Pesquise aqui

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

QUANDO O ESTADO não provê os meios indispensáveis para custodiar os apenados dentro dos padrões impostos pela civilização, consagrados nos tratados internacionais aos quais aderimos, perde o direito de punir. O código é claro: a pena mais severa aplicável a um homem é a perda da liberdade. Tortura, condições infra-humanas em prisões superlotadas, submissão a gangues que instrumentalizam presídios como aparelhos da selvageria criminosa, repugnam a consciência de quem tem olhos para ver. Que se dizer das vítimas abatidas nas ruas, mesmo quando entregam seus bens, seja um um celular ou um carro? É precisamente por elas que se pode avaliar a incúria de governos que se despegaram por completo do dever primário de proteger a população. Se nem prisões minimamente aceitáveis, base de qualquer pretensão punitiva, são construídas, imagine-se a precariedade do restante do organismo repressor, destinado a conter o crime. Desde que o pensamento de Cesare Beccaria se impôs ao mundo no século XVIII, nenhuma nação que se pretenda democrática submete seus apenados a situações que enfrentam os condenados brasileiros. Piores além, muito além, das que o mundo conheceu na noite medieval.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

ELEIÇÕES GERAIS

NÃO SE REQUER mais do que um dedal de bom senso para perceber que o assunto eleições dois anos antes do pleito seria extemporâneo não fosse absurdo. Aventam-se pesquisas com metade de eleitores que se esquivam de opinar. Na outra metade põem-se em cotejo fantasmas contra mortos. Até um interdito pode perceber que Alckmin, Aécio, Serra são candidaturas que o descrédito tornou inexequíveis, ao menos nesta quadra da vida nacional. Lula, morto, tem, e possivelmente terá, diminuto mas granítico contingente de fanáticos que lhe garantem favoritismo em pleito imaginário e fora de propósito.
O país vai emergir do abismo em que o sumiu a delinquência bolivariana. Nomes que de alguma forma possam ser associados à volta dos empregos, a melhoras, ainda que pálidas, na saúde e na segurança, desde que totalmente livres de Lava Jato, roubarão a cena.