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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

CONVÉM LEMBRAR




Premido pelas circunstâncias Luís XVI viu-se compelido a convocar os Estados Gerais. Era isto um embrião de parlamento que servia para mascarar o arbítrio do regime absolutista, então reinante na maior parte da Europa. Na França, não era convocado havia séculos. Consistia em conclave tripartite em que tomavam parte clero, nobreza e plebe, incluída neste segmento a parte esfarrapada da Igreja Católica, conhecida como baixo clero.

Tradicionalmente a convocação dos Estados reduzia-se a mero torneio oratório de que resultava nada. Agora, às vésperas da Revolução que mudou o curso da história, a bizarra assembleia transformou-se em caldeirão fervente. Reuniram-se os representantes dos Estados em luxuoso hotel de Versailles. À frente da tribuna real postaram-se o clero e a nobreza à direita, e a plebe à esquerda.

Que contingente no aglomerado à esquerda era decisivo? Quem lhe punha o calor, a força, o dínamo, a voz, a alma? A burguesia meus pacientes amigos, a burguesia. Insofismável que a esquerda, em todas as acepções do termo, teve em seu nascimento o gene burguês. Artesãos, comerciantes, banqueiros, empresários das frotas mercantis, atraíram os excluídos de toda a espécie para formar o caudal capaz de remover o “ancien regime” que os sufocava.

Muito tempo depois, quando o capitalismo avançava e o processo de acomodação entre capital e trabalho prosseguia, para redundar nos padrões atuais de produção e seguridade social, surgiram, dentro do frentão, oriundo da Revolução, teorias no sentido de que as lutas operárias da Revolução Industrial deveriam redundar na abolição do capitalismo. O socialismo, basicamente marxista, e suas desastrosas experiências no mundo real, deram corpo a uma retórica vã, hoje apenas um eco que percorre o terceiro mundo, de que se apropriam estranhas coalizões de radicais sectários com larápios e demagogos de diversa pelagem.

Dói nos ouvidos ouvir agora uma horda inculta e oportunista manejando com admirável desenvoltura os termos direita e esquerda. De estarrecer que entre nós a pecha de direita comece a ser disparada contra direitos. É direita opor-se ao roubo escancarado e à hipertrofia do executivo;  apegar-se à liberdade; repudiar o crime e a violência; estranhar práticas obscurantistas no ensino. Será que está na hora de convocar os Estados Gerais?

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