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domingo, 21 de junho de 2015

SOBRE UMA MÁ LEITURA


Ponho de lado os ataques e piadas de mau gosto do lulopetismo moribundo sobre a delegação de senadores que foi à Venezuela tentar se avistar com os presos políticos. Perplexidade e uma ponta de tristeza causam-me os ataques, à delegação, de pessoas que reconhecidamente se opõem ao atual governo.
A criminosa cobertura oferecida pelo Itamaraty às ditaduras bolivarianas é visivelmente subestimada pelos que se manifestam contra a delegação. Nem mesmo parece preocupá-los o financiamento de obras superfaturadas de empresas brasileiras naqueles países, a que se deve agregar no caso da Venezuela o financiamento pelo Banco do Brasil às exportações brasileiras. Como as garantias a tais financiamentos são prestadas pelo governo venezuelano, as chances de receber o pagamento praticamente não existem.
Afora isto há visível coligação entre o Brasil e as repúblicas chavistas colimando o fortalecimento recíproco como escancarado no Forum Social de S Paulo. A formação deste sinistro eixo outra coisa não fez que isolar o Brasil no plano global, inibindo a celebração de contratos bilaterais com economias avançadas de vital importância para nosso progresso.
Estas razões, relevantes que sejam, empalidecem se cotejadas com o dever de todo o ser humano de solidarizar-se com seu semelhante agredido em qualquer parte do globo. O povo venezuelano, com quem temos fronteira, está sendo martirizado. Atrás da perda de liberdade, bem supremo, perde a cada dia condições mínimas de subsistência. Suas mais expressivas lideranças políticas estão encarceradas. Milícias armadas pelo chavismo reprimem com violência manifestações de protesto.
Em tão veemente quadro decidiu o senado brasileiro, por decisão da Comissão de Relações Exteriores, homologada pela presidência da casa, enviar a Caracas uma comissão de senadores que pudesse entrevistar-se com os presos políticos, levando-lhes assim, e a suas famílias, solidariedade e alento.
Todas as formalidades foram cumpridas. O Itamarati tomou as medidas requeridas. Avião da FAB foi disponibilizado. Perfidamente o governo Maduro nada opôs no plano diplomático. Hordas movidas a petróleo e suor do povo infeliz da Venezuela foram mobilizadas para o deprimente espetáculo que todos viram no aeroporto de Caracas.
Fracasso? Fiasco? Longe disso. Êxito total é o que se observa. O governo foi posto perante situação irremediavelmente perdedora. Ou condena de forma inequívoca a selvageria de Maduro, ou, negando-se a fazê-lo, gasta preciosos tostões de seu esquálido capital político. Insustentável, de outra parte, tornou-se a situação da Venezuela no MERCOSUL, eis que pelo Protocolo de Ushuaia é condição essencial aos membros o respeito às regras do pleno Estado de Direito.

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