Pesquise aqui

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

UM PUNHADO DE CINZAS

O pleito recente demonstrou que metade do eleitorado rejeitou o esquema de poder que os ideólogos do PT chamam de “nosso projeto”. A outra metade, à exceção de minoria composta por fanáticos e larápios, aprovou iludida com as bondades que o governo semeou na medida em que esvaziava os cofres da nação.
Sabido é de todos nós que para implementar medidas necessita-se de um plano e de capital político para levá-lo à pratica. Isto se falarmos de democracia. Nas ditaduras o respaldo é substituído pelo terror.
As medidas já anunciadas, justas ou não, haverão de corroer o apoio que o povo inocente aportou à reeleição porque serão suprimidas as benesses que lhe foram alcançadas. Se o simples anúncio de que seriam tomadas por Aécio e Marina decidiram a eleição a favor da candidata-presidente que não será agora quando realmente levadas à prática? Seria ingênuo demais supor que a oposição, por ver que algumas de suas teses estão sendo adotadas, viria em socorro do governo sitiado.
Feitas as contas, somando-se quem é contra com quem se desencantou, noves fora, sobrará do antigo caudal de apoio de que dispunha a base aliada, se muito, um punhado de cinzas.



segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

VERÍSSIMO



Minha admiração pelo humorista só não é maior do que meu desprezo por tudo o que pensa e escreve quando de política se trata. Seu afã de pairar acima das opiniões correntes, como alguém que fosse blindado contra elas, “todas vãs, todas mudaves” como diria Sá de Miranda, leva-o a construir raciocínios tão frondosos quanto ocos.
É o caso do artigo “Meios e fins” ZH, 22,4 em que o autor se pergunta se as maravilhas da Cuba socialista compensariam os horrores da cuba totalitária. Causa espanto antes de nada que ele acredite nas maravilhas e não menor espanto o questionar-se sobre se as benesses, reais que fossem, compensariam a tirania.
Pior, muito pior, a passagem em que voltando ao tema, Veríssimo se indaga a respeito de haver o fastígio da China atual compensado os flagelos que o genocida Mao infligiu ao povo. Onde, clamo aos céus, onde, terá encontrado o escritor elo entre uma coisa e outra?
Confesso que me bafeja a esperança de que o grande humorista esteja apenas a pilheriar como se dizia antigamente.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

JANTAR DE TRIMALCHÃO



O PT enfrenta ressaca antes do término da festa. Acena com campanha de volta à ética que ostentou na infância sem que sua cúpula corrupta seja ofendida, quanto mais removida. Assim não dá, dizia Fernando Henrique, naqueles saudosos tempos. É infantil não perceber que a força do discurso moralizante é uma quando oposição e outra quando governo. No primeiro caso esbraveja-se contra os ladrões, no segundo, com eles sentados à mesa, antes do discurso impõe-se o porrete.
Os comediantes sentem-se constrangidos quando veem altos dirigentes do partido, em cargos relevantes, condenar atentados ao dinheiro público. Nada menos que Lula, pai e mãe do projeto de partilha de ministérios e postos, verdadeira matriz da corrupção reinante, conclamando a companheirada a erguer a cabeça a afirmar que nunca como agora se combateu a corrupção.
No clássico Satirycon de Petrônio, Trimalchão, ricaço romano, oferece jantar em que luxúria e gula reinam desgovernadas. Cupidez e ambição nas estatais chegam ao delírio e não é crível que entre os convivas surjam líderes da limpeza. Das instituições, MP, polícia, juízes, imprensa, de nós outros vem toda a esperança.



quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

OLHANDO BEM



Há quem se admire da votação obtida por Jair Bolsonaro, 464.572 votos, dando-lhe  título de deputado mais votado do Rio de Janeiro. Um simples olhar, a partir de avaliação percentual de sua votação já aponta para a insignificância do aporte de votos, aparentemente monumental. O total de eleitores cariocas é 10891293; a votação de Bolsonaro perfaz assim 4%.

Se levarmos em conta que o deputado encarna, isoladamente, a liderança de segmento radical, a título precário denominado extrema-direita começamos a perceber que mais do que a fartura de seus votos impressiona a debilidade da facção que o apoia. Somente Bolsonaro sustenta bandeiras de matiz racista, homofóbico e totalitário o que lhe permite captar a virtual universalidade de eleitores dessa tendência. No conjunto de forças é um contingente perfeitamente assimilável pela democracia.


terça-feira, 16 de dezembro de 2014

DA MILENAR POSTURA

Em qualquer tempo, independentemente da evolução dos usos e costumes, da cultura vigente, comunique-se o homem por meio de sinais de fumaça ou pela instantaneidade da eletrônica, haverá sempre distinção entre elegância e vulgaridade.
A vulgaridade é comum, encontradiça em todos os cenários da atividade humana, mas se há sítio de eleição para que ela ostente sua feiura, este será a política. Entre a multidão de vulgares que povoam os parlamentos, eis que nada como a tribuna para que eles se mostrem, avultam os extremistas. Nem todo o político vulgar é extremista, mas todo o extremista é vulgar. Aos radicais de todo o gênero não socorrem os duendes da tolerância, do comedimento, da cortesia, do respeito às convicções alheias, visto que o extremista, mal de seus pecados, sente-se dono da verdade.
Estas considerações vêm a pelo para concluirmos lisamente que os deputados Jair Bolsonaro e Maria do Rosário, protagonistas da tosca contenda que os levou a proferir baixarias são almas gêmeas. O primeiro expõe com arrogância, não raro truculência, sua adesão a teses discriminatórias com fundamento em questões de sexo, de raça, a par de manifestar veemente reverência ao sombrio período de ditadura que nos desgraçou e que, hoje em dia, até as pedras repudiam. A segunda, levada por seu fanatismo, vê na atuação da polícia descarada perseguição aos negros, pobres e excluídos em geral, promovida por “eles”, os detentores do poder, sem que possamos entender em que tal crueldade favoreceria os membros dessa intangível grei. Seu fervor pelos Direitos Humanos jamais, nem à mão de Deus Padre, faz com que ela se comova com as vítimas do crime que tombam a cada momento e, diga-se, sempre em maior número entre os desvalidos.
Tempos atrás, a deputada, trêfega, mal havia eclodido uma corrida aos fundos do Bolsa Família, devido a trapalhada de funcionários afetos ao programa, apressou-se em atribuir à oposição o que definiu como sabotagem.
O triste episódio em que se envolveram não enseja juízo condenatório que não envolva a ambos. Caberia à deputada, segundo amplamente noticiado, a primazia da agressão, quando acusou Bolsonaro de ser estuprador. O revide, estúpido, destemperado não se amolda a nenhuma excludente. Sem novidades no front, mais um lamentável episódio sem mocinho.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O BAILE DA ILHA

Uma tonelada de camarão, cerca de 900 aves, 10000 litros de cerveja, 304 caixas de vinho, afora montanha de doces e gelados, eis a comilança, consumida ou desperdiçada, na festa que a monarquia promoveu seis dias antes de morrer. Por cenário a aprazível Ilha Fiscal, na baía da Guanabara, frontal ao Centro Histórico da então capital da monarquia.
A “base aliada” erigida em nome da “governabilidade” não realiza propriamente um baile nestes dias. O botim que capturou do erário público está disperso em múltiplos convescotes e demonstrações explícitas de ostentação: mansões, carrões, iates, haras, enfim, em tudo que costumeiramente exibe-se a abastança. Mas nem porque não haja uma ilha, um baile, há de perder-se a comparação. Tal como a ausência de percepção que revelava a Corte quando o vulcão abaixo de si já expelia as primeiras lavas, a trupe palaciana assombra a nação, produzindo a mais irreal avalanche de despropósitos, declarações e medidas de que se tem notícia.
Como se a operação Lava Jato estivesse a ocorrer no século passado ou na Polinésia, o aliado Marco Maia pespega-nos relatório em que os jerarcas das empreiteiras e da Petrobras poderiam ser indicados ao Oscar da honestidade, se o laurel existisse. De outra parte, no parlamento, a horda populista aprova projeto de lei em que o dito fica por não dito, onde se deve ler Diogo em lugar de digo e digo onde conste Diogo; onde seis vale mais do que trinta e seis e, não há exagero, a milenar e respeitada técnica das partidas dobradas é violentada a fim de que migre o que era débito para a coluna do crédito. Isso não bastasse, o inefável Ministro da Justiça, agraciado com título de porquinho pela mandatária, proclama a inocência da diretoria da Petrobras e, pasmem, nos assegura que o Governo, cercado no Planalto pela opinião pública e pelo avanço da investigação, não deixará pedra sobre pedra na apuração dos crimes contra o patrimônio público.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O ANALISTA

Em 2010, já cassado e réu do Mensalão, José Dirceu celebrou contrato com a mega empreiteira Camargo Correia para exercer o cargo, acredite, de “analista de aspectos sociológicos e políticos do Brasil”. Morreríamos de rir, não fosse a piada trágico emblema da situação a que foi reduzido nosso desvalido país. Se a gravidade impede o riso, nada impede que a um simples olhar constatemos que o acusado de então, condenado hoje, bacharel de escassas letras, estava a oferecer à empreiteira simplesmente o poder de abrir portas, de facilitar negociatas que, de resto, hoje aí estão, trazidas à luz do dia.
Quem lhe emprestava esse poder se já não passava de um decaído? Antes todo-poderoso ministro de Lula, cassado, agora réu, de que outra fonte vinha esse poder senão da mesma? Que serviço podia emprestar que não fosse seu livre trânsito palaciano de onde emanava o “habite-se” para delinquir? Ilações gritam os prosélitos da sociedade de bandidos, evidências bradam nossas consciências enfurecidas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A AMORALIDADE E SEUS TRUQUES - publicado no facebook nesta data.

Há publicistas que se abrigam no doce útero da imparcialidade para, condenando gregos e troianos, disfrutarem da mornidão confortadora, semideuses, acima do bem, acima do mal, clarividentes, enquanto nós outros, trouxas, nos deixamos conduzir senão por gregos, por troianos. Apontam os desatinos da esquerda, para, ato contínuo, vergastar os desvios da direita, deixando tênue viés de que os aloprados, ao menos, favorecem os pobres.
Não sei, nem cabe aqui investigar, se de canalhice ou de burrice estamos a tratar. Mesmo porque uma ou outra ou ambas as possibilidades podem estar presentes, dependendo do sujeito em foco. O quê, quem, que coisa lhes permite dividir-nos em prosélitos de gregos ou troianos? Em que mínimo grau o roubo do troiano diminui o do grego?
Claro, claríssimo como a luz do dia, é que ao cidadão nada importa saber a que grei pertence o larápio, muito menos sua inclinação ideológica. Palmar que lhe chame a atenção o roubo mais recente, solar que o maior mais do que o menor. O que se extrai por fim desses luminares que pairam acima da indignação da plebe, é um nocivo respaldo à ladroagem, ao semear o desânimo, a descrença no esforço da nação que se expressa na ação da polícia, do MP, da imprensa, do judiciário e, mais do que tudo, na nossa ira sagrada contra os saqueadores do dinheiro público.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

HÁ ALGO DE NOVO NO REINO DA ROUBALHEIRA - publicado no facebook nesta data.

As velhas oligarquias baseadas na corrupção tinham como fundamento do poder, que no norte era dito “pudê”, a invulnerabilidade contra a mão da justiça. A polícia não só era comprada senão que reduzida à condição de escrava. O delegado era o primeiro a se informar se o coronel tinha melhorado do resfriado. Não se pense que esse quadro vigia apenas nos perdidos grotões. A força do coronelismo projetava-se para o mundo urbano; parlamento, universidade, tribunais, imprensa, refletiam, quando menos majoritariamente, a cultura colonial que a industrialização incipiente não chegava a desfigurar. Tal como a pele dos répteis, que subsiste por algum tempo, mesmo quando já formada nova camada, o que agora se vê é uma estrutura caduca que mistura o viés falsamente austero do passado, com a farsa do populismo e, creia-se, o delírio bolivariano, em patético coquetel que não permite deslinde entre o cômico e o trágico.
Esse mundo caiu. Nações desenvolvidas, onde os problemas são satisfatoriamente resolvidos, apontando algumas para futuro radioso como Alemanha, Suécia, Holanda, Dinamarca, para citar algumas, mais o exemplo dos Estados Unidos, a enfrentar dificuldades sem jamais romper o compromisso com a liberdade, tornaram-se farol do mundo e abriram os olhos de todos para constatação tão simples quão verdadeira: o progresso passa ineludivelmente por rigorosa exação do dinheiro público. Agregue-se a isso o avanço interno do país, associando o influxo da globalização ao dinamismo de seus próprios recursos. Nesse quadro resulta insuportável a obsolescência de prática política que se lastreia no aparelhamento do Estado, domesticação do congresso, feudalização dos ministérios e estatais entregues de porteira fechada a fâmulos e aliados, tudo a desaguar na mais desabrida roubalheira. Metade da população porque minimamente informada do desastre acha-se em pé de guerra; metade, anestesiada pela distribuição de bondades, tão pronto quanto golpeada pela crise há de encrespar-se asperamente.
Esse caudal de insatisfação teria forçosamente que encontrar instrumentos que lhe permitissem aflorar na palestra política. Aí está a Polícia, o Ministério Público, o Judiciário, a imprensa, as redes sociais a formar poderoso exército cujos golpes, tão certo como o raiar do dia, livrarão a nação da inépcia e da rapinagem. A operação Lava Jato é o começo do fim.

sábado, 6 de dezembro de 2014

NOVOS VELHOS INOCENTES - publicado no facebook em 06 de dezembro.


Ivan Valente, presidente nacional do PSOL, ao coonestar projeto destinado a anistiar Dilma Rousseff, proferiu discurso em que acosta razões ideológicas no apoio ao monstrengo.
Para tornar o diabo mais feio do que é tudo indica que o deputado age por convicção. Afirma que apoia a desobrigação de o governo cumprir meta fiscal, imposta pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), porque essa meta serve tão-somente para pagar juros aos banqueiros e megaespeculadores internacionais e nacionais. Sonha o bravo dirigente, egresso do PT, com mundo sem bolsas de valores, sem bancos, sem a trama ciclópica de negócios, agentes, serviços e capitais que se adensa de forma crescente em redor do mundo e de que depende a cadeia infinita de produção, da alface ao computador. Não lhe ocorre que a negativa do pagamento do serviço da dívida pública, bem ou mal constituída, lançaria a nação em letal e instantâneo isolamento, atalho para que nos tornássemos, de pronto, república bolivariana, a ostentar quadro similar ao da Venezuela.
A horda de bandidos que se formou em volta do governo conta, assim, com grupo sedizente esquerda que esbraveja contra a voracidade do capital sem a mínima preocupação de integrar, de graça, a mais lesiva organização criminosa já suportada pelo país.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

QUANDO A HIPOCRISIA NÃO É O PIOR - publicado no facebook no dia 04 de dezembro.

A degradação do caráter, processo pelo qual vamos perdendo o sentido de moralidade ,tem dois últimos degraus: a hipocrisia e o descaramento. Na hipocrisia tenta-se, ainda, salvar aparências. Como último resplendor, o decoro ainda lança um suspiro, crepúsculo da honra. Já no descaramento a perda da dignidade torna-se explícita, chocante, diria até cruel.
É o caso do decreto palaciano que diz aos deputados: separamos um dinheirinho para vocês, um aumentozinho nas emendas parlamentares, mas, prestem atenção, elas somente serão liberadas se vocês aprovarem o projeto que livra Dilma do Crime de Responsabilidade e a anistia de haver fraudado a Lei de Diretrizes Orçamentárias.