O homem comum, um de nós, o bonus pater familias no
jargão civilista, tipo médio padrão que se toma para instituir a norma jurídica,
propende para a democracia. Vale isto para todas as camadas sociais. Pobres,
ricos e remediados almejam tranquilidade, estabilidade, garantia de direitos, e
liberdade total, restringida tão-somente por leis que emanem de parlamentos
eleitos.
Daí que partidos ideológicos, rigidamente
programáticos, cujos militantes ostentem forma padrão de pensar e de atuar,
sofram áspera repulsa da maioria, sejam de viés esquerdista ou elitista.
Isto só se vê desmentido em situações de
calamidade generalizada. Tal como na biologia, somente quando o corpo social se
acha deprimido ao extremo desenvolvem-se nele os vírus totalitários. É o
momento em que o doutrinador, visto universalmente como um chato, encontra
ouvidos que o suportem e lhe permitam a inoculação de seus exotismos. Foi o que
se viu na Alemanha arrasada em 1918; o mesmo vale para a Rússia. É o que vê no
vasto manchão dito terceiro mundo em que décadas de ditaduras de matiz
oligárquico alternam-se com outras protagonizadas por líderes de extração
sindical, ou egressos de movimentos sociais instrumentalizados, sempre
lastreadas na miséria reinante.
No Brasil deu-se algo raro. O país saía de uma
fase dourada. Numa atmosfera de quase sonho, a nação desfrutava o alívio de
haver debelado décadas de inflação devoradora; cofres abastecidos por anos de
economia global em alta.
Crises externas como a da Argentina, México, Rússia,
bem como o desgaste de oito anos de poder, não seriam suficientes para ensejar
a ascensão de um partido como o PT cujas bandeiras – calote da dívida externa,
ruptura com o FMI, reforma agrária radical e outros delírios- eram francamente
repudiadas. Então o vírus camuflou-se. Carta aos brasileiros; Lulinha Paz e
Amor; respeito aos contratos, eis os vetores de que se serviu para penetrar.
Mas não logrou matar. A nação reage com vigor desusado. A terra treme. Poucos
haverá que creiam na sustentação do governo.
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