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terça-feira, 12 de novembro de 2013

VENEZUELA



A insanidade bolivariana, pouco ou nada diferente da lulista, kircheneirista e, de modo geral, de quantas se pautem pela doutrina autoproclamada de esquerda, chega ao paroxismo na Venezuela. Maduro, tresloucado governante do país, quer fazer-nos crer que o esvaziamento dramático das prateleiras deve-se à sabotagem dos capitalistas, inimigos da revolução. Onde, em que parte do mundo, em que dia, século ou hora viu alguém pessoas ligadas ao comércio ou indústria, sacrificarem seus negócios, condená-los à ruína, por amor a uma causa?
Por estes dias, o governo da Venezuela, manu militari, forçou uma rede de lojas a rebaixar preços pela metade, a varrer, como se costuma dizer. Esse é o preço justo, asseverou Maduro. Ainda que se admitisse, para admitir o absurdo, que tal fosse verdade, forçosa seria a conclusão de que a economia do país estaria sumida na mais profunda desordem. Sabe qualquer pessoa dotada de discernimento que, no comércio, medianamente estável, vence quem tem melhor preço. Isso é lição que já ministravam os antigos fenícios.
Se a coisa já vinha de mal a pior, agora com lojas escancaradas pela milícia para que o povaréu carregue tudo por uma pechincha, parece-me ouvir o toque à degola. Pois é nesse quadro de sombria insegurança que o Brasil, através de seu principal banco, pretende meter recursos do tesouro. A ideia é fornecer dinheiro para que o governo venezuelano pague nossos exportadores já que, à mingua de dólares, o Banco da Venezuela não consegue pagar os exportadores brasileiros, embora retenha os bolívares dos importadores daquela infeliz república.          
Somente a mais trevosa ignorância, se descartarmos provável corrupção, pode explicar semelhante cobertura. A única justificativa plausível, a de identidade ideológica, padece de intrínseca e irremediável debilidade. Que ideologia? Karl Marx se revolveria em seu túmulo se lhe atribuíssem paternidade ou remota e avoenga ligação com semelhante regime. Maduro é um déspota ignorante e primário que em sua desgovernada demagogia chega ao ponto de simular as mais bizarras formas de obscurantismo e crendice. Costuma ver seu ídolo, Hugo Chaves, ora metamorfoseado em pássaro, ora em imagens que se projetam nas paredes. Dá prosseguimento a um governo que conseguiu transformar uma potência petrolífera em nação flagelada. Alguns bilhões de dólares foram gastos em armamento. Diz-se que para debelar a ameaça de uma invasão imperialista. Sofisticadas armas foram entregues em mãos de milícias totalmente despreparadas, insânia a que não se atreveu nenhuma ditadura que não fosse a trágica experiência nazifascista.
É horripilante constatar que Marco Aurélio Garcia, assessor presidencial para assuntos externos, com status de ministro, disse sobre o governo de Maduro: “Eles têm consciência dos problemas em curto, médio e longo prazo no país e estão preocupados em enfrentar, de forma clara e estratégica, as dificuldades históricas da economia venezuelana”.

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