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quarta-feira, 8 de julho de 2015

O QUE EXIGE O MOMENTO


Apelar para a intervenção das Forças Armadas, ou exaltar o regime de exceção implantado em 64, é a mais doce melodia, o mais suave acalanto para os ouvidos do lulopetismo. Quem comete esse desatino age como quinta coluna do governo, eis que essa é precisamente a única bandeira que desfralda o PT. O governo tenta confundir o clamor das multidões pelo fim da administração corrupta com os golpes de estado do tempo da guerra fria.
A comparação do momento presente com momentos passados, embora não se descarte como método de análise e estudo, jamais pode conduzir ao absurdo de que se justaponham os momentos, e se tome por presente o momento passado. Tampouco se podem avaliar uniformemente movimentos de uma mesma natureza em cenários diversos. Uma coisa é o bolivarianismo na Venezuela, outra no Equador, e, muito outra no Brasil.
Tão perigoso como subestimar o espírito do Foro de São Paulo é superestimá-lo.
No campo de operações o que se tem visto é que a estratégia traçada no Foro fracassa a olhos vistos. Seu avanço mais significativo deu-se na Venezuela e, dure ali o tempo que durar, é absolutamente certo que não sobreviverá.
Em nosso país afora a demagogia debochada com que enganaram o povo, queimando o erário público, nada puderam fazer que comprometesse os fundamentos da democracia. Corrupção e fisiologismo deram-lhes essa longevidade que tantos males nos trouxeram. Mas é inadequado dizer que a imprensa foi por eles cooptada; mais do que inadequado é falso; mais do que falso é injurioso. Aí estão os editoriais do Estado de São Paulo e Da folha de São Paulo; as revistas Veja e Época a influenciarem praticamente todos os veículos congêneres numa clara e vigorosa denúncia dos descalabros do governo.
Não menos danosa para a luta que trava a nação contra o atraso é semear a ideia de beco sem saída, um pessimismo alienado que tem como lastro a descrença total e indiscriminada nos políticos. Sugere-se que a remoção do lulismo acarretará a subida de outros que em nada diferem dos removidos. Tal enfoque não leva em consideração a dinâmica social, o conjunto de forças que avançam e condicionam o fazer político. É um pensamento fatalista e reacionário que só serve para atrasar a luta e desarmar os espíritos.

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