Se
a anulação da sessão do congresso que declarou vaga a Presidência da República
em 64 expressasse apenas perfeita inocuidade, menos mal. Infelizmente não. Ela
traz como consequência a ilação de que o golpe de 64 não seria tão ilegítimo como
os fatos até aqui demonstraram. Jango ainda estava em Porto Alegre. Tivesse
cruzado a fronteira e tudo estaria bem, na mais doce placidez institucional.
Como
se a implantação da ditadura não tivesse ocorrido pela mais escancarada
violência. Se o presidente permanecesse em nosso território seria preso, como o
foram milhares de brasileiros. Ademais a anulação da sessão que declarou a
vacância da presidência quer dizer o quê?
É o velho e ridículo cacoete de retocar a história. A declaração do
presidente do congresso, Auro de Moura Andrade, na madrugada do dia 2 de abril
de 1964 é um marco sinistro de nossa História, mancha inapagável no rosto de
nosso parlamento que de forma alguma deve ser retocada, disfarçada, atenuada.
Antes deve ser ano a ano, mês a mês, dia a dia, hora a hora aviventada, posta à
luz, para que dela tomem conhecimento as novas gerações.
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