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terça-feira, 19 de novembro de 2013

2013 15 DE NOVEMBRO ANO I DIA I



O instante em que foram expedidos mandados de prisão dos mensaleiros marcou a contagem de um novo tempo. Desde a descoberta o Brasil esteve abatido pelo saque implacável do dinheiro público. Como rês tomada por parasitas, quase a totalidade do sangue sugado pela praga, viu-se a nação vitimada pela roubalheira que, desde a colônia, porque impune, grassou e se perpetuou.
Já Vieira, em frase de incomparável beleza, bradava do púlpito: “os governadores chegam pobres às Índias ricas e saem ricos das Índias pobres”. Por Índias, Antônio Vieira designava as colônias portuguesas do mundo, o Brasil incluído. De lá até estas prisões de agora não houve trégua. O poder se eternizava em mãos de clãs que o detinham, revezando-se, disputando entre si, mas sempre a sugar a sugar a sugar.
A resistência nunca conseguira golpear de forma decisiva a máquina corruptora. Tinha ela um núcleo vital, até aqui preservado: a impunidade. Este coração foi ferido de morte. É que a corrupção, na dimensão da nossa, não convive com a reprimenda do estado. O vício de apropriar-se do que é público expande-se pelo mundo na razão inversa do nível atingido pelo processo civilizatório. Onde há impunidade, fato comum nos países atrasados, ele se torna calamitoso. Onde vige a lei o fenômeno mostra-se pontual, esporádico, sobretudo sem ramificações, sem estrutura, sem a organicidade mórbida de quadrilhas interligadas. Tampouco se verifica nas democracias consolidadas a articulação entre corrupção e esquema de poder. Entre nós o poder alimenta o roubo e o roubo alimenta o poder.
Disseminou-se no mundo atrasado, onde não por acaso viceja ainda a utopia socialista, a ideia de que o crime é fruto da desigualdade. Isto induz ao total aniquilamento do aparelho repressivo do Estado. Polícia, judiciário e sistema prisional são desprezados pelos governantes já que qualquer pleito por seu fortalecimento é visto como viés direitista. Os presídios em reduzido número povoam-se de pobres diabos, única camada a quem chega o castigo. A bandidagem grossa, hoje claramente um poder paralelo, quando aprisionada, utiliza as celas como instrumento de trabalho, organizando centros de comando onde as famílias de apenados são coagidas pelo terror a colaborar com o crime, multiplicando assim as correntes de transmissão da teia delituosa. Dos delinquentes de colarinho branco, graças à couraça da impunidade, nenhum presídio até agora tivera notícia.
A experiência histórica deixa ver que nunca processo como este, quando determinada ordem é golpeada na cúpula com golpe dessa contundência, pode ser interrompido. Há de prosseguir vigoroso, irreversível, forçando novo patamar em nossa democracia, onde se possa, enfim, respirar um mínimo de decência.

2 comentários:

  1. em meados do século passado o sistema de combater as formigas cortadeiras (nome popular da saúva), era o uso de formicida, cuja a marca de um tornou-se famosa, o “Tatu”, que era eficientíssimo com as formigas, as matava instantaneamente pois tinha como veneno o clorpirifós, organofosforado (não sei o que é, mas achei o nome bonito). Também matava gente com a mesma eficiência, era o veículo preferido para o suicídio de moças desprezadas, donzelas desonradas e mulheres abandonadas pelos maridos. Com menos freqüência era usado para envenenar os desafetos.
    Pois é, entregaram uma lata de formicida Tatu, para a grande faxineira do Brasil, mas não está resolvendo o problema de exterminar esse grupo de saúvas corruptas, que está exaurindo os cofres públicos. Pode ser que a faxineira por total incapacidade não sabe usá-lo direito, o talvez o produto, comprado por concorrência viciada e com larga distribuição de propinas, tenha sido entregue com a validade vencida.


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  2. Meu caro doutor Abero, O Brasil acaba com a sauva ou a mesma toma conta da nossa amada Pátria, plagiando o Auguste de Sant Hilare(naturalista 1779-1853), se extermina esses sangsungas ou vamos afundar a nível da Venesuela.

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