De um lado o culto à ignorância em que se empenham o ex-presidente Lula, alguns setores da
intelectualidade e autoridades do Ministério da Educação. De outro, acendrada
devoção ao academicismo, com ênfase a toda uma gama de qualificações
universitárias, gerando atrofia da improvisação, da criatividade, do arrojo e,
o que é pior, a desconstituição da percepção instintiva, do que em termo
corrente se diz senso comum.
Embora estas
deformações ocorram em todos os campos do conhecimento, cinjo-me ao âmbito da
economia, para exemplificar. Neste campo criou-se meio altamente propício ao
gênero “enrolation”. Se observarmos a constatação, evidente por si mesma, de
que um depósito do qual somente se saca e nada se repõe, tende ao esvaziamento,
poderemos nos divertir com as trezentas e setenta e sete mil maneiras com que
os mestres do economês conseguem demonstrar o contrário. Usando uma torrente de
expressões pseudo-técnicas que se multiplicam como fungos, os novos alquimistas
transformam, ou fingem transformar o ferro em ouro.
Não se diga
que esta façanha só ocorre entre nós, matutos. Revistas especializadas do
grande mundo festejaram a ascensão de Eike Batista ao clube dos bi, com
pretensões a tri, mesmo que, a olhos vistos, a histriônica saga do charlatão
não passasse de farsa. O “campeão nacional”, na tola expressão bolada pelo
marketing presidencial, nos faria rir, se antes não nos fizesse chorar pelos
bilhões desviados via BNDES, queimados e roubados nos empreendimentos virtuais
do farsante.
Não é diferente
a performance bufa do Sr. Guido Mantega, quando quer nos fazer crer que o “bem
é um mal e o mal é um bem” como diz a canção. O mal de afanar os recursos dos
municípios, via isenções de impostos, é um bem porque ajuda os barões do
automóvel e assim garante empregos. Mais: aumenta a arrecadação, né? Essa
prestidigitação de mágico infantil não impediu que o Fundo de Participação de
Estados e Municípios tenha vindo abaixo, ameaçando de colapso as administrações
das unidades federadas, provocando choro e ranger de dentes de prefeitos e
governadores. Nunca foi tão atual o desabafo de Cícero: que tempos, que
costumes!
Nenhum comentário:
Postar um comentário