há nos códigos um capítulo onde se vai achar caminho para a suprema justiça bem como para a mais iníqua injustiça. É o que trata das nulidades. Invocar tecnicalidades para anular o ciclópico esforço da operação que se converteu na esperança de redenção será um golpe de morte na democracia e o sinal de que foi devolvido ao povo o direito de achar seu caminho.

CAMINHO SEM VOLTA


O direito é indiscutivelmente um sistema de natureza formal. Mas não se diga que, embora essencial a sua natureza, o formalismo esgote sua razão de ser e lhe demarque de forma fatal o campo de ação. A ética, a moral (não confundir com moralismo) há de ser seu escopo supremo, razão de existir. O formalismo, perseguido até o limite, como meio de garantir eficácia à perseguição do justo e do bem, não pode servir de escudo para afrontar a evidência, e, de forma trágica, escarnecer dos ofendidos e propiciar o deboche da impunidade a favor de notórios delinquentes.
A nação já soube demonstrar de forma explícita, e a mais eloquente ao seu alcance, ganhando as ruas, cara, coração e voz ao vento, quando não batendo panelas, que não aceita mais ser pilhada por larápios. A Operação Lava Jato, tanto no inquisitorial como no judicial, recolheu mais do que a contento, com louvor diria, o clamor do povo. Tudo vai muito bem, aliás, em harmoniosa continuidade com a épica Ação Penal 470.
Não nos distraiamos. Há nos códigos um capítulo onde se vai achar caminho para a suprema justiça bem como para a mais iníqua injustiça. É o que trata das nulidades. Invocar tecnicalidades para anular o ciclópico esforço da operação que se converteu na esperança de redenção será um golpe de morte na democracia e o sinal de que foi devolvido ao povo o direito de achar seu caminho.

CAMINHO SEM VOLTA


O direito é indiscutivelmente um sistema de natureza formal. Mas não se diga que, embora essencial a sua natureza, o formalismo esgote sua razão de ser e lhe demarque de forma fatal o campo de ação. A ética, a moral (não confundir com moralismo) há de ser seu escopo supremo, razão de existir. O formalismo, perseguido até o limite, como meio de garantir eficácia à perseguição do justo e do bem, não pode servir de escudo para afrontar a evidência, e, de forma trágica, escarnecer dos ofendidos e propiciar o deboche da impunidade a favor de notórios delinquentes.
A nação já soube demonstrar de forma explícita, e a mais eloquente ao seu alcance, ganhando as ruas, cara, coração e voz ao vento, quando não batendo panelas, que não aceita mais ser pilhada por larápios. A Operação Lava Jato, tanto no inquisitorial como no judicial, recolheu mais do que a contento, com louvor diria, o clamor do povo. Tudo vai muito bem, aliás, em harmoniosa continuidade com a épica Ação Penal 470.
Não nos distraiamos. Há nos códigos um capítulo onde se vai achar caminho para a suprema justiça bem como para a mais iníqua injustiça. É o que trata das nulidades. Invocar tecnicalidades para anular o ciclópico esforço da operação que se converteu na esperança de redenção será um golpe de morte na democracia e o sinal de que foi devolvido ao povo o direito de achar seu caminho.

SE


Se eu fosse marqueteiro (que Deus me livre e guarde) recomendaria ao político que estivesse assessorando que, imediatamente, parasse com o sorriso cretino que candidatos ou eleitos abrem a propósito de tudo e de nada. Riem de quê, Santo Deus? Esse riso boçal, triunfalista, vitorioso, que esbanjam a solo e a coro, se algo pode render será em tempo de vacas gordas e, olha, muito gordas, empurrando o matambre.
Nestes dias bicudos, em que os meses se espicham e se encolhem os ganhos, recomendaria que, parafraseando Nelson Cavaquinho, tirassem o sorriso do caminho para que o povo sofredor pudesse passar com sua dor.

DESTE, PARECENDO SER DE OUTRO MUNDO

Quando paguei minha inscrição para o vestibular à faculdade de direito fui informado de que juiz não podia se manifestar sobre causas que pudessem vir a ser objeto de seu julgamento, nem imiscuir-se socialmente com pessoas que estivessem na iminência de se tornarem réus de causas passíveis de por ele serem julgadas.
Dois: um por boquirroto, outro por suspeito, acabam de se enquadrar no prólogo acima. Marco Aurélio Mello, brilhantíssimo jurista e, a meu ver, sumamente honrado, contraiu a doença de se sentir bem em minoria. Disto é confesso, como se poderá verificar compulsando os anais do Supremo onde chegou a confessar esse gosto. Não raro é seu o único voto discordante em acórdãos da Corte.
Eis que agora lhe surge a oportunidade de se manifestar não contra um voto de maioria, senão que contra a opinião de noventa por cento do povo na questão da maioridade penal. Não resistiu. Se o que aprendi no vestíbulo de meu curso valer, Marco Aurélio não poderá votar na matéria se, por sorteio, lhe couber julgar.
O outro caso é sinistro. Lewandowiski, sobre quem recaem espessas suspeitas de comprometimento
com o Palácio, reúne-se, em Coimbra, com Dilma e seu ministro da justiça Eduardo Cardoso. Encontro casual, dizem. Aqui há duas verdades que se anulam. Uma nos diz que nada nos autoriza a afirmar que mentem. Outra que nada nos abriga a acreditar no que dizem. O assunto alegado seria o aumento dos funcionários do Judiciário, coisa pelo que se bate indevidamente o ministro. Pelo que imagino não lhe caberia envolver-se em questões corporativas.
Isto, porém, não é o xis da questão. Há um cheiro de Lava jato a empestar o ar vindo da doce Coimbra. Conforta saber que a esta altura não é para o cacife desse trio, Ricardo, Dilma e Eduardo reverter o processo de limpeza que varre o Brasil.

sábado, 11 de julho de 2015

DA FOICE E DO MARTELO


Da reação de Francisco nada tenho a dizer. Acho que da altura que lhe conferem bilhões de crentes esparramados pelo mundo não pegaria bem a brusquidão de uma recusa. Ademais, segundo li, o confuso criador do troféu, ou emblema, é um prestigiado padre católico. Do lado do senhor Evo Morales é que a coisa pega. Esse senhor que para conservar seu poder não só flerta, como já noivou e tem casamento marcado com traficantes e ladrões de automóveis, se faz de louco e finge ignorar que Karl Marx, o inspirador do emblema, de forma honrada, ainda que discutível, tachou a religião de “ópio do povo”.
Evo integra uma festiva e alucinada comunidade para a qual tudo vale desde que concorra para que lhes seja garantida a permanência no poder. Quem disso discorda é inimigo do povo. Quem com isso concorda tanto faz que se abrace com a Pacha Mama ou com satanás.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

TEXTO DE UM TEXTO


Do que escrevi ontem “O que exige o momento” extraio uma ideia que em dilmês melhorado seria isto: os políticos são o que são, não apenas pelo que são, mas pelo que as circunstâncias lhes permitem ser. Todo este circunlóquio se opõe ao que dizem alguns sobre a imprestabilidade de nossos homens públicos. Tal forma de ver, a da imprestabilidade, decorre da desconsideração do quadro em que se movem os agentes, entendido por quadro o conjunto quase inabarcável de variáveis que incidem no comércio da vida, onde se desenrola o fazer político.
Com base na premissa acima afirmamos que uma coisa é um corrupto no reino da impunidade e, outra, no país do juiz Sérgio Moro. Uma coisa é um Sarney no país do Lula, outra na terra da Ângela Merkel. Por isso, vemos como inadequada a ideia que propugna pela renovação completa dos políticos como condição para sairmos do buraco. Essa tese peca por escolher uma via meramente artesanal na construção da nova realidade. Ela desconhece a força popular, a elevação do nível de consciência das pessoas que advém não só do maior acesso à informação como da experiência viva, do sofrimento imposto pela inépcia e voracidade dos governantes.
É do nível de participação e cobrança do povo que se forma o espectro da gestão da coisa pública. Em contrário, esperar a solução pela renovação dos quadros políticos demandaria séculos, que vem a ser outra forma de dizer impossível. O progresso político imporá a renovação e não o contrário. Entender que a renovação trará o progresso é uma abstração que desconsidera a práxis política, como se a modificação fosse mera questão de vontade e não uma resultante de uma gama complexa de fatores. O tema não se esgota aqui e possivelmente o retomemos.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O QUE EXIGE O MOMENTO


Apelar para a intervenção das Forças Armadas, ou exaltar o regime de exceção implantado em 64, é a mais doce melodia, o mais suave acalanto para os ouvidos do lulopetismo. Quem comete esse desatino age como quinta coluna do governo, eis que essa é precisamente a única bandeira que desfralda o PT. O governo tenta confundir o clamor das multidões pelo fim da administração corrupta com os golpes de estado do tempo da guerra fria.
A comparação do momento presente com momentos passados, embora não se descarte como método de análise e estudo, jamais pode conduzir ao absurdo de que se justaponham os momentos, e se tome por presente o momento passado. Tampouco se podem avaliar uniformemente movimentos de uma mesma natureza em cenários diversos. Uma coisa é o bolivarianismo na Venezuela, outra no Equador, e, muito outra no Brasil.
Tão perigoso como subestimar o espírito do Foro de São Paulo é superestimá-lo.
No campo de operações o que se tem visto é que a estratégia traçada no Foro fracassa a olhos vistos. Seu avanço mais significativo deu-se na Venezuela e, dure ali o tempo que durar, é absolutamente certo que não sobreviverá.
Em nosso país afora a demagogia debochada com que enganaram o povo, queimando o erário público, nada puderam fazer que comprometesse os fundamentos da democracia. Corrupção e fisiologismo deram-lhes essa longevidade que tantos males nos trouxeram. Mas é inadequado dizer que a imprensa foi por eles cooptada; mais do que inadequado é falso; mais do que falso é injurioso. Aí estão os editoriais do Estado de São Paulo e Da folha de São Paulo; as revistas Veja e Época a influenciarem praticamente todos os veículos congêneres numa clara e vigorosa denúncia dos descalabros do governo.
Não menos danosa para a luta que trava a nação contra o atraso é semear a ideia de beco sem saída, um pessimismo alienado que tem como lastro a descrença total e indiscriminada nos políticos. Sugere-se que a remoção do lulismo acarretará a subida de outros que em nada diferem dos removidos. Tal enfoque não leva em consideração a dinâmica social, o conjunto de forças que avançam e condicionam o fazer político. É um pensamento fatalista e reacionário que só serve para atrasar a luta e desarmar os espíritos.

terça-feira, 7 de julho de 2015

PAPO FURADO


Esse papo de golpe só pode impressionar trouxas, e trouxas andam escassos. Dilma cairá dentro da mais estrita legalidade: ou pela renúncia, ou pela impugnação da chapa Dilma-Temer, via TSE, ou pelo impeachment. Golpe? Xadisso.

HUMILHAÇÃO


Pouco falado, pareceu-me, o fato de estar sendo retardada a extradição de Henrique Pizzolato, condenado na ação penal 470, mensalão, por alegar a Itália não possuir o Brasil prisões adequadas à custódia de seres humanos. A contundente veracidade do alegado torna irrelevante outros motivos a explicar a recusa ou retardo da extradição como fosse um revide de Roma ao vergonhoso acoitamento dado por Lula, com as artes de Tarso Genro, ao bandido italiano Cesare Batistti, condenado à prisão perpétua pela prática de quatro homicídios. De ser isto verdade somam-se desgraças: a de nossas prisões serem desumanas e a de ser nosso país refúgio de assassinos.
Doze anos faz que o PT governa. Se ruim era o estado dos presídios quando se iniciou este triste ciclo, imagine-se o estrago por tão longo tempo de total, redonda, completa, absoluta desídia. Basta olhar para os hospitais, para as escolas, onde se recebem inocentes, para imaginar o que acontece onde se prendem condenados.
Da tétrica condição de nossos presídios vez que outra se escuta e se vê na imprensa. Dos cuidados tomados pela Itália antes de extraditar Pizzolato também se deu notícia. Mas não se viu da parte de quem, em conjunto, artistas, escritores, pensadores, o que se pode chamar de alma nacional, uma clara denúncia dessa vergonha, desse supremo rebaixamento que é, nos dias de hoje, estar o Brasil na condição de republiqueta que condena seus presos ao inferno. Na pessoa de Pizzolato o sinistro binômio da era petista: corrupção e abandono.

O SINAL


Se há coisa que muito me custou aprender ao longo dos tropeços da vida é a importância do sinal que se transmite ao povo no discurso político. Refiro-me à essência, ao punctum dolens de que falavam os romanos, àquilo que diz que rumo será seguido, que responde à pergunta para onde iremos. Exemplo: quando os “pacifistas” liderados por Chamberlain desenvolviam frondosas oratórias, recheadas de lógica, a apontar os benefícios que adviriam ao povo inglês de uma política de amansamento de Hitler, Churchill, gênio, ainda que muitos não o queiram, esbravejava com invejável bravura que isso, o afago ao monstro, era o caminho para o inferno.
Margareth Thatcher mandou o sinal: ou cortamos o passo a esse sindicalismo voraz, que quer se apropriar do cofre do povo em benefício exclusivo, ou não teremos com que gerir os interesses do Reino Unido.
Entre nós: Temer, ante a queda de Dilma, acena com o caminho para deixar tudo como era antes. Ora, o que era antes já não nos serve. Queremos que a queda do lulopetismo indique o fim do Estado Oligárquico, a serviço dos interesses de clãs, de grupos, de indivíduos.

sábado, 4 de julho de 2015

QUANDO A COERÊNCIA É PISOTEADA


Quando os inimigos da redução da menoridade penal afirmam que a medida não resolverá o problema, estão a fazer a mais desamparada afirmação de quantas afirmações desamparadas se tem notícia. O problema, no caso a violência das ruas, está afeto à segurança pública que, juntamente com a saúde e a educação, precariamente atendidos desde sempre, foi levado pelas administrações petistas a uma situação de colapso. Resolver portanto este tripé de reclamos implica medidas que consabidamente só poderão ser tomadas após a remoção deste governo que agoniza.
Sabe a quase totalidade dos que advogam a redução, não se prender a medida à superação da cruel situação de vulnerabilidade em que se encontra o povo. Prende-se ela, isto sim, ao enfrentamento de uma excludente penal que, mais do que antijurídica, é imoral, mais do que imoral é afrontosa, mais do que afrontosa é indecente. Homens no pleno uso da razão cometem homicídios agravados por alto grau de perversidade e são postos a salvo da lei, livrando-se assim da reprimenda que com escassos meios lhe imporia o Estado.
Longo será o caminho que nos levará a uma situação de razoável proteção da cidadania. Agilização do judiciário, sistema prisional minimamente compatível com os direitos humanos, polícia prestigiada e equipada, tudo em consonância com uma melhoria efetiva e não demagógica dos serviços sociais. Imediata porém deverá ser a remoção da infamante regra que estende a inimputabilidade a bandidos sob alegação de que são imaturos.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

DA INCAPACIDADE DE APRENDER


O ruinoso preço político pago por Dilma Rousseff e seu partido pelas mentiras e incongruências da recente campanha eleitoral, nada lhes ensinou. Tentaram mascarar o envolvimento no petrolão com a deslavada mentira de que no governo, especialmente na pessoa da presidente, a Polícia Federal havia encontrado alento e meios para perseguir “os malfeitos” como diz o cínico eufemismo palaciano.
Não bastasse a realidade para desmentir tão estupefaciente falsidade, eis que Dilma e PT se encarregam de fazê-lo, deflagrando torpe campanha contra as instituições. De sedizentes verdugos da corrupção, dizem-se agora vítimas de uma trama conspiratória localizada na Polícia, no MP e no judiciário. Duvida alguém que serão banidos da cena política?

quinta-feira, 2 de julho de 2015

AVALANCHE


A tinta não chega a secar e outros acontecimentos pedem escrita. Coisas estão acontecendo que periga a verdade. Agora a Coligação Com a Força do Povo, sigla com que concorreu Dilma Rousseff à presidência, ingressou no tribunal, TSE, pedindo que sejam proibidos Ricardo Pessoa, Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa de depor na ação que apura se houve irregularidades na campanha à reeleição da presidente. Despacho do corregedor geral da Justiça Eleitoral: “O destinatário da prova é o juiz, ele é quem sabe se precisa ou não ouvir testemunha”.
Temos o prazer de informar aos distintos leitores que toda a comunidade universitária sabia disto. Desde o senhor reitor, todos os professores, a totalidade dos alunos, os bedéis, zeladores, o eletricista que veio arrumar a luz, enfim todo mundo sabia. Em que escola, Santo Deus, estudaram os luminares que assessoram o governo?

quarta-feira, 1 de julho de 2015

DA FALSA LIDERANÇA


A alucinação dos ideólogos do PT adjudicou a Lula condição de líder nato. Ele conduziria as classes oprimidas ao mundo luminoso da igualdade, sonho da velha esquerda que junto com o muro de Berlim viera abaixo. Devedora de tantos e atrozes erros, justiça lhe seja feita, a ortodoxia do velho comunismo esse não teria cometido. No velho partidão, Lula, por mais méritos e medalhas que obtivesse, não ganharia a direção antes de cursar o “Mobral” do leninismo, o estágio médio, e por fim os altos estudos da doutrina. Sem isso, jamais passaria de um destacado militante, dirigente talvez de unidades menores.
Como tudo que este rigor doutrinário produziu transformou-se em cinza, a nova esquerda que emergiu dos destroços jogou a um canto o lado “científico” da utopia, e dando livre curso às lucubrações pequeno-burguesas, passou a adotar um ecumenismo à la diable onde tudo passou a ser valorizado, desde que cabível no marco visionário de distribuir benesses sem se preocupar com os recursos. Deu no que deu.
Em semelhante quadro de debilidade permissiva, encontrou a inata vocação de Lula para a demagogia populista excelente meio de cultura para se desenvolver da forma surpreendente que ocorreu. Durou muito na dimensão de nossas vidas, mas não passou de um sopro na de nossa história.

QUANDO O INCONCEBÍVEL SENTA À MESA


Acostumamo-nos nestes anos de lulopetismo a toda sorte de exotismos, assombrações, bichos sem ou com muitas cabeças, enfim, pareceria que nada mais houvesse capaz de nos fazer cair para trás. Eis que a presidente da república, em importantíssima visita aos Estados Unidos, declara-se em guerra contra as instituições nacionais. Assume-se antecipadamente ré de investigações em curso e no mais espantoso surto de bravataria compara seu próprio governo ao regime de exceção que a encarcerou e investigados de corrupção detidos, a delatores torturados pelo regime de exceção.
Não é tudo. Disse a mandatária não admitir suspeitas sobre a lisura de suas campanhas eleitorais, do que se infere achar-se Sua Excelência acima de qualquer suspeita. Ministério Público, Polícia e Judiciário, estes sim, suspeitos de estarem a serviço não das clássicas “forças estranhas” senão que de “estranhíssimas
”.
Nada mais há que se possa dizer. Pensávamos que mandiocas mães da nação e bolas antropológicas de folhas de bananeira estivessem a marcar o fim da picada. Não estavam.

terça-feira, 30 de junho de 2015

ESQUISITICES DA ERA LULA


Nem Platão com sua assombrosa teoria da precedência das ideias sobre as coisas atreveu-se a voar tão alto como o fizeram os ideólogos gramscianos do PT com a construção de uma elite reacionária, a opor-se aos “ideais progressistas” do partido. Que ideais? O mundo já havia acordado e descoberto que Mao Tse Tung não passava de um bufão narcisista, afeito a hábitos nada condizentes com a pureza revolucionária que vendiam seus acólitos; Stalin um psicopata inqualificável que realizou em cenário mais opulento as mesmas atrocidades de seu irmão em doença Adolf Hitler; esparramadas pelo sudeste da Ásia e pelo leste europeu, ditaduras feitas à imagem e semelhança da soviética produziram mais sofrimento e lágrimas do que todo o sofrimento e todas as lágrimas vertidas pelo mundo até ali.
Sobre os escombros desta tenebrosa saga nasceu o Partido dos Trabalhadores. Para renegá-la? Longe disso. Sem que comemorem ostensivamente as sinistras fabulações de seus antecessores, está claramente claro que as subscrevem. Se em algo diferem é naquilo que separa os tiranos aspirantes dos tiranos apoderados.
Elite reacionária não passa de moinho de vento de que se vale o ardil petista para nos apanhar na rede gramsciana. Fracassaram porque se deixaram contaminar por pseudolideranças, como a de Lula, que os sumiu num fosso irresgatável de corrupção. A esperança é que tenhamos amadurecido o suficiente para não lhes dar nova chance.
Não se extraia destas considerações que estejamos a postular a extinção forçada do PT. Na democracia que almejamos há espaço suficiente para que ele e outras siglas assemelhadas vegetem sem causar dano. As agruras pelas quais estamos passando devem ser lançadas à conta das correntes liberais do comércio político, notadamente o PMDB que, cedendo à sofreguidão fisiológica, ouviu o canto de sereia do demagogo Luís Inácio, e atrelou-se ao carrossel neoesquerdista. Se a duríssima prova por que estamos passando servir para matar para sempre as ilusões bolivarianas e o culto a “salvadores” da pátria, terá valido muito a pena.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

DILMA NA CASA BRANCA

Vive o Brasil momentos de incerteza e angústia. Quis a história, que não segue traçado linear e lógico, como imaginam muitos, que esta fosse a ocasião de sermos representados, face ao presidente da mais poderosa nação da terra, pela mais fraca presidente de quantos ocuparam essa eminência.
O diálogo com Obama poderia ser a chave de uma reconquista. Sair o Brasil do estrangulamento a que o condenou política de bloco com tiranias e republiquetas falidas, para o intercâmbio com nações onde vige o Estado de Direito, substrato para o desenvolvimento material e cultural dos povos. Melhor fora que se frustrasse esse encontro de presidentes.
Dois são os prováveis desdobramentos das conversações: por risonho temos o de que sinalize Dilma Rousseff afastamento dos desastrosos postulados bolivarianos que até aqui nortearam seu governo. Quem, indaga-se, acreditará em suas palavras quando, senão não por ação, por inação, traz comprometimento com o mais espantoso escândalo de corrupção da história?
Pode acontecer ainda que a presidente, que costuma oscilar cedendo a pressões de última hora, ou por efeito de suas próprias convicções, renove as baboseiras esquerdopatas e intervencionistas que têm sido nossa desgraça.

domingo, 28 de junho de 2015

COMITIVA DA VERGONHA


Desnecessário relembrar como comissão legitimamente constituída de Senadores, respaldada pelo Itamaraty, falsamente autorizada pelo governo venezuelano rumou para aquele país e foi ali vilipendiada. Sobrante dizer o que foram ali fazer os senadores. Disto até os restos mortais do rei Salomão estão cansados de saber. Foram levar a solidariedade do parlamento brasileiro aos presos políticos daquela ditadura disfarçada, se é que disfarçada é.
Outra caravana partiu. Não para tentar melhor sorte eis que os dados já tinham sido jogados. Foram para desfilar sem nenhum tropeço e assim demonstrar que na pátria da penúria solidária reina completa liberdade. Prometeram ouvir os dois lados. Negaram-se a visitar os presos para não ferir a soberania da Venezuela.
Quatro são os caravaneiros: Roberto Requião, Vanessa Grazziotin, Lindbergh Farias e Telmário Mota. Nada há que seduza em suas biografias, mas esta viagem à Venezuela, para quantos amam a democracia, lança-os irremissivelmente no abismo.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

QUANDO A VERDADE ENCOBRE A MENTIRA


Luís Fernando Veríssimo condena a virulência dos ataques a Jô Soares. Diz compreender a rejeição ao PT por seu acervo de erros e fracassos, mas não o ódio. Concordo. Jô a quem se reconhece como maravilhoso comediante, raramente acerta como entrevistador. Sua lamentável entrevista com a não menos lamentável presidente resultou em fiasco que em nada o recomenda, mas não passa disso. Por mais que o lulopetismo a tenha desfigurado, a democracia ainda respira no Brasil e o atribulado Jô exerceu um direito ao ter feito o que fez. Veríssimo, sem reconhecer o ridículo protagonizado pela dupla Jô e Dilma condena a demonização do comediante, e, a meu ver, até aqui razão lhe assiste. Só até aqui.
A coisa, o texto melhor dito, se desarruma, quando Luís Fernando começa a repetir sem o menor resquício de lucidez as lorotas distributivistas do PT, com a desbotada conversa de distribuição de renda, diminuição de pobreza, promoção de igualdade e outras fantasmagorias. Até as nuvens passageiras sabem que essas aparentes bondades foram feitas sem o menor cuidado com a sustentabilidade, logradas ao preço do derrame irresponsável do dinheiro público com o sinistro reverso que aí está: a miséria batendo-nos à porta. Igualdade sim, essa que a todos nos submerge na angústia e falta de horizonte.
Para piorar, Luís Fernando embrenha-se em distinção com laivos metafísicos entre antipetismo e ódio ao PT. Diz que o ódio ao PT antecede ao próprio PT (lindo, não?) e está no DNA da classe dominante. Pasmem, o talentoso escritor desce à vulgaridade e lança mão deste fóssil que já era caduco ao tempo ainda da guerra fria. Diz-nos que a dita dominante sufoca sempre, pelas armas se necessário qualquer avanço dos oprimidos. Deixa-nos sem compreender como se deu a independência, a república, a abolição da escravatura, a revolução de trinta, a redemocratização recente.
Torna-se incompreensível possa alguém com a monumental cultura de Veríssimo falar em conspiração de elites contra o lulopetismo. Quem será essa elite? Nunca, em tempo algum de nossa sofrida história, empreiteiros, banqueiros, latifundiários e investidores foram tão palacianos, tão íntimos do poder como nestes tristes dias. Ademais quem, que possa ser levado a sério, hostilizou o socorro aos pobres? Calma Luís. Negar-se a reconhecer a nação nas multidões que ganham as ruas em protesto já é a pior cegueira, aquela consabida do ditado: a de quem não quer ver.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

UM MUNDO IMBECIL


Tempo houve em que havia natural separação entre os campos da sociologia e da política. Ao primeiro pertenciam questões que lato senso se podiam entender como dinâmica social. Ao homem comum cabia pleno direito de fazer escolhas e leitura do meio, moldando e sendo moldado ao sabor do jogo de pressões da vida em sociedade.
À política cabia captar em determinado grau de maturação os conflitos surgidos no seio dessa dinâmica para buscar via legislativa a possível pacificação. Afora, por óbvio, as demais e clássicas questões pertinentes à res pública.
Em tal patamar floresceu e atingiu sua plenitude a democracia representativa. Nesse apogeu chegou ao mais alto grau a liberdade de opinião, o exercício do juízo (certo ou errado). A superação de preconceitos e tabus cingia-se tão-somente ao ritmo do processo civilizatório. Apenas de forma pontual matérias dessa natureza migravam do social para o político, para o efeito de sofrerem disciplinamento legal.
Inverteu-se essa ordem. Em flagrante prejuízo ao indivíduo, o político invadiu o social e antes que possamos formular nosso juízo sobre qualquer fato, conduta ou costume, somos submetidos a verdadeiras lavagens mentais desencadeadas a partir do oficialismo entrincheirado nos gabinetes e sinecuras que lhe garantem o poder.
O resultado aí está, sombrio, devastador. A primeira vítima é a arte e seu primeiro filho o humor. É proibido rir dos outros, nos adverte o tenebroso censor sem rosto. E de nós mesmos? Pode? Em termos, em termos, é a resposta.
Muito além do humor há uma grave ameaça pairando sobre a literatura, o teatro, o cinema e de forma mais sutil sobre todas as formas de criação artística. Nada menos que Monteiro Lobato, vulto indesbotável de nossas letras, gênio da literatura infantil, foi assacado de racista porque narrou que a adorável Tia Anastácia, fugindo da onça, subiu na árvore como uma macaca. Agora nos atacam com a aterradora construção batizada de “ideologia de gênero”. É o seguinte: deve ser banida da percepção infantil a distinção entre menino e menina. Somente quando sexualmente despertas deverão as crianças escolher a que gênero pertencem. A intenção é recolher essa assombrosa excrescência em norma legal. Vale dizer: apaga-se no campo cognoscitivo, a pretexto de combater preconceito, distinção imposta pela biologia.
Essa proposição obscurantista dá aterradora visão de até onde poderá evoluir a praga do “politicamente correto”. Conforta-nos a esperança de que não há de prosperar.