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segunda-feira, 11 de maio de 2015

O BONÉ


Há algo muito errado em tudo isso. Uma coisa é uma ação penal, outra, de natureza similar, mas diversa, é um julgamento político. Buscam-se provas para incriminar a cúpula do governo nas penas previstas no ordenamento para os crimes de responsabilidade imputáveis aos governantes. Já no que diz respeito ao sentimento popular, vige em sua plenitude a construção lógica de Aristóteles, conhecida como redução ao absurdo: se a causa de determinada coisa não for esta, esta coisa não terá causa. Se Lula, Dilma e outros jerarcas que os cercavam, não são responsáveis pelo mensalão e pelo petrolão, impõe-se o absurdo: estes mega escândalos não têm causa.
É por esse motivo, e não por outro, que nas democracias avançadas o governante que perde o respaldo popular pede o boné e se manda. É concebível alguém governar um país quando já não pode assomar à rua sem que um panelaço lhe desabe sobre a cabeça?

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