Pesquise aqui

domingo, 3 de novembro de 2013

A DIFERENÇA




O estadista se pergunta o que é bom para o povo, o populista o que o povo quer. Exemplo: o povo quer gasolina barata. O estadista sabe disto. Ele próprio quer gasolina barata. Quem não quer? Mas sabe, como de resto qualquer pessoa sabe, que a gasolina tem que custar aquilo que custa. Haverá obviedade maior? No entanto o populista, atropelando a realidade, baixa o preço do combustível porque isto lhe renderá aplausos.
Por mais simplista que pareça esta prosa, reflete ela nossa indisfarçável e amarga situação. O governo vem sustentando preços de gasolina e diesel abaixo do custo. Isto, aliado a vasto leque de desmandos, em que se inclui corrupção, aparelhamento, gestão desastrosa, para só elencar o grosso, está levando a Petrobras à falência. Nesse quadro, o subpreço dos combustíveis funciona como acelerador da tragédia de muito, e por muitos sinais, anunciada.
Cogita-se agora de aumentar as tarifas por sistema dito de gatilho. As majorações ocorreriam a qualquer momento, acompanhando a flutuação do mercado externo. Os dias passam, a medida baila no noticiário, o ministro da fazenda torce o nariz, o aval da presidente é anunciado e, de repente, desmentido. Como em tudo o mais, instala-se a sensação de beco.
Fosse adotada neste instante, a providência chegaria tarde. Não mais teria ela, em que pese ser inadiável, o condão de reverter a catástrofe. A situação da estatal é insustentável. As promessas do pré-sal exigem generosa porção de credulidade para serem festejadas. Os mais exaltados, entre os arautos do oficialismo, dão cinco anos de espera para que aflorem os primeiros barris. A prudência manda que, ainda trilhando caminho de risonho otimismo, seja dobrado esse prazo. Serão assim dez anos de pesados encargos, de insuportáveis gastos, quando o quadro atual já se mostra aziago.
E o que será o mundo daqui a dez anos? Terão ainda os fósseis o primado da produção de energia? E ainda que tenham destaque, valerão o que requererá o investimento? E as jazidas responderão ao que delas se espera? São perguntas que ocorrem a qualquer mente e de que não pode furtar-se nenhum especialista.
A presidente-candidata precisa do congelamento para manter as pesquisas eleitorais. Não confessa isto, mas deixa permear que o combate à inflação é o principal motivo. Incrível! Admite o governo lisamente que mascara a inflação a pretexto de combatê-la. Acaso acredita alguém que medidas forçadas de contenção, ao preço da ruína da mais importante e maior empresa nacional, poderão deter a espiral?

Nenhum comentário:

Postar um comentário