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quarta-feira, 24 de junho de 2015

UM MUNDO IMBECIL


Tempo houve em que havia natural separação entre os campos da sociologia e da política. Ao primeiro pertenciam questões que lato senso se podiam entender como dinâmica social. Ao homem comum cabia pleno direito de fazer escolhas e leitura do meio, moldando e sendo moldado ao sabor do jogo de pressões da vida em sociedade.
À política cabia captar em determinado grau de maturação os conflitos surgidos no seio dessa dinâmica para buscar via legislativa a possível pacificação. Afora, por óbvio, as demais e clássicas questões pertinentes à res pública.
Em tal patamar floresceu e atingiu sua plenitude a democracia representativa. Nesse apogeu chegou ao mais alto grau a liberdade de opinião, o exercício do juízo (certo ou errado). A superação de preconceitos e tabus cingia-se tão-somente ao ritmo do processo civilizatório. Apenas de forma pontual matérias dessa natureza migravam do social para o político, para o efeito de sofrerem disciplinamento legal.
Inverteu-se essa ordem. Em flagrante prejuízo ao indivíduo, o político invadiu o social e antes que possamos formular nosso juízo sobre qualquer fato, conduta ou costume, somos submetidos a verdadeiras lavagens mentais desencadeadas a partir do oficialismo entrincheirado nos gabinetes e sinecuras que lhe garantem o poder.
O resultado aí está, sombrio, devastador. A primeira vítima é a arte e seu primeiro filho o humor. É proibido rir dos outros, nos adverte o tenebroso censor sem rosto. E de nós mesmos? Pode? Em termos, em termos, é a resposta.
Muito além do humor há uma grave ameaça pairando sobre a literatura, o teatro, o cinema e de forma mais sutil sobre todas as formas de criação artística. Nada menos que Monteiro Lobato, vulto indesbotável de nossas letras, gênio da literatura infantil, foi assacado de racista porque narrou que a adorável Tia Anastácia, fugindo da onça, subiu na árvore como uma macaca. Agora nos atacam com a aterradora construção batizada de “ideologia de gênero”. É o seguinte: deve ser banida da percepção infantil a distinção entre menino e menina. Somente quando sexualmente despertas deverão as crianças escolher a que gênero pertencem. A intenção é recolher essa assombrosa excrescência em norma legal. Vale dizer: apaga-se no campo cognoscitivo, a pretexto de combater preconceito, distinção imposta pela biologia.
Essa proposição obscurantista dá aterradora visão de até onde poderá evoluir a praga do “politicamente correto”. Conforta-nos a esperança de que não há de prosperar.

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