Minha admiração pelo humorista só não é
maior do que meu desprezo por tudo o que pensa e escreve quando de
política se trata. Seu afã de pairar acima das opiniões correntes, como
alguém que fosse blindado contra elas, “todas vãs, todas mudaves” como
diria Sá de Miranda, leva-o a construir raciocínios tão frondosos quanto
ocos.
É o caso do artigo “Meios e fins” ZH, 22,4 em que o autor
se pergunta se as maravilhas da Cuba socialista compensariam os horrores
da cuba totalitária. Causa espanto antes de nada que ele acredite nas
maravilhas e não menor espanto o questionar-se sobre se as benesses,
reais que fossem, compensariam a tirania.
Pior, muito pior, a
passagem em que voltando ao tema, Veríssimo se indaga a respeito de
haver o fastígio da China atual compensado os flagelos que o genocida
Mao infligiu ao povo. Onde, clamo aos céus, onde, terá encontrado o
escritor elo entre uma coisa e outra?
Confesso que me bafeja a esperança de que o grande humorista esteja apenas a pilheriar como se dizia antigamente.
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