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quarta-feira, 22 de julho de 2015

DELAÇÃO


Delatores há que simplesmente cumprem missão, infiltrados no movimento ou grupo a serviço de inimigos. Outros se rendem à tortura e entregam segredos e companheiros sem que nem nesse amargo momento abandonem seu apego à causa abraçada. Mas que dizer dos que se associam simplesmente para roubar? Sobre estes, reles delinquentes, não é difícil imaginar o poder de sedução que exerce o recurso legal de combate ao crime dito delação ou colaboração premiada.
Somente uma amizade fortíssima, sublime, equiparada ao amor de mãe seria impeditivo capaz de levar um ladrão a suportar o peso de uma condenação quando a dois passos pode obter a liberdade.
Supõe-se, com a margem de erro de todas as suposições, que entre a rapaziada mensaleira, ora petroleira, a relação de afeto não passasse de mera camaradagem. Isto porque ausente qualquer fumaça de grandeza, qualquer assomo heroico ou épico. Imagina-se, com a ressalva natural a toda a imaginação, que já nem se animassem a falar dos grandes propósitos igualitários dos primeiros tempos. Não ficaria nada bem, em meio ao luxo asiático que se propiciavam, atacar a burguesia parasitária; no vaivém das bolsas e mochilas recheadas de notas falar da voracidade dos capitalistas desalmados, cultores do dinheiro. Bandidos comuns, traficantes, assaltantes de bancos e de carretas têm pelo menos o perigo que, sublimado, pode criar um vínculo forte, um halo de valentia e de denodo a uni-los fortemente.
José Dirceu, desfigurado, envelhecido, acha-se a um passo da delação. Arcar com o castigo em nome de quê? Pede ao juiz que o poupe da prisão, como se cabível fosse. O pânico das grades se agiganta e torna insuportável pensar na fruição de cúmplices que eventualmente forem poupados.

EU NÃO TÔ DIZENDO!?

Essa turminha da cúpula não tem cura mesmo. Temer não aprendeu com a “marolinha” do Lula que pôr diminutivo em problema só atrai desgraça. Vem agora chamando a crise de “crisezinha”.

POSTO DE OBSERVAÇÃO


Tenho como certo que para observar o que está se passando no Brasil tem melhor posição quem está na planície, longe da fervura, que os próprios protagonistas da cena política. A começar pela singela constatação de que na crise somente grandes líderes acertam a leitura, coisa impossível de acontecer em Brasília porque foi precisamente a carência de líderes que causou a desgraça.
Ilustra o que estamos dizendo notícia da imprensa sobre a pressão de aliados para que seja substituído Aloisio Mercadante por Jacques Wagner na chefia da Casa Civil. Haverá alguém entre os que leem jornais, escutam rádio, ou assistem os noticiosos de TV, capaz de apontar diferença entre estas duas personalidades?
A única que vislumbro é que Mercadante, sabe-se lá por que nebulosas circunstâncias, é hostilizado por Lula, enquanto Wagner goza da simpatia do chefão. Ora, se não estou perdido, nulidade por nulidade, neste duro trajeto por que passa o Palácio, ser hostilizado por Lula até daria pontos a Mercadante.
Tudo para dizer que a esfera de poder não tem a mínima condição de encarar os fatos. Prendem-se a futricas e disputas que até as irmãs da Ordem das Carmelitas percebem que estão a passar longe, muito longe, longíssimo dos verdadeiros problemas que afligem o povo. De comida se trata, de conter a roubalheira, suprimir a gastança, vender as empresas em mãos do Estado, sinalizar robustamente que o Brasil quer distância de ditaduras bolivarianas e teocracias fundamentalista
s, para só enumerar reclamos mais candentes.
Substituir ministros? Farinha do mesmo saco? Estarão brincando? Não é provável que brinquem. Tocou à degola. A polícia chegou.

FEIURA


Há um toque sinistro na ostentação de riqueza provinda do crime. Um mau gosto atroz marca as correntes de ouro e os relojões dos traficantes de bermudas, e não menos, como a denotar origem comum, as mansões dos ladrões de colarinho, suas frotas reluzentes, a arrogância dos sorrisos, a bravata dos ditos.
Sobre todas essas coisas algo há de ruim, uma breguice má, um viço de flor de monturo, coisa pior, difícil de pontuar, mas que está aí, a empestar, a enojar, a despertar revolta.
A visão dialética vinda de Heráclito, com estação em Hegel e concurso em Marx e Engels, deixa-nos lição de que, por vezes, a evolução se dá por saltos. Pequenas mutações quantitativas vão se acumulando e, de repente, dá-se o salto. O que era aceito até ontem é repudiado hoje.
Bem pode ser que tenha havido um salto na apreciação do povo sobre Lula. O aplauso de ontem em vaia transmutou-se. Nada desautoriza pensar que haja nisso percepção do feio que ronda o político. Paira sobre Lula desconfiança, quase certeza, de que não só comandou a corrupção que assombra o mundo, como dela tirou proveito pessoal. Não se o vê ostentar tesouros, mas sua arrogância, seu pavoneio estulto a alardear sabedoria sem letras, sua grosseria contra adversários, o trombetear de obras que não fez, tudo isso, traz a marca maldita, o mau gosto chulo da bandidagem, o arrivismo sem vergonha dos aproveitadores.

PROJETO


A sem-cerimônia de líderes petistas para falar de “nosso projeto” encabula até quem lhes devota pouco apreço. Se indagados de que projeto falam, pior. Vemo-nos em tal caso sujeitos a ouvir em reedição burlesca a trágica pregação de Goebbels sobre transformar-se em verdade a mentira repetida. Virão em torrente, de modo a irritar até um ermitão budista, arengas a respeito de 40 milhões de brasileiros resgatados da miséria; de pródiga distribuição de moradias; de extensão do ensino superior e de qualidade a milhões e milhões de jovens nascidos na pobreza; de elevação do prestígio nacional nos mais altos foros.
Paro aqui porque infinita é a ladainha falsa e ufanista. Dos 40 milhões de felizardos, por satisfeito dar-me-ia se me trouxessem três, não falo de milhões, mas de viventes salvos. A decantada democratização do ensino não nos tirou do lugar de lanterna em listas restritas de países e próximos do fim em listas ampliadas, à frente apenas de nações flageladas. As moradias construídas em plano que não fugiu ao superfaturament
o e ao saque, a par de clamor dos contemplados pelas péssimas condições dos imóveis, caíram em mãos de gangues de bandidos a transformar em inferno o paraíso do Minha Casa que luz na propaganda paga pelo erário público. A elevação do Brasil no contexto mundial pode ser avaliada pelo gelo que nos dispensam as grandes democracias do mundo e o entusiasmado calor que nos brindam notórias ditaduras.

OBVIEDADES NECESSÁRIAS

Causa graça quando altas patentes sobem no pedestal para proclamar que não se pode prejulgar ninguém. Momentinho meu: quem não pode prejulgar é o juiz quando preside uma ação. Pretender que não possamos julgar nós outros, aqui na planície, nós, os burros de carga, os que trabalhamos meio ano para abastecer os cofres do palácio, nós que botamos o pé no barro e perigamos levar tiro e facada de bandido a todo o momento, que morremos no corredor clamando por uma aspirina, nós não podemos? Teremos que esperar, acaso, que as ações penais, dentro de dez, doze ou vinte anos, transitem em julgado? Brincadeira tem hora, senhor ministro. Deixe disso. Confundir processo judicial com processo político para proteger ladrão?

CALMA REINALDO


O ilustre esbanjador de talento Reinaldo Azevedo, até aqui um dos mais valiosos soldados na luta anticorrupção, está picado de uma mosca rara, e, pagando tributo à precipitação, tem dirigido duríssimas criticas ao juiz que conduz o processo da Lava Jato, aos agentes policiais e ao MP. Sem levar em conta os elementos de que dispõem as autoridades envolvidas no feito, visto que enquanto inquérito encontra-se ele protegido pelo sigilo, o jornalista se antecipa e fustiga as medidas tomadas pelos agentes, desatento a que tais medidas, quando passíveis de lesar direitos passam antes pelo crivo do Juiz e, em se tratando de pessoas com foro privilegiado, pela solene autorização do STJ ou do STF, conforme o caso.
Quer nos parecer, data venia, e com o respeito que merece Reinaldo, que está ele sendo vítima, ainda que pareça um paradoxo, de sua alentada inteligência. É que ao frequentar o mundo do fenômeno jurídico, o jornalista, levado pela facilidade com que apreende as coisas, empolga-se e alça voo, o que, permisa maxima venia, não é prudente.
A hermenêutica, arte de interpretar as normas jurídicas, projeta espectros distintos conforme se maneje no primeiro ou no terceiro mundo. Naquele serve de instrumento para a melhor aplicação da lei, neste de carapaça para acobertar bandidos poderosos quer sejam egressos do mundo político ou de traficâncias várias ou, ainda, da combinação entre umas e outras. Não se necessita de argúcia para perceber que nisto residem os aleijões das super bancas de advogados e dos processos sem fim que aviltam o direito.
No caso, verifica-se medida que de fato merece atenção de todos. A advogada do senhor Marcelo Odebrecht foi impedida de acompanhar o depoimento de seu cliente, sob alegação de que também ela teria que ser ouvida. É estranho? É. É legítimo seu apelo ao órgão de classe para que lhe dê a proteção devida? Claro que sim. Mas nada nos autoriza a formar um juízo antes que se dê o conflito e se saiba de que trunfos dispõe o delegado que determinou o ato.
O advogado é sagrado sempre e quando o que diz, escreve ou faz não guarde um átomo de contaminação com a ação delitiva.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

MIDIÁTICO? QUE BICHO É ESTE?


Sofre a imprensa contínua e pertinaz campanha de descrédito de parte de esquerdistas e direitistas visto que para ambos nada é mais inconveniente que a plena luz do dia. De algum destes extremos surgem os jargões depreciativos com que se pretende menoscabar a atuação dos meios de comunicação. Um deles, que tresanda cretinice por todos os poros, é o termo “mídia”, paçoca de latim, inglês e sabe-se lá que dialetos. Com ele busca-se sempre redesenhar a realidade em quadro onde o homem comum aparece acanhado, desprotegido, inerte, a necessitar a proteção do Estado pai, na visão à esquerda, ou como vilão, bandido, ou parasita, na visão à direita.
Agora, por ocasião da operação autorizada pelo STF, espetacular por sua própria natureza, queriam os senhores “antimídia” que não fosse espetaculosa. Por quê? Ao que parece para que não fossem expostos aos olhos do povo os inimagináveis, improváveis, estupefacientes
, assustadores, me ajudem com outros adjetivos, tesouros dos senadores, havidos de forma nada, nada mesmo, nadíssima honrosa.

DE NÃO SE ACREDITAR


O blog do respeitado jornalista e repórter Gerson Camarotti traz a informação de haver Lula sugerido a Dilma que procurasse agenda fora de Brasília em viagens pelo país e interlocução com os movimentos sociais. Estará o ex-presidente em avançado estado de demência? Ou, quem sabe, a pilheriar em que pese o inoportuno do momento?
A mísera não tem condições de se expor nem pelas ondas, eis que mal começa a falar por cadeia nacional e explode o matraqueio das panelas e o tremeluzir de lâmpadas quanto mais pôr o couro à prova em interlocuções como quer seu desorientado ou risonho mestre. E olhe que, como dizem os hermanos, “no estamos para risas”.
Precisou que chegássemos aonde chegamos para o que, visível para poucos, se escancarasse para muitos: a patética insignificância
de Luís Inácio.

O OLHO DA GATEADA


As diligências da PF que vasculharam residência e gabinetes dos senadores Collor e Ciro Nogueira foram autorizadas pelo insuspeitíssimo ministro Teori Zavascki. Suspeição houvesse seria de parte de quem se opõe ao grande conchavo governista de que fazem parte os supracitados senadores.
Não há, por certo, quem não se lembre do rigor "garantista" com que se conduziu Teori no julgamento do mensalão. Como entender então o clamor de Collor que vê violência, agressão a direitos e outros fantasmas na operação policial? Espantados estamos nós com sua portentosa frota de carrões.
O que se vê claramente é que não há "garantismos" que possam valer a meliantes ilustres, mesmo quando tradições são pisoteadas de parte de quem não se esperava como é o caso da gloriosa OAB
.

CUIDADO MICHEL


Afora o golpe mortal que pode sofrer no TSE que, pela impugnação da chapa Dilma-Temer, determinaria a perda de mandato de ambos, enfrenta a presidente da república, agora de forma isolada, o risco de vir a sofrer rejeição de suas contas pelo TCU e ter de enfrentar no Congresso um processo de impeachment. Claro está que esta segunda hipótese é sumamente risonha ao insinuante e sinuoso, para não dizer resvaloso, vice-presidente, visto que pode agraciá-lo com a presidência.
Temer está abusando da hipocrisia. Proclama que não vê motivos nem conveniência, sequer viabilidade, de vir a ocorrer o impeachment, no que não acredita nem Chapeuzinho Vermelho. Dilma finge acreditar porque tão mísera é sua situação que essa mentira lhe resulta melhor do que a verdade.
Temer envelheceu na escola do jeitinho. Mestre consumado na arte do fisiologismo sonha em recompor a velha política do compadrio, das composições de conveniência, da distribuição de cargos em troca de poder, enfim, do mais escancarado sarneysismo. Imagina que bastará substituir as torpezas de Dilma por sua refinada habilidade para que volte a primavera. Mas, como no verso do grande Drummond está “chegando muito tarde a um mundo muito velho”. Coisa bem diversa precisa, quer e exigirá a nação. Cuidado Michel, se não mudares de conversa teu nome passará para a história como aquele que associou o partido de Ulisses aos últimos dias de um império de ladrões.

CAMINHO SEM VOLTA

O direito é indiscutivelmente um sistema de natureza formal. Mas não se diga que, embora essencial a sua natureza, o formalismo esgote sua razão de ser e lhe demarque de forma fatal o campo de ação. A ética, a moral (não confundir com moralismo) há de ser seu escopo supremo, razão de existir. O formalismo, perseguido até o limite, como meio de garantir eficácia à perseguição do justo e do bem, não pode servir de escudo para afrontar a evidência, e, de forma trágica, escarnecer dos ofendidos e propiciar o deboche da impunidade a favor de notórios delinquentes.
A nação já soube demonstrar de forma explícita, e a mais eloquente ao seu alcance, ganhando as ruas, cara, coração e voz ao vento, quando não batendo panelas, que não aceita mais ser pilhada por larápios. A Operação Lava Jato, tanto no inquisitorial como no judicial, recolheu mais do que a contento, com louvor diria, o clamor do povo. Tudo vai muito bem, aliás, em harmoniosa continuidade com a épica Ação Penal 470.
Não nos distraiamos. Há nos códigos um capítulo onde se vai achar caminho para a suprema justiça bem como para a mais iníqua injustiça. É o que trata das nulidades. Invocar tecnicalidades para anular o ciclópico esforço da operação que se converteu na esperança de redenção será um golpe de morte na democracia e o sinal de que foi devolvido ao povo o direito de achar seu caminho.

CAMINHO SEM VOLTA


O direito é indiscutivelmente um sistema de natureza formal. Mas não se diga que, embora essencial a sua natureza, o formalismo esgote sua razão de ser e lhe demarque de forma fatal o campo de ação. A ética, a moral (não confundir com moralismo) há de ser seu escopo supremo, razão de existir. O formalismo, perseguido até o limite, como meio de garantir eficácia à perseguição do justo e do bem, não pode servir de escudo para afrontar a evidência, e, de forma trágica, escarnecer dos ofendidos e propiciar o deboche da impunidade a favor de notórios delinquentes.
A nação já soube demonstrar de forma explícita, e a mais eloquente ao seu alcance, ganhando as ruas, cara, coração e voz ao vento, quando não batendo panelas, que não aceita mais ser pilhada por larápios. A Operação Lava Jato, tanto no inquisitorial como no judicial, recolheu mais do que a contento, com louvor diria, o clamor do povo. Tudo vai muito bem, aliás, em harmoniosa continuidade com a épica Ação Penal 470.
Não nos distraiamos. Há nos códigos um capítulo onde se vai achar caminho para a suprema justiça bem como para a mais iníqua injustiça. É o que trata das nulidades. Invocar tecnicalidades para anular o ciclópico esforço da operação que se converteu na esperança de redenção será um golpe de morte na democracia e o sinal de que foi devolvido ao povo o direito de achar seu caminho.

CAMINHO SEM VOLTA


O direito é indiscutivelmente um sistema de natureza formal. Mas não se diga que, embora essencial a sua natureza, o formalismo esgote sua razão de ser e lhe demarque de forma fatal o campo de ação. A ética, a moral (não confundir com moralismo) há de ser seu escopo supremo, razão de existir. O formalismo, perseguido até o limite, como meio de garantir eficácia à perseguição do justo e do bem, não pode servir de escudo para afrontar a evidência, e, de forma trágica, escarnecer dos ofendidos e propiciar o deboche da impunidade a favor de notórios delinquentes.
A nação já soube demonstrar de forma explícita, e a mais eloquente ao seu alcance, ganhando as ruas, cara, coração e voz ao vento, quando não batendo panelas, que não aceita mais ser pilhada por larápios. A Operação Lava Jato, tanto no inquisitorial como no judicial, recolheu mais do que a contento, com louvor diria, o clamor do povo. Tudo vai muito bem, aliás, em harmoniosa continuidade com a épica Ação Penal 470.
Não nos distraiamos. Há nos códigos um capítulo onde se vai achar caminho para a suprema justiça bem como para a mais iníqua injustiça. É o que trata das nulidades. Invocar tecnicalidades para anular o ciclópico esforço da operação que se converteu na esperança de redenção será um golpe de morte na democracia e o sinal de que foi devolvido ao povo o direito de achar seu caminho.

CAMINHO SEM VOLTA


O direito é indiscutivelmente um sistema de natureza formal. Mas não se diga que, embora essencial a sua natureza, o formalismo esgote sua razão de ser e lhe demarque de forma fatal o campo de ação. A ética, a moral (não confundir com moralismo) há de ser seu escopo supremo, razão de existir. O formalismo, perseguido até o limite, como meio de garantir eficácia à perseguição do justo e do bem, não pode servir de escudo para afrontar a evidência, e, de forma trágica, escarnecer dos ofendidos e propiciar o deboche da impunidade a favor de notórios delinquentes.
A nação já soube demonstrar de forma explícita, e a mais eloquente ao seu alcance, ganhando as ruas, cara, coração e voz ao vento, quando não batendo panelas, que não aceita mais ser pilhada por larápios. A Operação Lava Jato, tanto no inquisitorial como no judicial, recolheu mais do que a contento, com louvor diria, o clamor do povo. Tudo vai muito bem, aliás, em harmoniosa continuidade com a épica Ação Penal 470.
Não nos distraiamos. Há nos códigos um capítulo onde se vai achar caminho para a suprema justiça bem como para a mais iníqua injustiça. É o que trata das nulidades. Invocar tecnicalidades para anular o ciclópico esforço da operação que se converteu na esperança de redenção será um golpe de morte na democracia e o sinal de que foi devolvido ao povo o direito de achar seu caminho.

CAMINHO SEM VOLTA


O direito é indiscutivelmente um sistema de natureza formal. Mas não se diga que, embora essencial a sua natureza, o formalismo esgote sua razão de ser e lhe demarque de forma fatal o campo de ação. A ética, a moral (não confundir com moralismo) há de ser seu escopo supremo, razão de existir. O formalismo, perseguido até o limite, como meio de garantir eficácia à perseguição do justo e do bem, não pode servir de escudo para afrontar a evidência, e, de forma trágica, escarnecer dos ofendidos e propiciar o deboche da impunidade a favor de notórios delinquentes.
A nação já soube demonstrar de forma explícita, e a mais eloquente ao seu alcance, ganhando as ruas, cara, coração e voz ao vento, quando não batendo panelas, que não aceita mais ser pilhada por larápios. A Operação Lava Jato, tanto no inquisitorial como no judicial, recolheu mais do que a contento, com louvor diria, o clamor do povo. Tudo vai muito bem, aliás, em harmoniosa continuidade com a épica Ação Penal 470.
Não nos distraiamos. Há nos códigos um capítulo onde se vai achar caminho para a suprema justiça bem como para a mais iníqua injustiça. É o que trata das nulidades. Invocar tecnicalidades para anular o ciclópico esforço da operação que se converteu na esperança de redenção será um golpe de morte na democracia e o sinal de que foi devolvido ao povo o direito de achar seu caminho.

SE


Se eu fosse marqueteiro (que Deus me livre e guarde) recomendaria ao político que estivesse assessorando que, imediatamente, parasse com o sorriso cretino que candidatos ou eleitos abrem a propósito de tudo e de nada. Riem de quê, Santo Deus? Esse riso boçal, triunfalista, vitorioso, que esbanjam a solo e a coro, se algo pode render será em tempo de vacas gordas e, olha, muito gordas, empurrando o matambre.
Nestes dias bicudos, em que os meses se espicham e se encolhem os ganhos, recomendaria que, parafraseando Nelson Cavaquinho, tirassem o sorriso do caminho para que o povo sofredor pudesse passar com sua dor.

DESTE, PARECENDO SER DE OUTRO MUNDO

Quando paguei minha inscrição para o vestibular à faculdade de direito fui informado de que juiz não podia se manifestar sobre causas que pudessem vir a ser objeto de seu julgamento, nem imiscuir-se socialmente com pessoas que estivessem na iminência de se tornarem réus de causas passíveis de por ele serem julgadas.
Dois: um por boquirroto, outro por suspeito, acabam de se enquadrar no prólogo acima. Marco Aurélio Mello, brilhantíssimo jurista e, a meu ver, sumamente honrado, contraiu a doença de se sentir bem em minoria. Disto é confesso, como se poderá verificar compulsando os anais do Supremo onde chegou a confessar esse gosto. Não raro é seu o único voto discordante em acórdãos da Corte.
Eis que agora lhe surge a oportunidade de se manifestar não contra um voto de maioria, senão que contra a opinião de noventa por cento do povo na questão da maioridade penal. Não resistiu. Se o que aprendi no vestíbulo de meu curso valer, Marco Aurélio não poderá votar na matéria se, por sorteio, lhe couber julgar.
O outro caso é sinistro. Lewandowiski, sobre quem recaem espessas suspeitas de comprometimento
com o Palácio, reúne-se, em Coimbra, com Dilma e seu ministro da justiça Eduardo Cardoso. Encontro casual, dizem. Aqui há duas verdades que se anulam. Uma nos diz que nada nos autoriza a afirmar que mentem. Outra que nada nos abriga a acreditar no que dizem. O assunto alegado seria o aumento dos funcionários do Judiciário, coisa pelo que se bate indevidamente o ministro. Pelo que imagino não lhe caberia envolver-se em questões corporativas.
Isto, porém, não é o xis da questão. Há um cheiro de Lava jato a empestar o ar vindo da doce Coimbra. Conforta saber que a esta altura não é para o cacife desse trio, Ricardo, Dilma e Eduardo reverter o processo de limpeza que varre o Brasil.

sábado, 11 de julho de 2015

DA FOICE E DO MARTELO


Da reação de Francisco nada tenho a dizer. Acho que da altura que lhe conferem bilhões de crentes esparramados pelo mundo não pegaria bem a brusquidão de uma recusa. Ademais, segundo li, o confuso criador do troféu, ou emblema, é um prestigiado padre católico. Do lado do senhor Evo Morales é que a coisa pega. Esse senhor que para conservar seu poder não só flerta, como já noivou e tem casamento marcado com traficantes e ladrões de automóveis, se faz de louco e finge ignorar que Karl Marx, o inspirador do emblema, de forma honrada, ainda que discutível, tachou a religião de “ópio do povo”.
Evo integra uma festiva e alucinada comunidade para a qual tudo vale desde que concorra para que lhes seja garantida a permanência no poder. Quem disso discorda é inimigo do povo. Quem com isso concorda tanto faz que se abrace com a Pacha Mama ou com satanás.

quinta-feira, 9 de julho de 2015

TEXTO DE UM TEXTO


Do que escrevi ontem “O que exige o momento” extraio uma ideia que em dilmês melhorado seria isto: os políticos são o que são, não apenas pelo que são, mas pelo que as circunstâncias lhes permitem ser. Todo este circunlóquio se opõe ao que dizem alguns sobre a imprestabilidade de nossos homens públicos. Tal forma de ver, a da imprestabilidade, decorre da desconsideração do quadro em que se movem os agentes, entendido por quadro o conjunto quase inabarcável de variáveis que incidem no comércio da vida, onde se desenrola o fazer político.
Com base na premissa acima afirmamos que uma coisa é um corrupto no reino da impunidade e, outra, no país do juiz Sérgio Moro. Uma coisa é um Sarney no país do Lula, outra na terra da Ângela Merkel. Por isso, vemos como inadequada a ideia que propugna pela renovação completa dos políticos como condição para sairmos do buraco. Essa tese peca por escolher uma via meramente artesanal na construção da nova realidade. Ela desconhece a força popular, a elevação do nível de consciência das pessoas que advém não só do maior acesso à informação como da experiência viva, do sofrimento imposto pela inépcia e voracidade dos governantes.
É do nível de participação e cobrança do povo que se forma o espectro da gestão da coisa pública. Em contrário, esperar a solução pela renovação dos quadros políticos demandaria séculos, que vem a ser outra forma de dizer impossível. O progresso político imporá a renovação e não o contrário. Entender que a renovação trará o progresso é uma abstração que desconsidera a práxis política, como se a modificação fosse mera questão de vontade e não uma resultante de uma gama complexa de fatores. O tema não se esgota aqui e possivelmente o retomemos.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

O QUE EXIGE O MOMENTO


Apelar para a intervenção das Forças Armadas, ou exaltar o regime de exceção implantado em 64, é a mais doce melodia, o mais suave acalanto para os ouvidos do lulopetismo. Quem comete esse desatino age como quinta coluna do governo, eis que essa é precisamente a única bandeira que desfralda o PT. O governo tenta confundir o clamor das multidões pelo fim da administração corrupta com os golpes de estado do tempo da guerra fria.
A comparação do momento presente com momentos passados, embora não se descarte como método de análise e estudo, jamais pode conduzir ao absurdo de que se justaponham os momentos, e se tome por presente o momento passado. Tampouco se podem avaliar uniformemente movimentos de uma mesma natureza em cenários diversos. Uma coisa é o bolivarianismo na Venezuela, outra no Equador, e, muito outra no Brasil.
Tão perigoso como subestimar o espírito do Foro de São Paulo é superestimá-lo.
No campo de operações o que se tem visto é que a estratégia traçada no Foro fracassa a olhos vistos. Seu avanço mais significativo deu-se na Venezuela e, dure ali o tempo que durar, é absolutamente certo que não sobreviverá.
Em nosso país afora a demagogia debochada com que enganaram o povo, queimando o erário público, nada puderam fazer que comprometesse os fundamentos da democracia. Corrupção e fisiologismo deram-lhes essa longevidade que tantos males nos trouxeram. Mas é inadequado dizer que a imprensa foi por eles cooptada; mais do que inadequado é falso; mais do que falso é injurioso. Aí estão os editoriais do Estado de São Paulo e Da folha de São Paulo; as revistas Veja e Época a influenciarem praticamente todos os veículos congêneres numa clara e vigorosa denúncia dos descalabros do governo.
Não menos danosa para a luta que trava a nação contra o atraso é semear a ideia de beco sem saída, um pessimismo alienado que tem como lastro a descrença total e indiscriminada nos políticos. Sugere-se que a remoção do lulismo acarretará a subida de outros que em nada diferem dos removidos. Tal enfoque não leva em consideração a dinâmica social, o conjunto de forças que avançam e condicionam o fazer político. É um pensamento fatalista e reacionário que só serve para atrasar a luta e desarmar os espíritos.

terça-feira, 7 de julho de 2015

PAPO FURADO


Esse papo de golpe só pode impressionar trouxas, e trouxas andam escassos. Dilma cairá dentro da mais estrita legalidade: ou pela renúncia, ou pela impugnação da chapa Dilma-Temer, via TSE, ou pelo impeachment. Golpe? Xadisso.

HUMILHAÇÃO


Pouco falado, pareceu-me, o fato de estar sendo retardada a extradição de Henrique Pizzolato, condenado na ação penal 470, mensalão, por alegar a Itália não possuir o Brasil prisões adequadas à custódia de seres humanos. A contundente veracidade do alegado torna irrelevante outros motivos a explicar a recusa ou retardo da extradição como fosse um revide de Roma ao vergonhoso acoitamento dado por Lula, com as artes de Tarso Genro, ao bandido italiano Cesare Batistti, condenado à prisão perpétua pela prática de quatro homicídios. De ser isto verdade somam-se desgraças: a de nossas prisões serem desumanas e a de ser nosso país refúgio de assassinos.
Doze anos faz que o PT governa. Se ruim era o estado dos presídios quando se iniciou este triste ciclo, imagine-se o estrago por tão longo tempo de total, redonda, completa, absoluta desídia. Basta olhar para os hospitais, para as escolas, onde se recebem inocentes, para imaginar o que acontece onde se prendem condenados.
Da tétrica condição de nossos presídios vez que outra se escuta e se vê na imprensa. Dos cuidados tomados pela Itália antes de extraditar Pizzolato também se deu notícia. Mas não se viu da parte de quem, em conjunto, artistas, escritores, pensadores, o que se pode chamar de alma nacional, uma clara denúncia dessa vergonha, desse supremo rebaixamento que é, nos dias de hoje, estar o Brasil na condição de republiqueta que condena seus presos ao inferno. Na pessoa de Pizzolato o sinistro binômio da era petista: corrupção e abandono.

O SINAL


Se há coisa que muito me custou aprender ao longo dos tropeços da vida é a importância do sinal que se transmite ao povo no discurso político. Refiro-me à essência, ao punctum dolens de que falavam os romanos, àquilo que diz que rumo será seguido, que responde à pergunta para onde iremos. Exemplo: quando os “pacifistas” liderados por Chamberlain desenvolviam frondosas oratórias, recheadas de lógica, a apontar os benefícios que adviriam ao povo inglês de uma política de amansamento de Hitler, Churchill, gênio, ainda que muitos não o queiram, esbravejava com invejável bravura que isso, o afago ao monstro, era o caminho para o inferno.
Margareth Thatcher mandou o sinal: ou cortamos o passo a esse sindicalismo voraz, que quer se apropriar do cofre do povo em benefício exclusivo, ou não teremos com que gerir os interesses do Reino Unido.
Entre nós: Temer, ante a queda de Dilma, acena com o caminho para deixar tudo como era antes. Ora, o que era antes já não nos serve. Queremos que a queda do lulopetismo indique o fim do Estado Oligárquico, a serviço dos interesses de clãs, de grupos, de indivíduos.

sábado, 4 de julho de 2015

QUANDO A COERÊNCIA É PISOTEADA


Quando os inimigos da redução da menoridade penal afirmam que a medida não resolverá o problema, estão a fazer a mais desamparada afirmação de quantas afirmações desamparadas se tem notícia. O problema, no caso a violência das ruas, está afeto à segurança pública que, juntamente com a saúde e a educação, precariamente atendidos desde sempre, foi levado pelas administrações petistas a uma situação de colapso. Resolver portanto este tripé de reclamos implica medidas que consabidamente só poderão ser tomadas após a remoção deste governo que agoniza.
Sabe a quase totalidade dos que advogam a redução, não se prender a medida à superação da cruel situação de vulnerabilidade em que se encontra o povo. Prende-se ela, isto sim, ao enfrentamento de uma excludente penal que, mais do que antijurídica, é imoral, mais do que imoral é afrontosa, mais do que afrontosa é indecente. Homens no pleno uso da razão cometem homicídios agravados por alto grau de perversidade e são postos a salvo da lei, livrando-se assim da reprimenda que com escassos meios lhe imporia o Estado.
Longo será o caminho que nos levará a uma situação de razoável proteção da cidadania. Agilização do judiciário, sistema prisional minimamente compatível com os direitos humanos, polícia prestigiada e equipada, tudo em consonância com uma melhoria efetiva e não demagógica dos serviços sociais. Imediata porém deverá ser a remoção da infamante regra que estende a inimputabilidade a bandidos sob alegação de que são imaturos.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

DA INCAPACIDADE DE APRENDER


O ruinoso preço político pago por Dilma Rousseff e seu partido pelas mentiras e incongruências da recente campanha eleitoral, nada lhes ensinou. Tentaram mascarar o envolvimento no petrolão com a deslavada mentira de que no governo, especialmente na pessoa da presidente, a Polícia Federal havia encontrado alento e meios para perseguir “os malfeitos” como diz o cínico eufemismo palaciano.
Não bastasse a realidade para desmentir tão estupefaciente falsidade, eis que Dilma e PT se encarregam de fazê-lo, deflagrando torpe campanha contra as instituições. De sedizentes verdugos da corrupção, dizem-se agora vítimas de uma trama conspiratória localizada na Polícia, no MP e no judiciário. Duvida alguém que serão banidos da cena política?

quinta-feira, 2 de julho de 2015

AVALANCHE


A tinta não chega a secar e outros acontecimentos pedem escrita. Coisas estão acontecendo que periga a verdade. Agora a Coligação Com a Força do Povo, sigla com que concorreu Dilma Rousseff à presidência, ingressou no tribunal, TSE, pedindo que sejam proibidos Ricardo Pessoa, Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa de depor na ação que apura se houve irregularidades na campanha à reeleição da presidente. Despacho do corregedor geral da Justiça Eleitoral: “O destinatário da prova é o juiz, ele é quem sabe se precisa ou não ouvir testemunha”.
Temos o prazer de informar aos distintos leitores que toda a comunidade universitária sabia disto. Desde o senhor reitor, todos os professores, a totalidade dos alunos, os bedéis, zeladores, o eletricista que veio arrumar a luz, enfim todo mundo sabia. Em que escola, Santo Deus, estudaram os luminares que assessoram o governo?

quarta-feira, 1 de julho de 2015

DA FALSA LIDERANÇA


A alucinação dos ideólogos do PT adjudicou a Lula condição de líder nato. Ele conduziria as classes oprimidas ao mundo luminoso da igualdade, sonho da velha esquerda que junto com o muro de Berlim viera abaixo. Devedora de tantos e atrozes erros, justiça lhe seja feita, a ortodoxia do velho comunismo esse não teria cometido. No velho partidão, Lula, por mais méritos e medalhas que obtivesse, não ganharia a direção antes de cursar o “Mobral” do leninismo, o estágio médio, e por fim os altos estudos da doutrina. Sem isso, jamais passaria de um destacado militante, dirigente talvez de unidades menores.
Como tudo que este rigor doutrinário produziu transformou-se em cinza, a nova esquerda que emergiu dos destroços jogou a um canto o lado “científico” da utopia, e dando livre curso às lucubrações pequeno-burguesas, passou a adotar um ecumenismo à la diable onde tudo passou a ser valorizado, desde que cabível no marco visionário de distribuir benesses sem se preocupar com os recursos. Deu no que deu.
Em semelhante quadro de debilidade permissiva, encontrou a inata vocação de Lula para a demagogia populista excelente meio de cultura para se desenvolver da forma surpreendente que ocorreu. Durou muito na dimensão de nossas vidas, mas não passou de um sopro na de nossa história.

QUANDO O INCONCEBÍVEL SENTA À MESA


Acostumamo-nos nestes anos de lulopetismo a toda sorte de exotismos, assombrações, bichos sem ou com muitas cabeças, enfim, pareceria que nada mais houvesse capaz de nos fazer cair para trás. Eis que a presidente da república, em importantíssima visita aos Estados Unidos, declara-se em guerra contra as instituições nacionais. Assume-se antecipadamente ré de investigações em curso e no mais espantoso surto de bravataria compara seu próprio governo ao regime de exceção que a encarcerou e investigados de corrupção detidos, a delatores torturados pelo regime de exceção.
Não é tudo. Disse a mandatária não admitir suspeitas sobre a lisura de suas campanhas eleitorais, do que se infere achar-se Sua Excelência acima de qualquer suspeita. Ministério Público, Polícia e Judiciário, estes sim, suspeitos de estarem a serviço não das clássicas “forças estranhas” senão que de “estranhíssimas
”.
Nada mais há que se possa dizer. Pensávamos que mandiocas mães da nação e bolas antropológicas de folhas de bananeira estivessem a marcar o fim da picada. Não estavam.