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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

VITÓRIA DE PIRRO OU TIRO PELA CULATRA.


Os estrategistas palacianos ou, quem sabe, o marqueteiro-mor lhes fazendo às vezes está, a cada dia, aprimorando a arte de atirar contra a própria retaguarda, dando tiros no pé, como se costuma dizer.
Entrincheirada no Planalto, a cúpula corrupta recebe fogo cerrado da opinião pública, imprensa inclusa, e da Operação Lava Jato. O congresso, terra de ninguém, foi escolhido pelos sitiados para simular normalidade. Aventam ali fantasias urdidas pelo banqueiro Levy e pelo cínico profissional Renan Calheiros com bizarros nomes-fantasia: Ajuste Fiscal e Agenda Brasil. Com o mínimo de argúcia perceberia qualquer um que este seria o pior momento para atrair o ódio do presidente da câmara Eduardo Cunha. Permitiram que recaísse sobre as costas da combalida presidente a pecha de ter urdido com o MP a trama que redundou em denúncia contra o parlamentar. É claro que isso não aconteceu, mas, a esta altura, um exército de desorientados ganhou as ruas levantando cartazes com o costumeiro “fora Cunha!”.
Falar em corda em casa de enforcado? Irreprimível a percepção de que o clamor pelo banimento deve atingir a quantos se envolvam com a corrupção e, na escala delinquencial, o papel da pupila de Lula ofusca de longe a do parlamentar presidente.
Eduardo permanecerá no cargo, para o que conta com sólida base de apoio. A importante posição que ocupa não sofre erosão do meio político. Não o afetam a inflação, queda do PIB, desemprego, descrença, rebaixamento de nota do Brasil. De sua privilegiada posição continuará a despejar petardos contra a cidadela. Festejam o quê os hierarcas dilmistas?

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

EU NÃO DISSE?


O alto mundo financeiro e empresarial está se convertendo na principal força do “fica Dilma”. Mais uma vez a súcia populista e corrupta, mascarada de bolivariana, chama a “zelite” para o banquete.
A oposição, finalmente, percebeu que contra o binômio Lava Jato e Opinião Pública, esquema algum, ainda que urdido pelo capeta, poderá vicejar. PSDB, DEM, PPS e SOLIDARIEDADE alinham-se pela remoção do governicho. A parte mais viva e atuante do PMDB vê com clareza claramente vista que será arrastada para a cova se persistir apostando no conchavo via Renan. Geddel Vieira lá da Bahia encarregou-se de dar o alarme. A Agenda Brasil do Renan é conversa fiada, afirmou o cacique peemedebista.
Os que têm coração e mente voltados para a libertação do Brasil nada devem temer.

O MORTO

Um governo com aprovação inferior a dez é um governo morto. Nenhuma ação de sua esfera de atuação passa a ser percebida pela iniludível razão de que mortos não falam, não agem, não comandam. O país de Tiradentes está sendo governado por um morto.
Mortos não podem permanecer insepultos. Daí que perde qualquer sentido a invocação do revestimento formal das democracias quando do que se trata é a preservação de sua estrutura material. Não pode haver democracia firmada contra a vontade virtualmente unânime da nação.
Morto não governa. Quem governa? Núcleos sem qualquer traço de legitimidade formam-se ao sopro dos ventos e lançam-se numa disputa estéril e alheia à realidade. A cada minuto e de forma crescente o povo se desliga da Presidência da República e do Parlamento para fixar-se no trabalho da polícia e do judiciário, de onde espera surja uma saída.
O trabalho da polícia e do judiciário concentra toda a nossa esperança, mas não poderá apontar a solução. Esta terá que surgir na esfera política. A pressão das ruas fará com que os líderes -ruins, razoáveis e bons- disponham-se, premidos pelas circunstâncias,
a promover o enterro.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

O PEQUENO RENAN


Vítima de uma mística nada rara de que o poder tudo pode, voeja Renan em torno do palácio, cumprindo seu destino de mosca. Acredita que dali tudo de bom pode auferir, incluso a impunidade. Quanto mais podridão, mais miasma, mais atração sofre o pobrezito. O “pudê” é o “pudê”.
Apressam-se os arautos do mal a ver na repentina adesão do homúnculo ao planalto uma gigantesca conspiração, capaz de reverter a Lava Jato e ocasionar uma ”volta e meia volver” na direção do paraíso bolivariano, comandado por Lula e empreiteiras. Veremos amanhã.

O PRÓ


Há algo de assombroso na argumentação a favor de Dilma Rousseff ou, com maior abrangência, a favor do Governo. A evidência é desprezada em favor da hipótese. Como alguém no meio da rua, embaixo de um guarda-chuva, a indagar dos passantes se está chovendo.
Ondas e ondas de brasileiros saem às ruas protestando em sucessivas manifestações. O pró festeja o fato de que o último protesto foi inferior ao primeiro. Esquecido de seu compromisso com a democracia constata haver mais ricos do que pobres; assume-se racista ao festejar maioria branca nos movimentos como se desprezar pessoas brancas fosse menos sinistro do que fazê-lo com pessoas negras.
O pró migra do auge da tolerância para o auge do moralismo furibundo e quer toda a corrupção punida ou nenhuma. E as privatizações das teles? Esbraveja. E a venda da Vale? E o mensalão mineiro?
Infelizmente não mais que dois enquadramentos são possíveis: o pró é doente ou é corrupto.

OS JANTARES DE DILMA


Não se necessita de muita argúcia para perceber que o momento político passa mais pela desorganização da vida social- inflação, desemprego, descrédito, falta de investimento, rebaixamento, dólar em alta, corrupção- do que na esfera parlamentar e palaciana. Mas mesmo aí a presidente só semeia ventos. Pretende, reunindo parlamentares para jantar, passar a perna em Temer e Eduardo Cunha a favor de Renan. Não lhe serviu de lição o fiasco de haver lançado Chinaglia contra Eduardo Cunha na eleição da câmara. A patada virá.

ENTREVISTA


Poucos, por não dizer nenhuns, acreditarão na sobrevivência do atual governo. Quem ouviu a entrevista coletiva que concederam José Pimentel, José Guimarães e Edinho Silva- líder no senado, líder na câmara e ministro da secretaria de comunicação - pela ordem, quem presenciou “aquilo” e permaneceu na crença da sobrevivência do governo estará, perdoe-me a franqueza, longíssimo do mínimo aceitável.
Um mar de gente, sem qualquer comando ou prévio ajuste, numa espontaneidade aterradora, resolve simplificar o plano de combate e deixa de lado o clamor contra duríssimas agruras para gritar a uma única voz: impeachment!
Sabem o que viram os dignitários do palácio? Pois viram um belíssimo desfile popular de encantador arroubo cívico. Não viram como a multidão estraçalhou a tese do novo mandato que limpa o velho; antes reuniu quatro mandatos num só e os condenou à execração. Não viram como rolou ribanceira abaixo a imagem, construída durante décadas de corrupção e demagogia, do ex-presidente Lula. E como nada disto viram deitaram a falar dos novos tempos.
Tempos de ouro em que Renan subirá ao palco para reencenar, agora com novo script, a farsa da era Mantega.

RACIOCÍNIO SIMPLES

É inadequado extrair conclusões da simples comparação numérica das manifestações. Imaginemos que o universo dos manifestantes perfaça cem cabeças. Numa manifestação comparecem 50. Numa segunda 40. Diminuiu a hostilidade ao governo? Não.
É mínima a possibilidade de que os que não comparecem à segunda manifestação tenham mudado de opinião. É grande a possibilidade de que na segunda manifestação haja novos manifestantes. Impõe-se concluir que o número de pessoas hostis ao governo está numa média que não se pode aferir pela contagem da manifestação mais recente e, sim, através de outros métodos do tipo pesquisa de opinião.

ÀS VÉSPERAS DE


Nada a favor de Eduardo Cunha não seja a hostilidade que lhe move a cidadela do crime entrincheirada no Palácio do Planalto em Brasília. A nação está em guerra contra a corrupção e, pelo que se tem notícia, inimigos dificilmente miram suas armas contra os mesmos alvos. Se Dilma e seus sequazes querem-no morto é porque algo de útil está fazendo contra o mal. E está.
Sejam quais forem seus móveis, possivelmente ambições de poder, percebeu o arguto parlamentar que o governicho populista é, a esta altura, burro morto. No colégio que preside, 513 deputados, grassa o descontentamento devido a que a cúpula em declínio não tem benesses a distribuir. Daí que os ministros nomeados pela presidência já não são ouvidos pelos deputados da sigla contemplada. Com isso perde o governo os elos de transmissão com a câmara e, como consequência, engrossa o poderio de Eduardo Cunha.
Como a reforçar o inesgotável dito “quem não tem cão” foi o desarvorado Estado Maior palaciano socorrer-se de Renan Calheiros, “wanted”. Pretende bloquear com o apoio de Renan - adquirido sabe-se lá com que sinistras moedas- as desconfortáveis votações oriundas da câmara. Não vai conseguir.
Que o conseguisse! As manifestações populares, a inflação galopante, a economia em declínio, o dólar disparado, as notas de rebaixamento, a descrença generalizada e profunda tornam as áfricas de Renan menos importantes do que a lã das cabras.

PELEGÃO

Em uma dessas “plenárias do desespero” convocadas pelo Palácio, o pelego da CUT, Wagner Freitas, cevado no ignominioso imposto sindical, ameaçou entrincheirar-se em armas com seu exército de mentirinha para enfrentar nas ruas a “burguesia golpista”. Mal o leão eletrônico rugiu, expressando a indignação popular com a ameaça, o neném choramingou uma desculpa esfarrapada: a ameaça não passaria de metáfora. CRETINO E COVARDE.
Que a bravata desse tartufo desprezível tire um e traga dez para o grito de domingo!

AS DESFOLHADAS MARGARIDAS

O aplauso comprado com dinheiro de bancos públicos, Marcha das Margaridas e entrega de casas populares no Maranhão, tem sobre a erosão do prestígio presidencial o mesmo efeito de gasolina jogada no incêndio. Lula não percebeu, e certamente não perceberá nunca, que o alto grau de aceitação com que encerrou seus mandatos nada tinha a ver com as tolices que proferiu durante oito anos. À dinheirama que malgastou distribuindo bondades insustentáveis deveu-se a popularidade mal havida. Fecharam-se as burras e abriram-se os olhos, mas o bufão continua a fazer as mesmas graçolas.
Armar comícios contratando figurantes a soldo é o último ato dessa tragédia em ritmo de farsa. Pretender opor encenações bufas ao clamor irado da nação que explodirá domingo dá o exato grau de insanidade a que chegou a camarilha delinquente que nos governa, ainda.

TADINHA DE DEUS

Só quem não está neste mundo - e há outros?- acreditará que Dilma Rousseff pode se salvar depositando esperanças nos carcomidos ombros de Renan Calheiros. Para nisso crer é necessário abrigar uma descrença: no povo, na Justiça, na democracia, na honradez, no bem. Como pode ser tábua de salvação quem de uma precisa? Aí está Renan a evidenciar que em política não basta habilidade. Se bastasse Palocci estaria no alto. Lapidar Lincoln: é possível enganar muita gente por pouco tempo; alguma gente por muito tempo; mas não se pode enganar toda a gente por todo o tempo.

FALTA COMBINAR

Nunca foi tão oportuno invocar a clarividente frase do craque Garrincha quando, ante uma preleção de Feola, ilustrada com tampinhas de garrafa simulando jogadores, perguntou se já haviam combinado com a equipe adversária. O veterano técnico movimentava as tampinhas sobre um tabuleiro em jogadas que, ao fim e ao cabo, sempre resultavam risonhas à equipe canarinho. A partida, no campeonato mundial de 58, era contra a então União Soviética. “Já combinaram com os russos?”- perguntou Garrincha.
Os de Brasília, que se de craques algo têm é no jogo da canalhice, movem tampinhas nas mais criativas jogadas. Temer manda para Padilha, Padilha rasteiro e curtinho para Mercadante, este desvia de Rosseto e lança em profundidade para Renan. Não lhes ocorre, jamais lhes ocorrerá combinar com o povo cuja equipe “adentrará” o gramado dia 16, domingo.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

CRISES

Ensaia-se no tabuleiro tese das mais bizarras: a crise é política não econômica. Leia-se: estamos nadando na fartura, mas só por implicância com a Dilma e o Lula armamos esse fuzuê. Dá para acreditar?
Separar o político do econômico ultrapassa o suportável. Quem assim pensa deve procurar algo para ler. Nem que seja almanaques que davam de graça nas farmácias lá por mil novecentos e cinquenta. Lembro-me do Saphorl. Era bom para o peito e revelava curiosidades sobre o velho Egito. Para partir do zero pode até servir.

domingo, 9 de agosto de 2015

POR UM PUNHADO DE VOTOS


Ouvindo pronunciamentos nos legislativos do país vê-se quão importante é o papel de quem se ocupa de política sem preocupação de votos. Digo isto porque, como goiabada cascão em caixa, é muito difícil encontrar políticos eleitos ou aspirantes a tal que coloquem o sentimento acima da urna.
Dispensa-se a obviedade de que o clamor dos funcionários públicos do Rio Grande do Sul ante o parcelamento de seus salários é legítimo. Não menos óbvio o fato de que o governador Sartori tomou essa medida pela única e suficiente razão de que outra nenhuma menos severa estava ao seu alcance. Não há dinheiro. Esta evidência, com todo o seu vigor dramático, mostra-se incapaz de impedir estultícias do tipo: ele não sabia quando se candidatou? Sugerindo, sem perceber, que somente tolos incapazes de avaliar a realidade devessem concorrer aos cargos.
Mas, o que mais nos choca é presenciar políticos engajados na frente contra o governo, de forma consciente, concorrer para que a desconformidade popular seja desviada da irresponsabilidade do senhor Tarso Genro para as dificuldades do senhor Sartori. Nem a urna, esse lugar sagrado da democracia, consegue ser perfeita. Como todo o engenho humano ela também deforma. A urna não fala, não gesticula, mas infunde o terror de ser contrariada.
Menos mal que muitas vozes, ampliadas pela democracia das redes sociais, podem colocar verdades simples e urgentes: é contra o lulopetismo, versão cruel e envenenada do populismo, que deve ser voltada nossa indignação.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O PROGRAMA

Há quem reconheça talento no senhor João Santana, o marqueteiro palaciano com status de ministro. Se assim é vejo-me na rude condição de insensível, obtuso, vez que não só não vislumbro essa virtude no trabalho do propagandista senão que o avalio torpe, grosseiro, falto de qualquer engenho e arte.
Durante a campanha, dando cabal cumprimento a pacto que celebrara com satanás, cometeu Santana os mais desprezíveis atentados contra a verdade, a moral e a honra e dignidade dos opositores. Claro que não só suas “besteiras de menino” como diria Caetano, decidiram o pleito. O encantatório para ganhar votos vinha de outras flautas. Isenção de impostos para baratear automóveis e linha branca, crédito fácil, dinheiro a rodo para ONGs e movimentos sociais, gasolina e luz subfaturadas, cargos para a companheirada a perder de vista, falsificação de índices sobre emprego e outros indicadores de bem estar, afora a compra de apoio de lideranças espúrias no reduto dos líderes sindicais e dos coronéis dos brasis.
Mesmo assim a coisa foi feia. Ganharam de fiador. Metade do eleitorado votou contra o “projeto”. No dia seguinte a Realidade entrou sem bater na porta. Ontem chamaram o Santana para que exercesse seus poderes. Todo o mundo viu no que deu. Querer descrever o que disseram as panelas seria muita pretensão. Aos vídeos!.

A AUSENTE


Multiplicam-se análises e prováveis saídas para a conjuntura, mas, curioso, na maioria delas não é levada em conta aquela que, sozinha, dispensaria outras variáveis: a realidade. Reprovação acima dos 70%, inflação galopante, dólar em disparada, políticos sob investigação ou denúncia, incapacidade de honrar a dívida pública, iminência de rebaixamento para área de risco, desemprego desgovernado.
Ante esse quadro anunciam-se chamamentos da classe patronal a que se busque concórdia. Concórdia? Com quem? Estarão esquecidos nossos valentes representantes do setor que, até ontem, estavam casados com o governo que causou tudo isto e dele hauriram toda a sorte de favores e de benesses?
A ideia de organizar no senado um dique capaz de conter a balbúrdia vinda da câmara, se prosperar, terá como consequência sério agravamento do que já se mostra gravíssimo. A sobrevivência do governo Dilma arruína toda e qualquer composição que se possa urdir ainda que oriunda da mais brilhante cabeça. Sem que fique assente a necessidade de remoção do atual governo, composições palacianas seriam vãs, não fossem antes desastrosas.
Três são as saídas impostas pelas circunstâncias: renúncia, cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE ou impeachment.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

O PROCESSO


Quando se evidenciou a incapacidade do governo de impedir as investigações, evidenciou-se, por isso mesmo, a fatalidade de sua queda. Isto porque a corrupção lhe é essência, não acidente. No fenômeno neoesquerdista, manifestação tardia e degenerada, espécie de crepúsculo vespertino da utopia marxista, aparelhamento do estado se converte em reles roubalheira, com foco em enriquecimento pessoal e fonte de poder.
O fenômeno que com razoável precisão se pode enfeixar sob a denominação de bolivarianismo fez-se mais trágico e danoso na medida da fraqueza político-econôm
ico-social dos países por onde se disseminou. A Venezuela ilustra isto com cores vivas. Supressão da imprensa, aniquilamento da oposição no plano institucional, repressão violenta das manifestações populares.
No Brasil, embora profundo e longevo, o estrago restringiu-se ao campo econômico, administrativo e cultural. Os fundamentos da democracia não foram atingidos. O vigor da reação institucional aí está aos olhos de todos na operação Lava Jato. A morte do governo populista já se consumou no mundo material; falta sua formatação no plano formal.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

TEORIA DO PIOR


O título resume o que seria Teoria do Quanto Pior Melhor, pecha comumente lançada contra os que se opõem ao governo. Há medidas corretas e ninguém que seja lúcido lhes nega apoio. O que acertadamente se não deve apoiar são propostas cujo alcance final é dar sobrevida a um mal manifesto.
A maioria tem muito clara a necessidade de enxugamento profundo em todo o arcabouço administrativo da nação, mas não se agrega à ideia de pinçar direitos e jogá-los aos peixes para que, folgadamente, a horda palaciana prossiga na roubalheira, no desperdício e na gastança.
Agora, quando até Colombina Pierrô e Arlequim perceberam a inevitabilidade
da queda, o governo Dilma acena com a redução dos ministérios. Diziam até ontem que a economia entre os haver quarenta ou doze era insignificante. Posta de lado a falsidade disto, como não ver que envolve inaceitável indecência? País algum pode aspirar a um mínimo de progresso se tem como norte fabricar ministérios para acolher aliados. Não há indagar o quantum do ônus de tal prática. Ela envenena a alma nacional e sinaliza a favor da mais generalizada corrupção e oportunismo.
O tardio aceno de Dilma será resistido e lhe apressará o fim. Que sentido teria socorrer o governo e aplaudir a proposta? Lupus pilum mutat nom mentem. O lobo muda o pelo, não o caráter.

AD ARGUMENTANDUM TANTUM


É comum numa discussão o argumento do oponente socorrer nossa própria tese. O latim do título trata disso. Traduz-se por “para argumentar, somente”. Desdobrando: ainda que o que dizes seja verdade, o que digo continua sendo certo.
A inocência da presidente Dilma nos amazônicos escândalos que abalam o mundo tem sido aventada com frequência e, agora, recebeu o aval de Fernando Henrique. A bem da verdade, o discurso da mandatária corrobora o argumento a seu favor. Ela fala, veste-se, caminha e comanda como quem nada tem a ver com o momento, o cargo, o país que governa. É uma deficiente? Não sei. Se o for torna mil vezes maior o crime dos que a usaram. Se não é, há de recair sobre ela culpa muito maior do que a dos comparsas.

UNIDADE


Estamos empenhados em monumental frentão pela remoção do lulopetismo. Doença infantil dos frentões, como diria Lenin, déspota mas não burro, são as divisões internas. Estéreis quase sempre, danosas, sobretudo inúteis. Você é a favor do impeachment, eu também. Fernando Henrique dá a entender que não. Fernando Henrique é indiscutivelmente um importante aliado. Isso se infere da fixação que nele têm os ideólogos do bolivarianismo, reservando-lhe sem favor o título de inimigo número um da esquerda. Se o adversário o avalia assim será justo que o frentão o repila?
Não digo que não se possam contrapor razões aos que, na oposição, discordam do impeachment. Claro que sim. O que me parece errado é virar a metralhadora contra o aliado, reforçando o fogo do inimigo. Diferenças dentro do frentão não só podem como devem alimentar controvérsias, mas nunca luta fratricida.

CORAGEM GOVERNADOR


Nada tão deseducador e pernicioso como acreditar que governo é fonte de benesses. É mentalidade colonial achar que dificuldades, quer impostas pela natureza, quer pela má gestão de antecessores, devam ser solvidas pelos governantes sem que tenhamos que arcar com o ônus da superação.
Recebendo o governo com déficit zero das mãos de Yeda Crusius, Tarso genro, muitos se lembrarão, afirmou que não se endividar na gestão pública era sinal de incompetência. Diga-se que esta é norma pétrea da cartilha petista. Possivelmente do velho ódio marxista ao dinheiro, ao capital, à poupança, ao mérito, à burguesia, contraíram os líderes da nova seita a ideia de que é gastando que se faz distribuição e justiça. Amealhar prudentemente, reforçar os cofres públicos é coisa de neoliberal reacionário. E se disse melhor fez.
Como encontrasse o tesouro equilibrado, graças ao “acanhado” trabalho de Yeda, os empréstimos devidamente amortizados, depósitos judiciais intocados, lançou-se nosso bravo líder neoesquerdista a mais resoluta gastança de que se tem memória nesta querência amada.
Vê-se agora o governador Sartori a braços com a dificuldade de governar com déficit de cinco bilhões. Como não lhe é dado multiplicar peixes, é compelido a dividi-los em pequenos pedaços, com o que não concorda boa parte da gente. Vai penar.
Será socorrido porque, mais breve do que muitos pensam, a seriedade com que está encarando a realidade de nosso estado será norma geral no Brasil. Isto ocorrerá quando, por renúncia, cassação ou impeachment, a remoção do atual Governo Federal entregar a outras mãos o destino da nação. Aquele a quem couber o bastão haverá de alinhar-se com Sartori. Aqui na planície, queiramos ou não, teremos que apertar os cintos; sejamos liberais, assalariados ou funcionários públicos. Será para o bem de todos e felicidade geral da nação, como disse o saudoso príncipe.

QUANDO O VAZIO VISITA O NADA


Nas horas que precedem a capitulação nada além do silêncio faz sentido. Que foram fazer governadores em Brasília? Que lhes tinha a dizer a anfitriã? A inflação dispara, demissões pipocam, o povo protesta. Pela primeira vez desde 1997 as contas fecham em vermelho.
Não vê quem não quer que o quadro agrava-se ao extremo. Se para tomar medidas necessárias ao conserto do que ocasionaram 12 anos de insanidade, inocentes sofreriam alto desgaste, que se dirá de culpados? Estes não podem sequer assumir essa empreitada. Como pode pedir paciência e sacrifício quem causou a ruína?
A presidente diz frases sem sentido, expondo à chacota a própria presidência. Não nos iludamos com o humor reinante. Ele não esconde a indignação nem a mitiga, antes a reforça.
Com nitidez chocante vê-se o desprezo que as lideranças populistas nutrem pelo povo. Creem com convicção fanática que sempre haverá um expediente para mistificar os cidadãos, falso sempre, danoso, solerte, mau. Mensalão, petrolão, eletrolão. Rios de dinheiro gastos na mentira impressa, irradiada, televisada, a apregoar virtudes de planos e de obras de minguado proveito em relação ao rombo criminoso que abrem nos cofres da nação.
Agora essa pantomima sem graça, sem rumo, sem feição. Um fiasco a mais para o Palácio, o que já não surpreende, e sério deslustre para os governadores que, notadamente os da oposição e independentes, não se atreveram a recusar o convite, vazio de sentido.
O governo usou os governadores para a falida manobra de pressionar as bancadas estaduais a aprovar o ajuste fiscal, mas, mais que tudo, para barrar eventual impeachment derivado da rejeição das contas de 2014 pelo TCU.
Sobrará uma foto e uma pergunta: que proveito pensa tirar o marketing palaciano? A foto com a confraria de ocasião a sorrir, a aplaudir, em tão sombria hora. O que aplaudem? De que acham graça?

NEC

Há no latim expressão indicativa de apogeu, de excelência ou desastre, que não se poderá ultrapassar: nec plus ultra. O infortúnio que atingiu o Brasil quando colocou no comando da nação um homem de instrução primária, afeito ao discurso simplório, não se consumou nos intermináveis oito anos de seu governo. Neles o charlatão gastou recursos que tempos de bonança na economia do mundo nos propiciaram e, nessa gastança, viabilizou as alianças criminosas que lhe asseguraram permanência. O pior viria depois.
No lastro eleitoral que conquistou, dissipando o erário em bondades insustentáveis e franqueando a mais desenvolta corrupção do universo, tomado de irrefreável egolatria escolheu a mais rude e despreparada pessoa entre seus áulicos para sucedê-lo.
Dilma Rousseff, como para dissipar qualquer sombra de injustiça destas afirmações acaba de proferir a seguinte frase: “não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta". Nec.

DA MAIS FÁCIL LIÇÃO

Surpreende constatar que a mais imediata percepção parece, assim mesmo, ser a que mais frequentemente nos escapa. Algo será mais verdadeiro do que haver neste mundo limite para tudo? Penso nisto ao olhar o fetiche que se atribui ao marketing político. Vige ainda para muitas consciências a malsinada afirmação de Goebbels de que uma mentira mil vezes repetida se converte em verdade. As mentiras do psicopata fizeram o estrago que fizeram não porque fossem simplesmente repetidas. Sinistro complexo de causas lastreou a eclosão da tragédia nazista, cuja enumeração quiçá não seja suficiente para explica-la porque a tudo se somará imponderável participação da estupidez humana.
Como a desafiar a máxima do limite, na eleição passada, a facção vencedora entregou a plenitude da condução da campanha a um marqueteiro. Outras já lhe tinham sido entregues e redundado em sucesso total. Isto foi suficiente para que se generalizasse a aceitação do absurdo: hoje em dia as campanhas têm que ser entregues a marqueteiros e não mais aos políticos.
Como, pergunta-se, como, pode alguém cujos problemas lidam com questões destinadas a vender sabonetes ou eletrodoméstico
s ou hortaliças conduzir uma campanha à presidência da república? Nesta, na campanha, incide gama tal de variáveis que soa um pouco jactanciosa a denominação “cientista político” para acadêmicos do setor. Que se dizer então de “marqueteiro?”.
Quando o senhor marqueteiro da candidata Dilma, do alto de sua amoralidade, percebeu que seus contratantes tinham-na em igual grau, largou-se sofregamente, com desusada sede ao pote e se mandou a mais formidável procissão de mentiras, calúnias, fraudes, sobretudo, inimaginável coleção de vilanias, de golpes baixos, de sórdida mesquinharia.
Metade do povo abriu os olhos. A outra estava por demais anestesiada pela cantilena do lulopetismo enganador e ainda dormitava na hora de votar. Despertou com o violento tapa na cara do dia seguinte.
No quadro atual chamam o marqueteiro e pedem-lhe um conserto. Atônito, erradio, titubeante, vez que outra diz frases soltas. Com frequência repete: agenda positiva, agenda positiva.
Senhores políticos, entregar campanhas a marqueteiros é o mesmo que organizar uma banda com fabricantes de instrumentos no lugar dos músicos.

SEM BALACA

Há muitos anos, sabem disso meus raros ouvintes do Visão Geral, venho afirmando que o PT está condenado a ser partido pequeno, como o PSOL, ou o PCdoB. Está na natureza dos partidos ditos ideológicos, com rígida estrutura orgânica e viés revolucionário, ainda que mitigado sob outras denominações como progressista ou popular, serem pequenos e de pouca presença no palco político.
Condições já desaparecidas do cenário mundial permitiram-lhes
momentos de grandeza. O PCUS (Partido Comunista da União Soviética) diminuta facção, mantida com excepcional coesão pelo pulso de Lenin, contrariando princípio assentado pelo próprio Marx, tomou o poder na Rússia. Marx havia declarado impossível a tomada do poder em país isolado. O campo para sua revolução restringia-se ao mundo europeu estrito senso, de que a Rússia predominantemente asiática e feudal não fazia parte. Debilitada ao extremo pela guerra, a monarquia dos Romanov sucumbiu nas mãos dos bolcheviques porque eram estes a menos fraca das oposições que vicejavam no caos reinante. Traindo a promessa de expropriar os meios de produção da burguesia para criar um Estado Operário, o partido criou o terror e de forma que dispensa explicação tornou-se gigante. Até sumir como sumiu.
Os poderosos partidos comunistas, francês e italiano, conheceram a opulência enquanto se manteve a luta contra a selvageria do capitalismo, secundando pleitos reivindicatório
s dos assalariados. Ademais grande prestígio lhes conferiu a participação na frente mundial contra o nazismo. A modernização das relações de trabalho, o fim do pesadelo nazista, e o colapso do “paraíso socialista” soviético decretaram-lhes o enxugamento que os condena hoje à condição de nanicos.
Seria encompridar desnecessariame
nte descrever o destino do Partido Comunista Chinês. Ele deixou de existir porque não há qualquer resquício de comunismo na China. Reina ali ditadura que protege um capitalismo tão desumano como o foi o jovem capitalismo ocidental ao tempo da revolução industrial.
O nazismo e o fascismo só tiveram caráter de massas após a tomada do poder, pondo os recursos públicos a serviço do fanatismo patrioteiro. Vegetam hoje no espaço que lhes garante a democracia como organizações anãs.
O Partido dos Trabalhadores só cresceu quando desmentiu sua carta de fundação e, acaudilhado por Lula, firmou a mais permissiva aliança já vista por aqui. Collor, Sarney, Barbalho e uma súcia de siglas de aluguel que protagonizam os tristes episódios destes dias.
Estas as razões que me levaram a prever, há muito tempo, o encolhimento do PT às dimensões impostas a quantas agremiações propugnem por uma “democracia” que não é a que todos querem.

INOCÊNCIA

Inclino-me a crer não tenha havido na história do mundo escândalo maior que o petrolão, universalizado agora, alvo da investigação de vários países. Mais claro quiçá que a própria clareza o fato de que o epicentro do cataclismo está nos governos atual e passado. Primeiro, segundo, terceiro escalões; periferia desses cargos; políticos aliados e ministros gravitam em órbitas de variada distância à volta do sinistro. Mas garante-nos Rui falcão que Lula e Dilma são inocentes.
Inescapável certeza brilha nas consciências de que rios de dinheiro molharam as campanhas de Lula e de Dilma, mas Rui Falcão nos repreende quando nos atrevemos a pedir que O TSE invalide o pleito e nos acusa de golpistas porque, assevera, Dilma e Lula são inocentes.
José Dirceu, esquálido, assustado, carrega a dura cruz de uma condenação presente e a iminência de outra futura. O ex-ministro saiu de dentro dele, era a voz minimamente culta a repetir a arenga tosca, neoesquerdista,
do metalúrgico loquaz. Apregoava com humildade a indiscutível liderança do genial operário. Já não se ouve um vagido sequer na grei partidária em defesa do mísero, ainda ontem guerreiro do povo brasileiro. José Dirceu é culpado, mas seu mentor supremo, Lula, tranquiliza-nos Rui Falcão, é inocente.
Dilma, ao que se sabe, não estava meditando entre os monges budistas no Himalaia quando foi gestado o assalto arrasador contra a Petrobras. Vinha do ministério de Minas e ocupava a presidência do Conselho da estatal quando se consumou a negociata de Pasadena, cuja trama grosseira e burra era visível à longa distância. Mas, é Falcão quem o diz, Dilma é inocente.
Dia 6 haverá panelaço se Dilma consumar a ameaça de aparecer no programa do seu partido. Dia 16 um oceano encrespado inundará as cidades. Quando somente Rui Falcão alegar a inocência de quem encarnava o governo, de onde partiu o crime, teremos a certeza de que ela não subsistirá.

Marxismo

Reneguei o marxismo por volta dos anos oitenta porque fui seduzido pela democracia. E o mais sedutor adereço que nela encontrei foi o apego, e respeito, à pluralidade. O estadista Fernando Henrique Cardoso, a quem o Brasil muito ainda tem a agradecer, pode e deve ser criticado como, de resto, todos os mortais. Mas se há algo que me parece imperdoável é a crítica rastreada nas diversas estações pelas quais transitou o ilustre sociólogo e político. Isso, esse tipo de crítica, tem a pior extração possível: a que serviu de fonte ao macarthismo, que conseguiu manchar até a gloriosa história da democracia americana.

DIÁLOGO INSANO


A disparatada ideia de buscar diálogo com a oposição, leia-se Fernando Henrique Cardoso, força-me outra vez a evocar Eurípedes: “os deuses enlouquecem primeiro aqueles a quem querem destruir”. À beira do buraco que meticulosamente cavaram por doze anos, dirigentes petistas, Lula à frente, convidam Fernando Henrique, Serra, Aloysio Nunes, outros, para um convescote junto ao fosso. Em dado momento, abraçados, festejando, despencam todos “cuesta abajo” como diz o tango. Esta hipótese, parecendo fábula de Esopo ou de Fedro, tem lugar porque tudo tem lugar desde que despojado de seriedade, para abordar tão burlesco propósito.
Há que se ponderar que sob a maldição da loucura, de que fala Eurípedes, estão Lula e seu séquito, não Fernando Henrique e companheiros. Admitida, por admitir simplesmente, a possibilidade de que dirigentes da oposição aceitassem o insano convite para dialogar, pergunta-se: que efeito teria isto? Que influência teria esse diálogo no “filme de terror sem fim” a que alude o vetusto Financial Times?

BEM ME PARECIA


Demorou pouco para dar com a cola na cerca o bom-mocismo de Temer e de seu escudeiro, o gaúcho Eliseu Padilha. Geddel Vieira Lima, presidente do PMDB baiano, vendo o que todos veem pegou o grito: quer que, desde logo, o partido sinalize ruptura com o PT e abandone o cortejo que está levando o governo Dilma para a cova.
Temer encarna como ninguém a visão subdesenvolvida
de política. Crê com fanatismo que a marca superior do homem público é saber ajeitar as coisas, puxa daqui, puxa dali, cede um ministério, promete outro, faz que não ouve, enfim, tome gambeta e panos quentes. Isso funciona em determinados momentos e cenários, em outros se revela o caminho mais curto para o abismo.
É o vice-presidente
a alternativa constitucional para duas das hipóteses previsíveis de afastamento da atual presidente: renúncia ou impeachment. Somente uma terceira, a cassação da chapa Dilma-Temer, nos traria a benção de uma nova eleição. Temer se enseja assim como eventual substituto da atual mandatária. Significará um avanço naquilo em que nada poderá existir pior do que o lulopetismo, mas já deixa entrever a gama de problemas que trará com seu estilo aguado, dúbio, frouxo.