Pesquise aqui

quinta-feira, 16 de julho de 2015

DESTE, PARECENDO SER DE OUTRO MUNDO

Quando paguei minha inscrição para o vestibular à faculdade de direito fui informado de que juiz não podia se manifestar sobre causas que pudessem vir a ser objeto de seu julgamento, nem imiscuir-se socialmente com pessoas que estivessem na iminência de se tornarem réus de causas passíveis de por ele serem julgadas.
Dois: um por boquirroto, outro por suspeito, acabam de se enquadrar no prólogo acima. Marco Aurélio Mello, brilhantíssimo jurista e, a meu ver, sumamente honrado, contraiu a doença de se sentir bem em minoria. Disto é confesso, como se poderá verificar compulsando os anais do Supremo onde chegou a confessar esse gosto. Não raro é seu o único voto discordante em acórdãos da Corte.
Eis que agora lhe surge a oportunidade de se manifestar não contra um voto de maioria, senão que contra a opinião de noventa por cento do povo na questão da maioridade penal. Não resistiu. Se o que aprendi no vestíbulo de meu curso valer, Marco Aurélio não poderá votar na matéria se, por sorteio, lhe couber julgar.
O outro caso é sinistro. Lewandowiski, sobre quem recaem espessas suspeitas de comprometimento
com o Palácio, reúne-se, em Coimbra, com Dilma e seu ministro da justiça Eduardo Cardoso. Encontro casual, dizem. Aqui há duas verdades que se anulam. Uma nos diz que nada nos autoriza a afirmar que mentem. Outra que nada nos abriga a acreditar no que dizem. O assunto alegado seria o aumento dos funcionários do Judiciário, coisa pelo que se bate indevidamente o ministro. Pelo que imagino não lhe caberia envolver-se em questões corporativas.
Isto, porém, não é o xis da questão. Há um cheiro de Lava jato a empestar o ar vindo da doce Coimbra. Conforta saber que a esta altura não é para o cacife desse trio, Ricardo, Dilma e Eduardo reverter o processo de limpeza que varre o Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário