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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

SINDICATO DE LADRÕES


Quando Elia Kazan dirigiu este filme no começo dos anos cinquenta que denunciava a influência da máfia no sindicato portuário americano, a esquerda burra (incluído este servidor) pichou o excelente drama (Marlon Brando e Karl Malden no elenco) sob fundamento de que se destinava a desmoralizar a classe operária.
Nisto residia uma das gritantes dubiedades amorais do marxismo. Na doutrina eram os sindicatos criticados por serem instrumentos da burguesia para frear a luta por seu caráter corporativo em detrimento do escopo supremo: a destruição do Estado burguês. Na tática, nos panfletos, nas palavras de ordem, endeusados como correias de transmissão entre o partido e as massas.
A verdade é que o sindicato, como qualquer instituição, só funciona em padrão aceitável nas democracias consolidadas. Nas mambembes, sofre ele em grau intolerável, ora a pressão patronal, apelegando-se, ora a do governo populista, apelegando-se em dobro. Entre nós é tangível a contribuição que deram as associações de classe e os movimentos populares para o erguimento da fantasmagoria lulopetista.
Agora se dá algo completamente novo. A tecnologia da comunicação está ensejando a formação de movimentos que possuem pautas mínimas e pontuais, com alto apelo mobilizador, de modo a dispensar pesadas estruturas e lideranças. O governo acossado pelo temporal que se avizinha, chamou as esclerosadas lideranças sindicais ligadas ao transporte para “equacionar” o pleito dos caminhoneiros. Os líderes formais, em diálogo com a formalidade ambulante e obsoleta do ministro Rosseto deram pelo congelamento por seis meses do preço do diesel como prato principal a ser oferecido. Ivar Schmidt líder do movimento comentou: “devem estar mal da cabeça. Querem que continuemos no prejuízo por mais seis meses”. Outro item do acordo é risível: carência de prestações para quem adquiriu caminhões novos. E para quem não?
Até as nuvens erradias sabem que a intenção de arrancar o couro dos pobres para preservar o gigantismo e a roubalheira da máquina de poder é além de inexequível, criminoso.


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