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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

A REALIDADE BRASILEIRA VISTA DE FORA



A Revista inglesa The Economist é, sem favor algum, uma das mais prestigiadas publicações especializadas do mundo. Suas avaliações causam fortíssimo impacto no mercado global não só pela elevada credibilidade de que desfruta, como pelo fato de que este prestígio forjou-se pelo respeitável transcurso de 170 anos de existência.
Ainda que se admitissem como verdadeiras todas as suspeições levantadas quanto às intenções de seus editoriais e reportagens, restaria o confronto com os dados ali contidos. Os dados, contra os quais só se poderia arguir a falsidade, ali estão estampados em toda a sua crueza.
Numa segunda investida contra o risonho quadro que nos fornece o governo, na primeira a revista pergunta se o Brasil havia estragado tudo, The Economist, sob o título “O preço está errado”, noticia pizzas a 30 dólares, quartos de hotel sem janela na orla do Rio a 250 dólares, carros e eletrodomésticos 50% mais caros do que nos demais países. Nessa conjuntura conclui que aos brasileiros restam dois caminhos: comprar na parcela, endividando-se cada vez mais, ou ir comprar lá fora. 22,2 bilhões de dólares foram gastos no ano passado.

CARTILHA FILOSÓFICA





Iniciamos aqui, conforme prometido no Visão Geral de sábado, a publicação de uma despretensiosa Cartilha com noções sumárias sobre as principais correntes do pensamento humano ao longo da história. São apontamentos sucintos, destinados a quantos nunca se avizinharam das questões filosóficas e serão publicadas sem prejuízo das matérias habituais do blog.

PRELIMINARES

1)   Indagação sobre o que é a vida, ou o que é o universo, implica FILOSOFIA.
2)   Os primeiros filósofos gregos e chineses foram pensadores que não se satisfizeram com as explicações religiosas.
3)   Na busca de soluções que nunca serão definitivas, o homem vem construindo, ao longo dos séculos, a árvore do conhecimento.
4)   Primeiras perguntas: de que é feito o universo? Depois: Essa coisa de que é feito(o universo) que natureza tem? Depois ainda: Por que há algo em lugar do nada? (campo da metafísica)
5)   E nós o que somos? E o que quer dizer “ser”? (campo da ontologia)
6)   Como se pode saber? E qual é o grau de certeza que podemos ter acerca do que sabemos? (campo da epistemologia)
7)   Razão ou Experiência?
                                                              
PRINCÍPIOS DE LÓGICA

1)   Identidade: A=A
2)   Não contradição: A é b ou não b
3)   Impossível ou terceiro excluído: A não ser b e nem não b.

Os Pré- Socráticos

Tales (640 - 550 a.C.)

            São assim denominados os filósofos anteriores a Sócrates. O ponto de partida da filosofia grega foi Tales de Mileto. Ao entender que a água era o elemento uno de que se originavam todas as demais coisas existentes no universo, Tales formulou a 1ª teoria monista, concepção que afirma ser o universo formado por uma única substância. Tales foi destacado geômetra e matemático, fundador da 1ª escola de filosofia, a Escola de Mileto.

Pitágoras (570-495 a.C.)

A partir da geometria e da matemática, erigiu um sistema que sustentava ser o número a causa primária de tudo. Partiu da observação que alguns fenômenos tinham periodicidade que podia ser expressa em números. Por igual, observou que a harmonia, na música, estava sujeita a escalas numéricas. Formulou o célebre teorema sobre a relação entre os catetos e a hipotenusa no triângulo retângulo. Recordemos: a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Pitágoras imprimiu em sua escola um caráter monástico e místico. (continua)

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

IMPRENSA CONTROLADA



A todo instante os luminares, do que residualmente se define como esquerda, ameaçam a liberdade de expressão com a mais variada quanto esfarrapada gama de motivos. Onde a liberdade é plena, nós outros, os destinatários da mensagem, temos sempre a possibilidade de escolher entre elas a que, de nosso alvedrio, nos pareça verdadeira ou menos falseada. Quando delegamos esse direito natural, o de escolher a informação ou o entretenimento, impõe-se a pergunta: quem é suficientemente isento e clarividente para escolher por nós? Um Colégio de Clérigos? Um Conselho extraído dos Movimentos Sociais? Um Alto Comissariado da Cultura e da Informação?
Dizem-nos os sábios da “vanguarda”: você não é livre Zezinho; você é ingênuo, manipulável, eles o enrolam e levam para onde quiserem. Santo Deus, quem será o Zezinho? Serei eu por acaso? Será você prezado leitor? E “eles” quem serão? “Eles”, os terríveis, que nos levam para onde querem?
Estas indagações, em sua singeleza, parecem trazer suficiente força como para desmontar a contrincada teoria controlista.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

O CINISMO LENINISTA E A COMISSÃO DA VERDADE



Em inúmeras passagens de sua obra escrita, Vladimir Ilitch Lenin atesta a necessidade de serem celebradas tréguas com o inimigo, quando não alianças temporárias com segmentos dissidentes do que definia como “inimigos de classe”. Tais arranjos deveriam durar apenas o tempo em que rendessem acumulação de forças para a revolução. Tão pronto como se evidenciassem nocivos ao avanço em direção ao poder, deveriam ser singelamente abandonados sem qualquer advertência ao aliado traído.
Obviamente essa forma de pensar do “guia dos povos” guarda inteira consonância com o conjunto da doutrina marxista, naquilo que considerava normas de fidelidade como desprezível “moral burguesa”.
Na luta pela redemocratização de nosso país, sem qualquer menosprezo pelos que optaram pela luta armada, resulta inequívoco que a vitória sobre o arbítrio deveu-se, no fundamental, ao papel desenvolvido pelos legalistas, por quantos, pacientemente, teimaram em ampliar, numa luta tenaz e constante, o exíguo espaço que a ditadura se via compelida a conceder.
Ora, é curial que nesse processo, fosse a frente libertária ganhando adeptos que desertavam das fileiras do “regime”. Formou-se assim um “frentão” heterogêneo cuja unidade repousava exclusivamente no afã de restaurar o Estado de Direito. Nada mais explicável que a passagem para a democracia viesse a ocorrer através de um compromisso. Sobreveio a anistia ampla e irrestrita, retirando da apreciação judicial todos os eventuais crimes cometidos durante a ditadura.
Os delitos podem ser separados em puníveis e não puníveis. Os primeiros devem ser investigados pela polícia e pelo Ministério Público. Aqueles cuja punibilidade foi extinta pela prescrição ou por determinação legal, passam a pertencer à história. Somente os historiadores, autênticos desde logo, por imperativo vocacional só se satisfazem com a verdade. A eles, profissionais ou amadores, deve ser confiada a tarefa de trazer à luz os fatos, cuja lembrança é garantia contra o retrocesso.
Daí que não inspirem confiança “comissões” nomeadas pelo Palácio para investigar os fatos ocorridos nos vinte sombrios anos. Investigar ou julgar? Cuidado porque o fantasma de Lenin, presente às reuniões, pode estar caducando. Não ignoremos que os vitoriosos na redemocratização não foram os vanguardistas da classe operária. Foi a burguesia brasileira, políticos, jornalistas, empresários, eclesiásticos. Muitos, entre estes, com destacada atuação no governo de exceção. O pacto celebrado regeu-se pela moral burguesa, que longe de apodrecer como previra Marx, tornou-se ferramenta imprescindível das mais comezinhas relações entre as gentes.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

A EXCEÇÃO DE SEMPRE



Sem entrar na avaliação da qualidade do que se publica na imprensa local, algo nos parece certo: a matéria publicada pouco ou nada tem com o que sente e vivencia a gente da cidade. Digo, porque o que estampam as folhas só nos diz de flores. E os cardos, e urzes, e pragas e mazelas? Nem sombra. Mas, como sempre acontece, vem uma exceção em socorro da regra: Gladimir Aguzzi, em seu “Papo de Elevador”, Jornal Minuano, abre uma fresta para a realidade. Praza aos céus!