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terça-feira, 24 de março de 2015

REFORÇO


Ecoando o que escreveu Reinaldo Azevedo em seu blog, digo eu que Rodrigo Janot, Procurador Geral da República, acaba de ser bafejado pela sorte. O incrível Collor atacou-o em discurso no senado. Afora o derrame histérico de ofensas onde a procuradoria é tachada de grupelho, para não decepcionar a torcida o senador proferiu uma ignorância maior que sua sinistra biografia. Acusou Janot de o haver denunciado quando mal a polícia o estava investigando. Ignora, ou finge ignorar, que nenhum político com foro especial foi até agora denunciado, requerida apenas a abertura de inquéritos junto aos tribunais competentes.
A maioria entre nós vê em ataque de Collor robusto atestado de lisura.

quinta-feira, 19 de março de 2015

DATA VENIA

Uso o velho jargão forense para abordar assunto que realmente me intriga. Haverá neste mundo alguém que acredite na miraculosa fábula narrada pela infantil presidente? Ela nos diz que a corrupção, existente desde sempre, apenas se tornou visível sob os governos petistas dado o implacável empenho que ela e Lula vêm empregando em seu combate. Ver a mandatária delirar à frente de milhões de brasileiros, no mesmo instante em que todo o peso da máquina governamental é jogado contra as investigações em todos os espaços em que isto ainda pode ser tentado, é um fato estarrecedor mas palpável. Agora: imaginar que exista, neste mundo, alguém que creia nisso, nisso de que o PT e o governo combatem a corrupção, é algo que muitíssimo me intriga.

quarta-feira, 18 de março de 2015

O CASO PEPE

Pouco sei a respeito de Pepe Vargas. O que “vejo claramente visto”, no dizer de Camões, é que nem Churchill, Roosevelt, Barão do Rio Branco ou outro de igual porte, poderia desempenhar a contento o papel de mediador entre o Planalto e o Parlamento nas atuais circunstâncias.

terça-feira, 17 de março de 2015

ALÉM DO IMAGINÁVEL

Por incrível que pareça os círculos palacianos veem na recomposição e ampliação da base aliada saída para a crise. Explicação para tal delírio, infenso ao recado das ruas, só se pode buscar na medicina, mais precisamente na psiquiatria. A visão fanática de que o conchavo fisiológico tudo resolve, não pode ser entendida nos marcos da práxis política corrente e sim em uma forma peculiar e episódica de degenerescência. Opor ao clamor popular rearranjo ministerial com critério distributivo numa hora dessas?

domingo, 15 de março de 2015

O FIM

O Governo padece de irresistível impulso suicida consistente em forjar desculpas para a derrocada. Para toda a adversidade uma explicação risonha. Inelutável que, por esse viés, jamais encontrará saída para seus percalços. Panelaço após a fala? Elite do olho azul. Milhão de manifestantes na Paulista? Eleitores do Aécio. Inflação? Crise do capitalismo. Corte na isenção do imposto de renda? Culpa do Fernando Henrique. Desandou o merengue? Ah desculpem. Esta é de outra série.

sábado, 14 de março de 2015

TULIO

In "Me incluam fora dessa" Zero Hora,14,2, Tulio Milman, sobre o terremoto que sacode o país, envolvendo o mega escândalo da Petrobras, invoca para si condição de demiurgo. Não está com nenhum dos lados e quer que os dois fracassem enquanto ele curte amigos e família. Fica para nós outros, reles mortais, a dura jornada de tomar partido. Vá se lixar menino!

AMANHÃ


Amanhã iremos às ruas. Ideologia? Não carece para pedir decência. Calados alguns, ruidosos outros, ordeiros todos. Não comete violência quem quer livrar-se dela. Montanhas lado a lado, formaremos a cordilheira. Já tinham visto a cordilheira andando? Imponente. Silencioso rumor. Rumoroso silêncio.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Y SIGA LA BROMA


O Governo, não bastasse tudo que até aqui fez e deixou de fazer, aumentou o PIB de 2011, de 2,7 para 3,9, deixando para a cidadania o rol de indagações: por quê? Quem autorizou? Qual o fundamento?
É a desfaçatez chegando à paranoia. As mágicas do Guido já não impressionavam nem crianças do jardim. Foi necessário coisas de muito mais sustância, como elefantes saindo da cartola, mágico serrado ao meio, para dar uma sacudida na galera.

quarta-feira, 11 de março de 2015

MOISÉS


Chega a causar dor física o besteirol do senhor Moisés Mendes in “Os golpistas encabulados” Zero Hora, 11, pg.20. O articulista situa a questão do impeachment na opinião de personalidades. Curioso que a Bresser Pereira, Ricardo Semler, Veríssimo, Leonardo Boff, contrapõe a pessoa do senhor Bolsonaro, no vão propósito de que, ao avaliar a importância dos citados, formemos juízo sobre a pertinência ou não do afastamento da presidente. É demais.
Há quase unânime repulsa ao governo que a cada momento vê exposta, em grau crescente, inaptidão administrativa e desmedida sofreguidão por poder e dinheiro. A multidão irá às ruas. Opinião alguma impedirá que levante um clamor pelo afastamento da mandatária.

segunda-feira, 9 de março de 2015

LEITURA IMBECIL

Perdeu-se já na memória dos povos o consenso de que quem governa o faz para todos, descabidas fórmulas que discriminem pobres por ser pobres ou ricos, por ricos. No panelaço que serviu de fundo para a melancólica “fala do trono” de ontem, em cadeia nacional, vislumbrou o comando palaciano atenuante para o vexame no fato que, dizem, o clamor provinha dos bairros de gente abonada. Inspiram- se no fóssil marxista conhecido como “luta de classes”. Esquecem a possibilidade de que aos pobres talvez faleçam forças para gritar. A festa acabou como diz o verso do grande Drummond.

A ANTILISTA

Novo e inesperado contingente assomará na palestra política: o dos não listados. Parlamentares e líderes ficha limpa que, precisamente por essa condição, viam-se alijados dos centros de decisão, emergem agora com insuspeitado capital, com desmedida estatura, com tonitruante voz.
Honestidade, matéria prima essencial para os dias que se avizinham, só quem dela dispuser falará alto.

sábado, 7 de março de 2015

FIM DE UMA ERA


O conjunto de fatos que se desenrolam a partir da operação Lava Jato se constituem na primeira revolução de nosso país. Episódios anteriores, embora de altíssima relevância, - proclamação da independência, abolição da escravatura, república, entre outros- não tiveram a força de alterar matriz cultural consistente no predomínio do poder oligárquico sobre as instituições. O poder, desde o descobrimento, moldou a ordem institucional, desfigurando-a por completo, quando, pressuposto de democracia, é a ordem institucional moldar o poder.
Vê-se neste instante de vertiginosa gravitação social, com a cidadania totalmente desperta, a respaldar a atuação da Polícia, da Imprensa, do MP, do Judiciário, que o processo de regeneração tornou-se irreversível. Força alguma, interna ou externa, será capaz de deter o avanço das investigações a se desdobrarem em denúncias e posterior julgamento. Recuos pontuais e isolados, conchavos, contratempos inerentes a qualquer processo, não terão importância.

sexta-feira, 6 de março de 2015

MUITA CALMA NESTA HORA


Lançar suspeita sobre o MP é realizar o sonho de consumo da bandidagem enredada no Petrolão. Não ter apresentado denúncia contra os suspeitos que gozam de foro privilegiado (excrescência de nosso ordenamento) foi ato de sabedoria e prudência. Afastou a hipótese de recusa por insuficiência de provas. Só há indícios? Abram-se pois as investigações no âmbito do Supremo. Surgem assim novas janelas, novas rotas de investigação, novas delações, mantendo viva a chama da indignação, condição essencial para o avanço.

quinta-feira, 5 de março de 2015

JUREMIR

Se alguém necessita de roteiro para melhor se posicionar a favor dos ladrões que na Petrobras conseguiram realizar o maior escândalo político da história da humanidade, leia no Correio do Povo de hoje, cinco, a coluna de Juremir Machado da Silva.
Extrai-se do texto que o monumental esforço da Polícia Federal, Ministério Público e Justiça do Paraná é um monte de papel viciado, em que favorecimento, perseguição e omissão formam uma pasta informe a impor uma única conclusão: todos os agentes são corruptos e a única forma de se impedir que uns paguem pelo outros, suma injustiça, é deixar tudo como está.
Textos assim têm o poder de inibir qualquer contradita minimamente séria. Não se trata de um ponto de vista, mas de desnudado cinismo que denuncia doença. Atrevo-me a dizer que a adesão aos termos do artigo de Juremir implica secreto desejo de que a impunidade perdure para sempre.

terça-feira, 3 de março de 2015

BRESSER


Inúmeras vezes neste meu “vão discurso humano” (Camões) constatei que erudição, competência técnica, talento nem sempre alcançam a libertar o homem da estupidez.
Luiz Carlos Bresser Pereira, ex-ministro da fazenda, advogado, experimentado político e técnico, homem de letras, professor de renome acaba de afirmar que a marca da turbulência política que agita o país é o ódio dos ricos contra Lula e Dilma.
Confesso que me sinto incapaz de aduzir qualquer comentário vista a magnitude desumana dessa sandice. O que quer que se diga soará pífio, mofino, descolorido ante esse monumento erigido à ignorância.