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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

NULA NULIDADE



Se a anulação da sessão do congresso que declarou vaga a Presidência da República em 64 expressasse apenas perfeita inocuidade, menos mal. Infelizmente não. Ela traz como consequência a ilação de que o golpe de 64 não seria tão ilegítimo como os fatos até aqui demonstraram. Jango ainda estava em Porto Alegre. Tivesse cruzado a fronteira e tudo estaria bem, na mais doce placidez institucional.
Como se a implantação da ditadura não tivesse ocorrido pela mais escancarada violência. Se o presidente permanecesse em nosso território seria preso, como o foram milhares de brasileiros. Ademais a anulação da sessão que declarou a vacância da presidência quer dizer o quê?  É o velho e ridículo cacoete de retocar a história. A declaração do presidente do congresso, Auro de Moura Andrade, na madrugada do dia 2 de abril de 1964 é um marco sinistro de nossa História, mancha inapagável no rosto de nosso parlamento que de forma alguma deve ser retocada, disfarçada, atenuada. Antes deve ser ano a ano, mês a mês, dia a dia, hora a hora aviventada, posta à luz, para que dela tomem conhecimento as novas gerações.

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