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quarta-feira, 29 de abril de 2015

INDEPENDÊNCIA

Há comentaristas que tratam sua audiência ou círculo de leitores como se fosse um jardim. Abordam os temas com extremo zelo para que as palavras sejam do agrado do público, notadamente quando entre alvos de sua análise haja admiradores de seu trabalho. Não sei se semelhante conduta traz bom resultado pessoal. Mas não há que se duvidar de que produz uma grande vítima: a verdade.
Pode haver falsidade no que diz ou escreve um pensador, mas jamais poderá faltar sinceridade na sua mente ou no seu coração.
Os sindicatos merecem todo o apreço da cidadania pela trajetória de luta que universalmente escreveram nas jornadas contra a selvageria do capitalismo em seus primórdios. Mas jamais se poderiam credenciar à condição de entes sagrados, eis que como todas as criações humanas são passíveis de deformações. Concebidos para transformar a fraqueza em força por meio da coesão de seus membros, teriam, em condições normais do ideal republicano, uma única fonte de subsistência: a que fosse aportada pela contribuição de seus filiados ou pela cidadania, jamais a que proviesse do erário público ou compulsoriamente recolhida de membros das categorias. A proteção estatal dos sindicatos e das associações de classe em geral tem o poder de desnaturá-las irremediavelmente. O Estado não pode, sob pena de desmentir sua essência, patrocinar a criação ou o fortalecimento de instrumentos de pressão contra si próprio porque ao fazê-lo para alguns e não para todos de forma igualitária, estará promovendo o compadrio no meio político. Palmar que entre o órgão de classe e o governo que o apoia forme-se vínculo de feição proselitista e eleitoral. Tem-se aí de corpo presente o peleguismo que tanto contaminou a era Vargas entre nós e o peronismo na Argentina.

terça-feira, 28 de abril de 2015

RIDÍCULO

Chega a causar dor física a desfaçatez do Edinho, secretário de comunicação da presidência, afirmando que a presidente não falará em cadeia nacional no dia primeiro de maio, mas não por medo do panelaço. Se uma boa mentira é impotente para enfrentar a verdade, que se pode dizer de uma deslavada?

segunda-feira, 27 de abril de 2015

A VOLTA

A experiência socialista que se estendeu de 1917 a 1990, com inclusão do leste europeu no pós-guerra e China desde 1949 - China já vivendo sem qualquer ligação com os postulados marxistas fora a ditadura - encerrou-se decretando o fim dessa utopia para sempre. À margem da complexidade que possa explicar as razões do nascimento e morte da experiência, resta uma verdade palmar, perceptível pela epiderme, ou, se se quiser, pelo instinto: o ser humano abomina o socialismo como, de resto, abomina toda e qualquer forma de coletivização que não seja inspirada na mais completa espontaneidade.
Prova disto é que não há um só exemplo de país que haja instituído o regime por via eleitoral.
Estas preliminares estão voltadas a demonstrar que a ascensão ao poder por partidos que têm o DNA marxista em seus estatutos dá-se por via da camuflagem. Escamoteiam em seus programas o propósito totalitário. Assim, com pele de cordeiro, chegam ao governo. Mas não prosperam. As políticas que implementam, porque hostis aos mais comezinhos princípios de gestão, levam-nos a fragorosos insucessos.
Por não haver cumprido a etapa da destruição completa do “estado burguês” como pré-requisito da instalação da ordem socialista, conforme preconiza a doutrina, veem frustrar-se a intenção de se perpetuar no poder. Essa é a razão das teses paranoicas anunciadas pelo Partido dos Trabalhadores a ser apresentadas no V Congresso que se avizinha. Esquecidos de que só tiveram importância quando artificialmente
inchados mediante a formação de um aglomerado populista, retomam infantilmente a retórica revolucionária, a desfilar infindável rosário de jargões bolcheviques.
O eixo central em que se lastreia a baboseira é o velho avantesma marxista da luta de classes. Camuflando os conceitos proletariado versus burguesia, a rapaziada fala agora em forças populares a enfrentar um ameaçador avanço dos setores conservadores, reunidos no capital financeiro, mídia reacionária e grupos de direita, como se todos estes setores, no que se alcança a compreender, não estivessem sentados à direita de deus-padre no paraíso populista armado por Lula e seus asseclas.
Estamos vendo cumprir-se algo a que muitas vezes já aludimos: o PT, desfeita a bolha populista que formou em conluio com outras siglas, voltará a ser o que foi em seus primeiros dias: um pequeno partido ideológico com restrita área de influência na palestra política.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

SARTORI

Ao alvorecer de seu governo, quando não se pode prever que rumo tomará, Sartori presta ao Rio Grande serviço de irresgatável importância. Colocou o estado frente a sua dura realidade. Somos insolventes. O trinômio petista- messiânica prodigalidade, desbragado desperdício e furiosa corrupção – levou-nos a isto. Qualquer sonho de superação passa pela plena consciência desta realidade.

DESCALABRO

Quando um partido que, entre outras bravatas, chegou a alçar-se líder da esquerda no continente cai ao ponto de ter Sibá Machado como líder na Câmara de Deputados, nenhum outro sinal se deve esperar para enxergar o fim.
Nada a ver com o escasso horizonte cultural do indigitado; sua postura algo cômica, a porejar fatuidade. Assombra, mais que tudo, a desoladora falta de noção que o levou a ver perseguição política na prisão de João Vacari Neto.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

EURÍPEDES

Na justa medida em que os políticos perdem o protagonismo para as instituições, exasperam seus hábitos condenáveis, apegam-se a cargos, e deles uma vez senhores, roubam e corrompem com redobrada fúria.
Nem todos. Expressivo número de parlamentares, governadores e dirigentes partidários mantêm-se íntegros. Fundem-se com as ruas, com o MP, com a polícia, com a imprensa, para, cada vez mais, isolar o bando da propina. Mas aqueles, já marcados pela improbidade, parecem adoecer com a proximidade do castigo e o que era imprudência vira temeridade. Longe de compreender que a sofreguidão pelas tetas do erário lhes apressará o fim, lançam-se a uma orgia de gastança nos gabinetes do Planalto e do Parlamento, como a corte de Luís XVI em Versalhes, como a nobreza escravista na Ilha Fiscal, como o arruinado que paga todas as rodadas porque, diz, “a vida é bela e inúteis são todas as teorias”.
Nunca foi tão verdadeira a máxima de Eurípedes: “os deuses primeiro enlouquecem aqueles a quem querem destruir”