Pesquise aqui

sábado, 16 de novembro de 2013

EXTREMOS



De um lado o culto à ignorância em que se empenham o ex-presidente Lula, alguns setores da intelectualidade e autoridades do Ministério da Educação. De outro, acendrada devoção ao academicismo, com ênfase a toda uma gama de qualificações universitárias, gerando atrofia da improvisação, da criatividade, do arrojo e, o que é pior, a desconstituição da percepção instintiva, do que em termo corrente se diz senso comum.
Embora estas deformações ocorram em todos os campos do conhecimento, cinjo-me ao âmbito da economia, para exemplificar. Neste campo criou-se meio altamente propício ao gênero “enrolation”. Se observarmos a constatação, evidente por si mesma, de que um depósito do qual somente se saca e nada se repõe, tende ao esvaziamento, poderemos nos divertir com as trezentas e setenta e sete mil maneiras com que os mestres do economês conseguem demonstrar o contrário. Usando uma torrente de expressões pseudo-técnicas que se multiplicam como fungos, os novos alquimistas transformam, ou fingem transformar o ferro em ouro.
Não se diga que esta façanha só ocorre entre nós, matutos. Revistas especializadas do grande mundo festejaram a ascensão de Eike Batista ao clube dos bi, com pretensões a tri, mesmo que, a olhos vistos, a histriônica saga do charlatão não passasse de farsa. O “campeão nacional”, na tola expressão bolada pelo marketing presidencial, nos faria rir, se antes não nos fizesse chorar pelos bilhões desviados via BNDES, queimados e roubados nos empreendimentos virtuais do farsante.
Não é diferente a performance bufa do Sr. Guido Mantega, quando quer nos fazer crer que o “bem é um mal e o mal é um bem” como diz a canção. O mal de afanar os recursos dos municípios, via isenções de impostos, é um bem porque ajuda os barões do automóvel e assim garante empregos. Mais: aumenta a arrecadação, né? Essa prestidigitação de mágico infantil não impediu que o Fundo de Participação de Estados e Municípios tenha vindo abaixo, ameaçando de colapso as administrações das unidades federadas, provocando choro e ranger de dentes de prefeitos e governadores. Nunca foi tão atual o desabafo de Cícero: que tempos, que costumes!

Nenhum comentário:

Postar um comentário