Pesquise aqui

terça-feira, 30 de junho de 2015

ESQUISITICES DA ERA LULA


Nem Platão com sua assombrosa teoria da precedência das ideias sobre as coisas atreveu-se a voar tão alto como o fizeram os ideólogos gramscianos do PT com a construção de uma elite reacionária, a opor-se aos “ideais progressistas” do partido. Que ideais? O mundo já havia acordado e descoberto que Mao Tse Tung não passava de um bufão narcisista, afeito a hábitos nada condizentes com a pureza revolucionária que vendiam seus acólitos; Stalin um psicopata inqualificável que realizou em cenário mais opulento as mesmas atrocidades de seu irmão em doença Adolf Hitler; esparramadas pelo sudeste da Ásia e pelo leste europeu, ditaduras feitas à imagem e semelhança da soviética produziram mais sofrimento e lágrimas do que todo o sofrimento e todas as lágrimas vertidas pelo mundo até ali.
Sobre os escombros desta tenebrosa saga nasceu o Partido dos Trabalhadores. Para renegá-la? Longe disso. Sem que comemorem ostensivamente as sinistras fabulações de seus antecessores, está claramente claro que as subscrevem. Se em algo diferem é naquilo que separa os tiranos aspirantes dos tiranos apoderados.
Elite reacionária não passa de moinho de vento de que se vale o ardil petista para nos apanhar na rede gramsciana. Fracassaram porque se deixaram contaminar por pseudolideranças, como a de Lula, que os sumiu num fosso irresgatável de corrupção. A esperança é que tenhamos amadurecido o suficiente para não lhes dar nova chance.
Não se extraia destas considerações que estejamos a postular a extinção forçada do PT. Na democracia que almejamos há espaço suficiente para que ele e outras siglas assemelhadas vegetem sem causar dano. As agruras pelas quais estamos passando devem ser lançadas à conta das correntes liberais do comércio político, notadamente o PMDB que, cedendo à sofreguidão fisiológica, ouviu o canto de sereia do demagogo Luís Inácio, e atrelou-se ao carrossel neoesquerdista. Se a duríssima prova por que estamos passando servir para matar para sempre as ilusões bolivarianas e o culto a “salvadores” da pátria, terá valido muito a pena.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

DILMA NA CASA BRANCA

Vive o Brasil momentos de incerteza e angústia. Quis a história, que não segue traçado linear e lógico, como imaginam muitos, que esta fosse a ocasião de sermos representados, face ao presidente da mais poderosa nação da terra, pela mais fraca presidente de quantos ocuparam essa eminência.
O diálogo com Obama poderia ser a chave de uma reconquista. Sair o Brasil do estrangulamento a que o condenou política de bloco com tiranias e republiquetas falidas, para o intercâmbio com nações onde vige o Estado de Direito, substrato para o desenvolvimento material e cultural dos povos. Melhor fora que se frustrasse esse encontro de presidentes.
Dois são os prováveis desdobramentos das conversações: por risonho temos o de que sinalize Dilma Rousseff afastamento dos desastrosos postulados bolivarianos que até aqui nortearam seu governo. Quem, indaga-se, acreditará em suas palavras quando, senão não por ação, por inação, traz comprometimento com o mais espantoso escândalo de corrupção da história?
Pode acontecer ainda que a presidente, que costuma oscilar cedendo a pressões de última hora, ou por efeito de suas próprias convicções, renove as baboseiras esquerdopatas e intervencionistas que têm sido nossa desgraça.

domingo, 28 de junho de 2015

COMITIVA DA VERGONHA


Desnecessário relembrar como comissão legitimamente constituída de Senadores, respaldada pelo Itamaraty, falsamente autorizada pelo governo venezuelano rumou para aquele país e foi ali vilipendiada. Sobrante dizer o que foram ali fazer os senadores. Disto até os restos mortais do rei Salomão estão cansados de saber. Foram levar a solidariedade do parlamento brasileiro aos presos políticos daquela ditadura disfarçada, se é que disfarçada é.
Outra caravana partiu. Não para tentar melhor sorte eis que os dados já tinham sido jogados. Foram para desfilar sem nenhum tropeço e assim demonstrar que na pátria da penúria solidária reina completa liberdade. Prometeram ouvir os dois lados. Negaram-se a visitar os presos para não ferir a soberania da Venezuela.
Quatro são os caravaneiros: Roberto Requião, Vanessa Grazziotin, Lindbergh Farias e Telmário Mota. Nada há que seduza em suas biografias, mas esta viagem à Venezuela, para quantos amam a democracia, lança-os irremissivelmente no abismo.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

QUANDO A VERDADE ENCOBRE A MENTIRA


Luís Fernando Veríssimo condena a virulência dos ataques a Jô Soares. Diz compreender a rejeição ao PT por seu acervo de erros e fracassos, mas não o ódio. Concordo. Jô a quem se reconhece como maravilhoso comediante, raramente acerta como entrevistador. Sua lamentável entrevista com a não menos lamentável presidente resultou em fiasco que em nada o recomenda, mas não passa disso. Por mais que o lulopetismo a tenha desfigurado, a democracia ainda respira no Brasil e o atribulado Jô exerceu um direito ao ter feito o que fez. Veríssimo, sem reconhecer o ridículo protagonizado pela dupla Jô e Dilma condena a demonização do comediante, e, a meu ver, até aqui razão lhe assiste. Só até aqui.
A coisa, o texto melhor dito, se desarruma, quando Luís Fernando começa a repetir sem o menor resquício de lucidez as lorotas distributivistas do PT, com a desbotada conversa de distribuição de renda, diminuição de pobreza, promoção de igualdade e outras fantasmagorias. Até as nuvens passageiras sabem que essas aparentes bondades foram feitas sem o menor cuidado com a sustentabilidade, logradas ao preço do derrame irresponsável do dinheiro público com o sinistro reverso que aí está: a miséria batendo-nos à porta. Igualdade sim, essa que a todos nos submerge na angústia e falta de horizonte.
Para piorar, Luís Fernando embrenha-se em distinção com laivos metafísicos entre antipetismo e ódio ao PT. Diz que o ódio ao PT antecede ao próprio PT (lindo, não?) e está no DNA da classe dominante. Pasmem, o talentoso escritor desce à vulgaridade e lança mão deste fóssil que já era caduco ao tempo ainda da guerra fria. Diz-nos que a dita dominante sufoca sempre, pelas armas se necessário qualquer avanço dos oprimidos. Deixa-nos sem compreender como se deu a independência, a república, a abolição da escravatura, a revolução de trinta, a redemocratização recente.
Torna-se incompreensível possa alguém com a monumental cultura de Veríssimo falar em conspiração de elites contra o lulopetismo. Quem será essa elite? Nunca, em tempo algum de nossa sofrida história, empreiteiros, banqueiros, latifundiários e investidores foram tão palacianos, tão íntimos do poder como nestes tristes dias. Ademais quem, que possa ser levado a sério, hostilizou o socorro aos pobres? Calma Luís. Negar-se a reconhecer a nação nas multidões que ganham as ruas em protesto já é a pior cegueira, aquela consabida do ditado: a de quem não quer ver.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

UM MUNDO IMBECIL


Tempo houve em que havia natural separação entre os campos da sociologia e da política. Ao primeiro pertenciam questões que lato senso se podiam entender como dinâmica social. Ao homem comum cabia pleno direito de fazer escolhas e leitura do meio, moldando e sendo moldado ao sabor do jogo de pressões da vida em sociedade.
À política cabia captar em determinado grau de maturação os conflitos surgidos no seio dessa dinâmica para buscar via legislativa a possível pacificação. Afora, por óbvio, as demais e clássicas questões pertinentes à res pública.
Em tal patamar floresceu e atingiu sua plenitude a democracia representativa. Nesse apogeu chegou ao mais alto grau a liberdade de opinião, o exercício do juízo (certo ou errado). A superação de preconceitos e tabus cingia-se tão-somente ao ritmo do processo civilizatório. Apenas de forma pontual matérias dessa natureza migravam do social para o político, para o efeito de sofrerem disciplinamento legal.
Inverteu-se essa ordem. Em flagrante prejuízo ao indivíduo, o político invadiu o social e antes que possamos formular nosso juízo sobre qualquer fato, conduta ou costume, somos submetidos a verdadeiras lavagens mentais desencadeadas a partir do oficialismo entrincheirado nos gabinetes e sinecuras que lhe garantem o poder.
O resultado aí está, sombrio, devastador. A primeira vítima é a arte e seu primeiro filho o humor. É proibido rir dos outros, nos adverte o tenebroso censor sem rosto. E de nós mesmos? Pode? Em termos, em termos, é a resposta.
Muito além do humor há uma grave ameaça pairando sobre a literatura, o teatro, o cinema e de forma mais sutil sobre todas as formas de criação artística. Nada menos que Monteiro Lobato, vulto indesbotável de nossas letras, gênio da literatura infantil, foi assacado de racista porque narrou que a adorável Tia Anastácia, fugindo da onça, subiu na árvore como uma macaca. Agora nos atacam com a aterradora construção batizada de “ideologia de gênero”. É o seguinte: deve ser banida da percepção infantil a distinção entre menino e menina. Somente quando sexualmente despertas deverão as crianças escolher a que gênero pertencem. A intenção é recolher essa assombrosa excrescência em norma legal. Vale dizer: apaga-se no campo cognoscitivo, a pretexto de combater preconceito, distinção imposta pela biologia.
Essa proposição obscurantista dá aterradora visão de até onde poderá evoluir a praga do “politicamente correto”. Conforta-nos a esperança de que não há de prosperar.

terça-feira, 23 de junho de 2015

EURÍPEDES AGAIN


Podem me acusar de repetitivo mas depois de ler o discurso que Lula proferiu para religiosos no instituto que leva seu nome, sou obrigado a citar, mais uma vez, a frase imortal de Eurípedes: os deuses primeiro enlouquecem aqueles que querem destruir.

POSIÇÃO DA OAB


Peço desculpa a quem me ligou sobre este assunto por não lhe ter guardado o nome. Não sou manso, como diz o gaúcho, destes meandros da internet e não soube recuperar o nome do interpelante. Mas vamos à questão.
A OAB ameaça recorrer da decisão contida no mandado do juiz Sérgio Moro por incluir, ou não excluir, o Departamento Jurídico da empresa Odebrecht do alcance da Busca e Apreensão.
A matéria é momentosa e nova. Entendo que não assiste razão ao órgão de classe. Inviolável é o escritório do advogado. Não departamentos simplesmente porque se denominem "jurídico". Se assim fosse, tais secções se transformariam em verdadeiras fortalezas a esconder peças do delito.
A matéria, volto a repetir, não é encontradiça. Com a palavra os tribunais.

FAZ LEMBRAR


Nos últimos dias do nazismo, vividos no bunker da chancelaria, tropas russas e aliadas às portas, em quadro de verdadeira demência a oficialidade chegada ao ditador bebia dançava e delirava, protagonizando cenas que deixariam perplexo o próprio Freud se as tivesse podido presenciar. Um fato porém atestava o grau inimaginável de alienação a que podem chegar os detentores de poder quando em situações extremas: de momento a momento Hitler distribuía comendas, medalhas, bastões de marechal, cruzes de ferro, de corpo presente ou a distância, conforme o caso.
Respeitadas as proporções, maxima permisa venia, como se diz em jurisdiquês, coisa parecida ocorre no Planalto. Aloisio Mercadante pretendendo sabotar Michel Temer retardando as nomeações para cargos de segundo escalão. Cargos de segundo escalão numa hora dessas?

domingo, 21 de junho de 2015

SOBRE UMA MÁ LEITURA


Ponho de lado os ataques e piadas de mau gosto do lulopetismo moribundo sobre a delegação de senadores que foi à Venezuela tentar se avistar com os presos políticos. Perplexidade e uma ponta de tristeza causam-me os ataques, à delegação, de pessoas que reconhecidamente se opõem ao atual governo.
A criminosa cobertura oferecida pelo Itamaraty às ditaduras bolivarianas é visivelmente subestimada pelos que se manifestam contra a delegação. Nem mesmo parece preocupá-los o financiamento de obras superfaturadas de empresas brasileiras naqueles países, a que se deve agregar no caso da Venezuela o financiamento pelo Banco do Brasil às exportações brasileiras. Como as garantias a tais financiamentos são prestadas pelo governo venezuelano, as chances de receber o pagamento praticamente não existem.
Afora isto há visível coligação entre o Brasil e as repúblicas chavistas colimando o fortalecimento recíproco como escancarado no Forum Social de S Paulo. A formação deste sinistro eixo outra coisa não fez que isolar o Brasil no plano global, inibindo a celebração de contratos bilaterais com economias avançadas de vital importância para nosso progresso.
Estas razões, relevantes que sejam, empalidecem se cotejadas com o dever de todo o ser humano de solidarizar-se com seu semelhante agredido em qualquer parte do globo. O povo venezuelano, com quem temos fronteira, está sendo martirizado. Atrás da perda de liberdade, bem supremo, perde a cada dia condições mínimas de subsistência. Suas mais expressivas lideranças políticas estão encarceradas. Milícias armadas pelo chavismo reprimem com violência manifestações de protesto.
Em tão veemente quadro decidiu o senado brasileiro, por decisão da Comissão de Relações Exteriores, homologada pela presidência da casa, enviar a Caracas uma comissão de senadores que pudesse entrevistar-se com os presos políticos, levando-lhes assim, e a suas famílias, solidariedade e alento.
Todas as formalidades foram cumpridas. O Itamarati tomou as medidas requeridas. Avião da FAB foi disponibilizado. Perfidamente o governo Maduro nada opôs no plano diplomático. Hordas movidas a petróleo e suor do povo infeliz da Venezuela foram mobilizadas para o deprimente espetáculo que todos viram no aeroporto de Caracas.
Fracasso? Fiasco? Longe disso. Êxito total é o que se observa. O governo foi posto perante situação irremediavelmente perdedora. Ou condena de forma inequívoca a selvageria de Maduro, ou, negando-se a fazê-lo, gasta preciosos tostões de seu esquálido capital político. Insustentável, de outra parte, tornou-se a situação da Venezuela no MERCOSUL, eis que pelo Protocolo de Ushuaia é condição essencial aos membros o respeito às regras do pleno Estado de Direito.

POIS NÃO É?


Quando me deparo com propostas aberrantes formuladas por parlamentares ditos esquerdistas, como essa de fornecer passagens gratuitas para apenados, é que posso avaliar o alentado grau de culpa que recai sobre siglas tradicionais de nosso meio político, por todas as desgraças destes últimos 12 anos.
Sem o concurso do PMDB, PDT, PSB (até recentemente) e outras agremiações, em que se incluem as influenciadas por evangélicos, o PT e satélites jamais chegariam ao poder. As teses que defendem recebem vaias praticamente unânimes do povo. A parcela que os apoiou ao longo do percurso o fez movida por efetivo aporte de benesses que lhes foi demagogicamente alcançado, jamais por suas ideias. A sociedade repudia visceralmente a práxis esquerdizante porque é intrinsecamente errada e historicamente obsoleta.

PELA PROFISSÃO


A OAB poderia promover uma campanha educativa para esclarecer o público das novelas sobre a absoluta irrealidade da advocacia ali praticada. Não dá para competir, como dizia o personagem de Jô Soares.
Advogado de novela faz misérias. Invade audiências no meio, juntando provas que acabou de conseguir, toma a palavra a qualquer momento e arrazoa a destempo, subjuga o magistrado e passa a comandar a audiência. Orienta a delegada no inquérito policial dando pitaco a torto e a direito. Bate boca com a testemunha contrária.
Claro está que nada tenho contra isso. Ficção é ficção, embora seja o ideal um mínimo de verossimilhança. O chato é que as pessoas passam a imaginar que os profissionais de que se socorrem não passam de pamonhas quando comparados com os advogadões da Rede Globo.

É MESMO?


O ministro Fachin com suas declarações simplórias sobre delação premiada só faz aumentar a pesada carga de suspeitas com que enverga a toga de ministro do Supremo. Assim desse jeito isso acaba mal, como diz o conhecido samba.
Informa-nos o preclaro homem de leis que a delação isoladamente não faz prova. Pergunto: onde, quando, em que parte deste vale de lágrimas fez alguém afirmação contrária? Tal obviedade dita por um jurisconsulto só se pode entender como irrefreável intenção de aliviar a pressão em cima dos investigados.

O TEMPORA O MORES


Que tempos! Que costumes! Exclamou Marco Tulio Cícero há dois mil e 78 anos, no senado romano. De não pouco se abismava o genial tribuno. De não pouco nos abismamos nós ao ver esquerdistas impedidos de aparecer em público sob pena de vaias, apupos e panelaços.
Antigamente gente de esquerda, nos duros e heroicos dias das ditaduras, tanto a que foi suportada sob Getúlio Vargas como a que nos desgraçou recentemente, andava mal de sapatos, mal vestida, multiplicando tostões para financiar boletos clandestinos, resistindo a dietas de camelo, tudo pela causa.
A bem da verdade, embora perigue a dita, a rapaziada ignorava os horrores que o stalinismo produzia no antigo império dos tzares e repúblicas “aliadas”. Padecendo a repressão, tocados pela chama do ideal, oscilando entre o grotesco e o sublime, cercava-os uma aura de heroísmo. Eram amados por quantos soubessem de seus sonhos. Fugir, mesmo, só da polícia.
Quando os sonhos ruíram, mais duro emblema o muro de Berlim vindo a baixo, desorientados, tontos, os meninos “como contas, quando se corta o rosário” na fulgurante metáfora de José Hernandez, começaram, como terneiros recém-nascidos a seguir qualquer vaca. Teologia da Libertação, mais Revolução Cultural, uma pitada de Hinduísmo outra de afro, outra de pajelança. Tudo isto bem misturado seria inofensivo se o diabo não tivesse metido a pata. Eis que um animoso líder sindical, firme em seu propósito de chegar à bonança disse à gurizada: vinde a mim que eu vos levarei a uma terra onde correm rios de leite e mel.
Levou. Mancomunou-se com propagandistas que sabiam correr maneados e ofereceu uma generosa lasca aos abonados. Ganhou a primeira eleição. O resto todos sabem. Está na mesa.

ENIGMA LEVY


A crise se agrava e tem na inflação a mais cruel de suas faces. O aumento de juros por si só não resolve. É ferramenta de uso emergencial cuja eficácia só se efetiva em quadro amplo de medidas, das quais nenhuma é tomada pelo governo.
Aumento de juros aumenta custos, aumento de custos aumenta inflação. Disto sabem até aves migratórias que estão de passagem. Vê-se pois que os governantes, firmes em sua vocação de populistas corruptos, preferem ter os braços amputados do que abrir mão de regalias e poder.
Pergunta-se: que faz aí Joaquim Levy? Com a cautela de quem foge de teorias conspiratórias, rendo-me à única hipótese plausível: estaria o ministro a serviço de banqueiros e empresários ladrões, viciados nos empréstimos do BNDES. O grupo teme pela morte da galinha dos ovos de ouro e manda um quadro cujos poderes superestima, como soe acontecer, para garantir a continuidade desse governo permissivo, amável, que tantas alegrias lhes tem dado.

O V CONGRESSO


Velhos marxistas que receberam a graça da desilusão, quando aquela utopia veio a revelar-se em toda a sua hediondez, viraram as costas ao PT. Fizeram-no primacialmente por entender que o novo partido não passava de versão vulgarizada da velha seita e que seu vago pluralismo mais camuflava do que bania fanática perseguição de hegemonia e de perpetuação.
Enganaram-se, ou melhor, enganamo-nos, eis que me contava entre eles, quando acreditamos, como toda a gente, que ao menos uma virtude deveria ser creditada a neo esquerda nascente: ética.
Babaus, meus caros. Um exército de pequenos burgueses, com o ideal de igualdade firmemente implantado na cabeça, mas bem longe do coração, tão pronto quanto ouviu o canto da sereia apegou-se com desusado furor à tese do Estado Grande para que a cada companheiro correspondesse um cargo.
Não tardou para que se tornasse clara a impossibilidade de suportar o erário tão grande peso. Abriram-se as porteiras para o mais deslavado aparelhamento das empresas públicas com o premeditado fito de saqueá-las para financiar o esquema de poder e, como o diabo não se contenta com pouco, para “otras cositas más”
Mas a gente não se emenda. Não é que quando as trombetas anunciaram a realização do V Congresso do Partido dos Trabalhadores passou-me a tênue esperança de que ali brotasse uma semente de regeneração? As bases para que surgisse poderoso impulso autocrítico, capaz de extrair do congresso um partido enxuto, com teses autênticas, ainda que a nosso ver erradas?
Qual o quê, como diria Jeca Tatu. Bastou que o Palácio e o perturbado Morubixaba - que ataca Dilma nos grotões e a defende na coxilha – se unissem, para que os Lênin de teatro infantil recolhessem as conjuntas.

TODOS

A língua portuguesa constrói com o indefinido todos a substituição de substantivos dos dois gêneros. Exemplo: havia laranjas e limões, todos da melhor qualidade. João, Pedro e Maria, todos com suas mochilas, marcharam para a escola.
Curva-se assim a regra ao princípio da economia, um dos fundamentos que regem as estruturações linguísticas. Imagine-se “havia laranjas e limões, todos e todas da melhor qualidade”. “João, Pedro e Maria, eles e ela, com suas mochilas”...
Não por outra razão diz-se “boa noite a todos” pretendendo abranger, e assim é secularmente entendido, a todas as pessoas presentes. Pois não é que a vaga imbecilizante que nos ameaça entendeu de criar a saudação “todos e todas”? O pretexto é um furor igualitarista que vê no inocente “todos” discriminação machista contra as mulheres. Afirmou o clarividente Einstein: duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Da primeira afirmativa não me sinto seguro.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

PALESTRANTE AFORTUNADO


O prêmio Nobel de literatura é de aproximadamente um milhão de dólares. Geralmente contempla escritores cuja escolha registra amplo consenso. Como entender que não um, mas vários milhões venham a agraciar alguém que jamais garatujou uma linha e os recebe por palestras que, sinceramente, fariam corar um santo de pedra?
Em uma de tais conferências, com vídeo assíduo na internet, o palestrante nos diz que a causa principal da poluição prende-se à esfericidade da terra; fosse nosso planeta quadrado, estaríamos livres de tão ameaçador flagelo.
Pois estamos inteirados de ontem para cá que empreiteiras encrencadas na Lava Jato depositaram milhões na conta do Instituto Lula e na do próprio ex-presidente com fito remuneratório pelas malsinadas palestras.
É demais amigos. Amanhã se instala o V Congresso do Partido dos Trabalhadores e é esse falsário, dedicado ao tráfico de influência, sua figura estelar. Ou o PT inicia ali a desmistificação do falso ídolo ou resvalará inexoravelmente para o monturo da história.

ENQUANTO SEU LOBO NÃO VEM


O governo, notadamente no âmbito executivo, parece ter rompido por completo os vínculos com a realidade. Pela tarde, na rede oficial de TV, assisto a uma coletiva encabeçada pelo Ministro da Justiça, secundado por titulares da Corregedoria Geral da União e outros jerarcas em que se anuncia uma consulta via internet para recolher da cidadania sugestões de medidas anticorrupção. Deveras? Pois para o meu fraco alcance deixar nas mãos da Polícia, do MP e da Justiça já está para lá de bom.
A presidente Dilma associa o nome de Joaquim Levy ao de Judas Iscarioti com o propósito, ainda que você não acredite, de defendê-lo da sanha paranoica do PT. Como se isso não bastasse Michel Temer, no rebote, afirmou que não, visto que o Ministro se assemelhava muito mais a Jesus Cristo.
Enquanto isso centenas de trabalhadores são despedidos pelas montadoras de automóveis no ABC. Os juros repicam, as vendas caem, a inflação dispara.
O Seu Lobo está aí?

IGNORÂNCIA DESUMANA


A expressão foi usada por Roberto Campos, dirigida a Ulisses Guimarães, não sei se com inteira justiça. Perspicaz como era não devia ignorar Roberto a estatura moral e política de Ulisses. “A ignorância do doutor sobre economia chega a ser desumana”, eis a frase.
A ignorância de Luís Inácio Lula da Silva sobre a generalidade das questões é, para dizer o mínimo, superior ao que suporta a condição humana, sem que se possam ressalvar as virtudes que marcavam a personalidade do Senhor Diretas.
Discursando perante a 39ª conferência da ONU para Agricultura e Alimentação, desfiou Lula um rosário de sandices que assombram não só pela ignorância como pela carga de cinismo e mau caráter. Disse não imaginar que matar a fome de pessoas pudesse causar tanta reação. Que a depender de ministros da fazenda nenhum presidente promoveria distribuição de renda. Aduziu ainda que a distribuição de renda para os pobres faz crescer a demanda, o comércio, a produção, os empregos e gera um círculo de desenvolvimento.
Para começar sabe Lula que em momento algum, segmento algum, fez reparo a programas que visassem a diminuir a fome. Perfidamente tenta encobrir com essa falsidade os verdadeiros motivos da repulsa que assola a ele e a seu partido.
A resistência de ministros da fazenda a programas de distribuição de renda só se explica pela flagrante irresponsabilidade de tais programas quando despojados de um mínimo de sustentabilidade. Lula teima em impor a imagem do paizão que vencendo a resistência reacionária de ministros, mesmo de sua escolha, distribui benesses, encarnando assim a imagem do benfeitor, do provedor, fonte de bondades que o credenciam ao amor e reverência do povo.
Por último, e aqui se mostra em todo o esplendor a incapacidade de Lula de recolher qualquer ensinamento dos fatos, bate ele na exaurida tecla do desenvolvimento via distribuição de renda. Aumentar de forma delinquencial acesso ao dinheiro, pondo de lado o investimento, jogando às favas estradas, portos, ferrovias, aeroportos, pesquisa, educação, saúde; infenso ao drama a que foi submetido o submisso Guido Mantega, transformado em bufão com suas risíveis previsões de melhora, e, a vista de tudo o que se deu, insistir em que distribuir renda é o mapa da mina, deixa ver de forma claramente vista que se somam em Lula crassa ignorância e incurável má-fé.

AS BALAS CARLITOS


Os de setenta para cima recordam-se das balas enroladas em papel que trazia estampas com a caricatura de Chaplin nas mais diversas poses. Carlitos bancando o toureiro. Carlitos vai à praia. Carlitos equilibrista. Carlitos de bicicleta.
Marqueteiros, profissão cuja marca é desconhecer o ridículo, costumam difundir imagens de seus clientes fazendo coisas capazes, a seu ver, de melhorar a aceitação dos penitentes. Ledo engano. Quando tudo sorri até Joaquim Barbosa fantasiado de Xuxa vende bem. Quando o merengue desanda, recomenda a prudência que o homem público recolha-se a uma discrição claustral que melhor lhe permita refletir em busca de saída.
A presidente Dilma teria cem lugares para exercitar-se à bicicleta sem que ninguém soubesse. Fazê-lo na rua, rodeada de seguranças, vestida de heroína de história em quadrinhos? Numa hora destas? Francamente

AO QUE TUDO INDICA


Rumoreja há horas pesquisa que acusaria percentual menor que dez por cento de aprovação ao governo da presidente Dilma. Qual o limite? Abaixo de dez seria nove a melhor hipótese. Pergunta-se: pode alguém governar com tão minguado apoio?
É de crianças que ainda não manejam noções de próprio e alheio o apegarem-se a coisas que não lhes pertencem.
O mandato, embora legitimado pelas urnas, não pode se sobrepor a inequívoca situação de repúdio. Os meios modernos de aferição de opinião pública impõem uma rendição do mandatário ante os fatos, sob pena de que se venha a sobrepor o formal sobre o material.
Ao que tudo indica não poderá a presidente assomar à janela. Se bobear, a simples menção de seu nome provocará um clamor de panelas. Insistir alguém em governar com semelhante quadro é algo que escapa ao plausível para ingressar no burlesco.

O OLHO DA GATEADA


Preteou de vez. Coisa de dois meses atrás falamos por aqui em renúncia da presidente como caminho natural, “em vista dos últimos acontecimentos.” Pois os ultíssimos só fizeram piorar o quadro. Desemprego crescente, inflação em alta, PIB em declínio, vaias por toda a parte, delações pipocando, algemas alçando voo. Mais?
Temer prometendo cargos (numa hora destas?). O corpulento Levy, como terneiro de janeiro, grande e abombado, a zanzar com seu “ajuste”, no qual não aposta nem comprador de bilhete premiado.
E como a falar-se em corda em casa de enforcado, o experiente Blatter sinaliza: sair antes que a coisa piore. Mais?
Diz o acreditado Gerson Camarotti que há pesquisa dando por menos de 10 pontos de aprovação à presidente. Ainda que Dilma tenha a teimosia dos alienados, para tudo existe um limite.

LIMITES


Começaram a roubar às colheradas, depois por xícaras, por baldes, barris, contêineres. De estranhar porque por mais bronco que venha a ser um homem sempre terá noção de limite. Como pode pensar Dirceu, simples bacharel em direito, que poderia vender-se como consultor (consultor de quê?) capaz de faturar milhões por ano “prospectando negócios em vários continentes” conforme suas próprias bizarras palavras?
E os empreiteiros? Homens carpidos na luta, com experiência para dar e vender, ladinos, resvalosos, desconfiando até da própria sombra, como puderam crer que poderiam evoluir de dois para trinta bilhões no preço de suas obras?
Há que ter-se humildade para compreender que o fenômeno humano não cabe em formulações acadêmicas, nem nos formulários dogmáticos dos cientistas políticos. Mensalão, petrolão, sonhos maus de que acordamos a tempo de não morrer dormindo.

FORTUNAS


Velho provérbio ensina: de fortuna e caridade, metade da metade. Se aplicado esse prudente redutor ainda resultar montante capaz de assustar estátuas é porque “algo hay”. É próprio de país de frágil arcabouço institucional o proliferarem bilionários como cogumelos. Nas velhas democracias eles até nascem, mas não se criam.
Ser contra o enriquecimento é idiota; aplaudi-lo quando sem causa é apologia ao crime.

PUTIN

Vladimir Putin disfarça mal a deformação que lhe causaram anos de prestância à tirania bolchevique, precisamente em um de seus mais sinistros departamentos: a KGB de aterradora memória.
Mal, ainda, disfarça seu pan eslavismo, comum aos impérios czarista e soviético, que está a desassossegar vizinhos e a preocupar a comunidade mundial. Agora, como costumam fazer ditadores e corruptos, atribui a investigação da polícia dos Estados Unidos sobre o lamaçal da FIFA a ressentimentos por haver sido o Catar e não os investigantes, o país escolhido para a copa de 2022.
Quando aprenderão que a investigação recai sobre fatos e não sobre os móveis subjetivos de quem investiga? Ainda que se admita a improvável mágoa dos americanos, em que isto altera a escancarada roubalheira dos cartolas?
Nunca aprenderão pelo singelo motivo de que já o sabem melhor do que ninguém. Jamais compreenderão, isto sim, que essa surrada ladainha não mais comove nenhum santo.