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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

RENÚNCIA



Paira no ar um cheiro de renúncia. Nenhum presidente, ou general, ou chefe de bando resiste à sensação de beco. A demora na tomada da decisão suprema está na razão direta do senso de avaliação do governante. Para muitos a estupidez ou vaidade, ou estas duas coisas juntas fazem tardar a percepção de que chegou a hora de sair. Nas ditaduras pior. Os tiranos resistem, sacando do arsenal de arbítrios medidas cruéis de persuasão, homicídio e tortura, para adiar o momento que sempre chegará.
A Petrobras é grande. Tão grande que pode, por seu corpo físico e por sua legenda, mais do que representar a nação consubstanciar-se nela, ser ela, por outras palavras, a Petrobras é o Brasil. E é isto, este território de afirmação e de esperança que foi profanado por um reles grupo de delinquentes, societas sceleris, quadrilha que reserva parte do botim para manter-se no poder e divide o resto para desfrute de cada bandido.
É o fundo do poço. Tem-se como certo que o mal se alastra para outros entes; Eletrobrás, BNDES, obras do PAC. A presidente quer figuras respeitáveis nos postos de comando. Mas só para que posem para a foto. Se decidirem atuar, e começarão por dizer a verdade, desnudando o rei, ela entra em crise e profliga contra o séquito servil de ministros coléricas reprimendas.
É o que ocorre no momento. O Conselho da Petrobras, sem alternativa, ensaiou revelar alguns dados que apontam para a realidade. A tempestade desabou. Chilique. Há um cheiro de renúncia no ar.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

POLÍTICA E DIVÃ




Tal como fogo fátuo, que deslumbra mas não aquece, surgiu o Partido dos Trabalhadores, formado por fragmentos da explosão da utopia comunista de que foram mostras mais dramáticas a extinção da União Soviética e a destruição do muro de Berlim. Jovem, belo, o PT via aumentar seu poder sedutor pelo sentimento de total orfandade em que se encontrava a rapaziada, ainda em plena embriagues do festival de consignas e palavras de ordem que por mais de um século embruteceu corações e mentes.
Um jovem viril, barbudo e animoso, forjado nas lutas sindicais, que veio a se saber não passavam de pantomimas, preenchia a perfeição o papel de líder, tão necessário a essas trágicas encenações: Lula.
Pouco importava que esse Lenin crioulo, adaptado a estas bizarras plagas, mal soubesse ler. O partido nascente era rico, riquíssimo, em letrados canônicos e seculares, titulados e autodidatas. Deu no que deu.
O animoso líder, seguindo trágica sina, que nosso folclore consagrou nas figuras de Pedro Malasarte e Macunaíma, iniciou o partido nas artes do rapeluz, do truque, da trampa, do “primeiro o meu”, da maracutaia, do “vai que é mole”, enfim, de tudo isso que mais que qualquer descrição, todos nós palpamos, cheiramos e, o que é pior, somos forçados a engolir.
Mas como se costuma dizer não há mal que sempre dure. A festa acabou. O animado convescote tinha a impunidade como pressuposto, mas a algema está comendo. Isso explica o toque sonambúlico do discurso atual de Lula. Quer a volta do PT adolescente que ajudou a criar, banindo da narrativa toda a sordidez que lhe ensinou a praticar.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

DE QUEM DEVEMOS ROUBAR?

Dos pobres, naturalmente. Eles não têm cercas, nem cachorros loucos, nem serviços de segurança. Já para assaltar bancos, carretas nas estradas, grandes mansões, necessita-se de muito capital e tecnologia; coisa que não está ao alcance de qualquer um.
Nada pode existir mais cínico e criminoso do que a arenga esquerdista de que o fortalecimento da repressão aos bandidos é uma política voltada à perseguição dos pobres. Trata-se de leitura estúpida, herdada dos velhos manuais bolcheviques, segundo a qual o Estado é um ente de classe. A serviço dos ricos, no capitalismo, dos pobres no paraíso socialista. Trata-se de vulgaridade leninista que se já era tola, pelo simplismo esquemático, em 1917, imagine-se agora, em 2014. Agora que a memória dos paraísos está exposta à visitação pública, e, se visitada, recomenda-se não levar crianças.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A FALA DO MINISTRO



Embora o momento não esteja para gracejos ocorre-me perguntar: Levy, Levy que fazes aí? Aos poucos vai se tingindo de ridículo a figura senhorial do ministro, qualquer coisa como alguém dotado de poder e recursos que chega de fora para dar uma mão, um tio, tiozão chamado para pôr ordem no negócio que a sobrinhada endiabrada está pondo a pique.
Ao que tudo indica, e indica em negrito, a soma de riquezas a ser produzida no ano que começa sofrerá quebra de avassalador impacto. Ficasse em zero e já estaríamos enfrentando o caos. Há poderosos indícios de que chegue à recessão. Em face disso, a diminuição da arrecadação produzirá déficit de tal monta que os vinte bilhões que o ministro pretende arrancar por via impositiva, agravando o que já é gravíssimo, não passarão de trocados, caraminguás, merrecas.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

DESPREPARO




A execução de um brasileiro na Indonésia, condenado à pena de morte, põe a nu mais uma vez o total despreparo da senhora presidente para haver-se com as coisas de estado. Interceder em favor do apenado foi a parte certa do envolvimento presidencial. Afinal, por não termos pena de morte, plausível o pedido de que a punição fosse abrandada para tempo de reclusão. Afora a natural solidariedade a um nacional a que está legitimado um presidente, eis que nenhuma voz acima da sua poderia ser de maior valia em tão dramática circunstância.
O mingau desandou quando o governo indonésio negou o pedido. Tomando a negativa como revés pessoal, quase afronta, a presidente, de forma atrevida, partiu para a ameaça, aludindo a uma sombra sobre as relações entre os dois países. Sombra? Represálias? Em que campo? Cultural? Econômico? Militar quem sabe? Até crianças do jardim sabem que a estupidez palaciana fere cruelmente a mais primária noção de respeito à soberania das nações.