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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

QUANDO O VAZIO VISITA O NADA


Nas horas que precedem a capitulação nada além do silêncio faz sentido. Que foram fazer governadores em Brasília? Que lhes tinha a dizer a anfitriã? A inflação dispara, demissões pipocam, o povo protesta. Pela primeira vez desde 1997 as contas fecham em vermelho.
Não vê quem não quer que o quadro agrava-se ao extremo. Se para tomar medidas necessárias ao conserto do que ocasionaram 12 anos de insanidade, inocentes sofreriam alto desgaste, que se dirá de culpados? Estes não podem sequer assumir essa empreitada. Como pode pedir paciência e sacrifício quem causou a ruína?
A presidente diz frases sem sentido, expondo à chacota a própria presidência. Não nos iludamos com o humor reinante. Ele não esconde a indignação nem a mitiga, antes a reforça.
Com nitidez chocante vê-se o desprezo que as lideranças populistas nutrem pelo povo. Creem com convicção fanática que sempre haverá um expediente para mistificar os cidadãos, falso sempre, danoso, solerte, mau. Mensalão, petrolão, eletrolão. Rios de dinheiro gastos na mentira impressa, irradiada, televisada, a apregoar virtudes de planos e de obras de minguado proveito em relação ao rombo criminoso que abrem nos cofres da nação.
Agora essa pantomima sem graça, sem rumo, sem feição. Um fiasco a mais para o Palácio, o que já não surpreende, e sério deslustre para os governadores que, notadamente os da oposição e independentes, não se atreveram a recusar o convite, vazio de sentido.
O governo usou os governadores para a falida manobra de pressionar as bancadas estaduais a aprovar o ajuste fiscal, mas, mais que tudo, para barrar eventual impeachment derivado da rejeição das contas de 2014 pelo TCU.
Sobrará uma foto e uma pergunta: que proveito pensa tirar o marketing palaciano? A foto com a confraria de ocasião a sorrir, a aplaudir, em tão sombria hora. O que aplaudem? De que acham graça?

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