É na literatura de
terror que a oposição criatura/criador ganha seu maior poder de contraste e não
para trazer algum toque nobilitante a qualquer dos polos. Frankenstein e criatura
sempre são invocados para configurar relação constrangedora. Por isso causou
grande surpresa a proclamação de Lula de que era o criador de Dilma e
surpreendente por igual haver ela exaltado o privilégio de ter sido criada por
tão bizarro demiurgo, quando, ao menos, poderia ter se valido do silêncio. As
falas ocorreram na recente convenção do PT, sábado 21.
Natural entre crentes
das diversas seitas a aceitação da relação criador/criatura. Afinal, quando se
crê em Deus todo o temor reverencial é pouco. No mais, quando alguém,
pretendendo homenagear pessoa a quem muito deve lhe atribui papel de criador,
geralmente, ainda que de forma insincera, ouve veemente recusa. O normal é
aquele que muito fez pelo discípulo minimizar seu papel e atribuir a quem ajudou
todo o mérito do sucesso. Assombra, pelo quanto tem de jactância por parte de
lula, e o quanto de sabujice e submissão por parte de Dilma, a cena que
protagonizaram, trombeteando tão desprezível relação.