A ideia de que o Partido só pode ser criticado internamente, sendo, fora
dele, criminoso todo reparo que se lhe faça é herança pertinaz do bolchevismo.
Reconhecemos, desde logo, que esse viés foi dogma ao tempo de Lenin e hoje,
desgastado, é meramente um costume arraigado entre militantes desse espectro
nebuloso a que, por falta de termo mais preciso, denominamos esquerda.
Nos tempos “heroicos” qualquer cartilha marxista, autorizada pelos bolcheviques, trazia o cânone de que o “inimigo de classe” não tinha moral para criticar. Valia-se de eventuais falhas do partido operário para frear seu desenvolvimento rumo à ditadura do proletariado e seu ulterior destino: a libertação da espécie humana da abominável exploração capitalista. A sacralização da utopia, tal como ocorre com qualquer seita, torna sacrílegas desaprovação, denúncia ou resistência. Hoje, os dissimulados amantes do partido único, do centralismo democrático, do controle da imprensa já não se atrevem a proclamar que a oposição não tem legitimidade para abrir a boca, mas agem aderidos a essa heresia como moluscos numa pedra. Exemplo palmar é a atuação do PT no lamaçal da Petrobras. A grita da oposição, segundo os dirigentes, seria sórdida ainda que lastreada em fatos. Porque explora os fatos não para elucidá-los, mas para destruir a estatal de modo a favorecer sua privatização. A direção petista comete aqui dois atentados: presume a intenção dos adversários e criminaliza um ponto de vista perfeitamente admissível no jogo democrático. A investigação, segundo se atreve a proclamar o “núcleo duro”, não deve contar com a participação do parlamento nem da imprensa, vez que disso já se incumbe a autoridade, deixando entrever um ideal já inalcançável: correr a investigação estritamente dentro do governo, nós com nós, como em Cuba, como na Coréia do Norte, como na Venezuela.
Nos tempos “heroicos” qualquer cartilha marxista, autorizada pelos bolcheviques, trazia o cânone de que o “inimigo de classe” não tinha moral para criticar. Valia-se de eventuais falhas do partido operário para frear seu desenvolvimento rumo à ditadura do proletariado e seu ulterior destino: a libertação da espécie humana da abominável exploração capitalista. A sacralização da utopia, tal como ocorre com qualquer seita, torna sacrílegas desaprovação, denúncia ou resistência. Hoje, os dissimulados amantes do partido único, do centralismo democrático, do controle da imprensa já não se atrevem a proclamar que a oposição não tem legitimidade para abrir a boca, mas agem aderidos a essa heresia como moluscos numa pedra. Exemplo palmar é a atuação do PT no lamaçal da Petrobras. A grita da oposição, segundo os dirigentes, seria sórdida ainda que lastreada em fatos. Porque explora os fatos não para elucidá-los, mas para destruir a estatal de modo a favorecer sua privatização. A direção petista comete aqui dois atentados: presume a intenção dos adversários e criminaliza um ponto de vista perfeitamente admissível no jogo democrático. A investigação, segundo se atreve a proclamar o “núcleo duro”, não deve contar com a participação do parlamento nem da imprensa, vez que disso já se incumbe a autoridade, deixando entrever um ideal já inalcançável: correr a investigação estritamente dentro do governo, nós com nós, como em Cuba, como na Coréia do Norte, como na Venezuela.
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