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quarta-feira, 22 de julho de 2015

FEIURA


Há um toque sinistro na ostentação de riqueza provinda do crime. Um mau gosto atroz marca as correntes de ouro e os relojões dos traficantes de bermudas, e não menos, como a denotar origem comum, as mansões dos ladrões de colarinho, suas frotas reluzentes, a arrogância dos sorrisos, a bravata dos ditos.
Sobre todas essas coisas algo há de ruim, uma breguice má, um viço de flor de monturo, coisa pior, difícil de pontuar, mas que está aí, a empestar, a enojar, a despertar revolta.
A visão dialética vinda de Heráclito, com estação em Hegel e concurso em Marx e Engels, deixa-nos lição de que, por vezes, a evolução se dá por saltos. Pequenas mutações quantitativas vão se acumulando e, de repente, dá-se o salto. O que era aceito até ontem é repudiado hoje.
Bem pode ser que tenha havido um salto na apreciação do povo sobre Lula. O aplauso de ontem em vaia transmutou-se. Nada desautoriza pensar que haja nisso percepção do feio que ronda o político. Paira sobre Lula desconfiança, quase certeza, de que não só comandou a corrupção que assombra o mundo, como dela tirou proveito pessoal. Não se o vê ostentar tesouros, mas sua arrogância, seu pavoneio estulto a alardear sabedoria sem letras, sua grosseria contra adversários, o trombetear de obras que não fez, tudo isso, traz a marca maldita, o mau gosto chulo da bandidagem, o arrivismo sem vergonha dos aproveitadores.

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