O estadista se pergunta o que é bom para o povo, o populista
o que o povo quer. Exemplo: o povo quer gasolina barata. O estadista sabe
disto. Ele próprio quer gasolina barata. Quem não quer? Mas sabe, como de resto
qualquer pessoa sabe, que a gasolina tem que custar aquilo que custa. Haverá
obviedade maior? No entanto o populista, atropelando a realidade, baixa o preço
do combustível porque isto lhe renderá aplausos.
Por mais simplista que pareça esta prosa, reflete ela nossa
indisfarçável e amarga situação. O governo vem sustentando preços de gasolina e
diesel abaixo do custo. Isto, aliado a vasto leque de desmandos, em que se
inclui corrupção, aparelhamento, gestão desastrosa, para só elencar o grosso,
está levando a Petrobras à falência. Nesse quadro, o subpreço dos combustíveis
funciona como acelerador da tragédia de muito, e por muitos sinais, anunciada.
Cogita-se agora de aumentar as tarifas por sistema dito de
gatilho. As majorações ocorreriam a qualquer momento, acompanhando a flutuação
do mercado externo. Os dias passam, a medida baila no noticiário, o ministro da
fazenda torce o nariz, o aval da presidente é anunciado e, de repente,
desmentido. Como em tudo o mais, instala-se a sensação de beco.
Fosse adotada neste instante, a providência chegaria tarde.
Não mais teria ela, em que pese ser inadiável, o condão de reverter a
catástrofe. A situação da estatal é insustentável. As promessas do pré-sal
exigem generosa porção de credulidade para serem festejadas. Os mais exaltados,
entre os arautos do oficialismo, dão cinco anos de espera para que aflorem os
primeiros barris. A prudência manda que, ainda trilhando caminho de risonho
otimismo, seja dobrado esse prazo. Serão assim dez anos de pesados encargos, de
insuportáveis gastos, quando o quadro atual já se mostra aziago.
E o que será o mundo daqui a dez anos? Terão ainda os
fósseis o primado da produção de energia? E ainda que tenham destaque, valerão
o que requererá o investimento? E as jazidas responderão ao que delas se
espera? São perguntas que ocorrem a qualquer mente e de que não pode furtar-se
nenhum especialista.
A presidente-candidata precisa do congelamento para
manter as pesquisas eleitorais. Não confessa isto, mas deixa permear que o
combate à inflação é o principal motivo. Incrível! Admite o governo lisamente
que mascara a inflação a pretexto de combatê-la. Acaso acredita alguém que
medidas forçadas de contenção, ao preço da ruína da mais importante e maior empresa nacional, poderão deter a espiral?
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