Na idade média, no surto
mercantilista, na descoberta da máquina a vapor, há quem o situe nas cavernas,
o capitalismo tem se revelado a forma de produção mais afim com a natureza
humana. Somos apegados a bens, ambiciosos, competitivos, inseguros e, não por
outra razão, o capitalismo reflete todas estas misérias. Daí que ao longo da
história, em compreensível escapismo a estes problemas inerentes ao convívio
humano, surjam as utopias. Mas, desde logo, todas elas se revelaram ruinosas à
humanidade.
As experiências que se lhe
opuseram resultaram piores do que o capitalismo. Nenhuma, porém, até porque
integralmente levada à prática, superou o socialismo em sofrimento e privações.
A ideia de que é possível repartir o bolo que resulta do fazer humano em
porções equânimes, faliu tragicamente, e há de falir sempre que intentada, porque
despegada de todas as demais variáveis, objetivas e subjetivas, que incidem na
produção de bens.
Fome, doença, criminalidade,
poluição, problemas de mobilidade urbana são males que só têm encontrado
minorantes em lugares onde se associam riqueza e gestão, sendo de notória
inutilidade indagar a precedência entre uma e outra destas componentes. Dois
enfoques, ambos sem nenhuma razão de ser no mundo desenvolvido, onde são
encarados em âmbito meramente acadêmico, prosperam nas nações atrasadas,
constituindo-se em mote de intermináveis e estéreis pugnas ideológicas: culto
às leis de mercado, de um lado, e exacerbação do papel do Estado, de outro. Do
primeiro, em nossas cercanias e em tempo recente, não há registro que mereça
análise. O segundo, onde se instalaram governos de viés esquerdista, na verdade
populistas, tem sido a causa de um rosário de males.
Se por um lado, um estado à
mercê das “leis de mercado”, dando-se boca livre ao tubaronato para que pratique
todos os delitos imagináveis, é arrematada tolice, de outro, o intervencionismo
elementar, tipo preços subvencionados ou tabelados, multiplicação histérica de
cargos, aparelhamento de estatais, corrupção à solta, é rota segura para o
abismo.
Estes enunciados
preliminares servem para que se precipite a conclusão inelutável: para os males
do capitalismo um só remédio: democracia. O aprimoramento da máquina de Estado
pela maior integração entre povo e seus representantes, nas formas secularmente
estruturadas de representação é o que tem feito os prodigiosos avanços em
países como Noruega, Finlândia, Nova Zelândia, Dinamarca, Coréia do sul, tantos
outros a nos encher de inveja.