O instante em que
foram expedidos mandados de prisão dos mensaleiros marcou a contagem de um novo
tempo. Desde a descoberta o Brasil esteve abatido pelo saque implacável do
dinheiro público. Como rês tomada por parasitas, quase a totalidade do sangue
sugado pela praga, viu-se a nação vitimada pela roubalheira que, desde a
colônia, porque impune, grassou e se perpetuou.
Já Vieira, em frase
de incomparável beleza, bradava do púlpito: “os governadores chegam pobres às
Índias ricas e saem ricos das Índias pobres”. Por Índias, Antônio Vieira
designava as colônias portuguesas do mundo, o Brasil incluído. De lá até estas
prisões de agora não houve trégua. O poder se eternizava em mãos de clãs que o
detinham, revezando-se, disputando entre si, mas sempre a sugar a sugar a sugar.
A resistência nunca
conseguira golpear de forma decisiva a máquina corruptora. Tinha ela um núcleo
vital, até aqui preservado: a impunidade. Este coração foi ferido de morte. É
que a corrupção, na dimensão da nossa, não convive com a reprimenda do estado. O
vício de apropriar-se do que é público expande-se pelo mundo na razão inversa
do nível atingido pelo processo civilizatório. Onde há impunidade, fato comum
nos países atrasados, ele se torna calamitoso. Onde vige a lei o fenômeno mostra-se
pontual, esporádico, sobretudo sem ramificações, sem estrutura, sem a
organicidade mórbida de quadrilhas interligadas. Tampouco se verifica nas
democracias consolidadas a articulação entre corrupção e esquema de poder.
Entre nós o poder alimenta o roubo e o roubo alimenta o poder.
Disseminou-se no
mundo atrasado, onde não por acaso viceja ainda a utopia socialista, a ideia de
que o crime é fruto da desigualdade. Isto induz ao total aniquilamento do aparelho
repressivo do Estado. Polícia, judiciário e sistema prisional são desprezados
pelos governantes já que qualquer pleito por seu fortalecimento é visto como
viés direitista. Os presídios em reduzido número povoam-se de pobres diabos,
única camada a quem chega o castigo. A bandidagem grossa, hoje claramente um
poder paralelo, quando aprisionada, utiliza as celas como instrumento de
trabalho, organizando centros de comando onde as famílias de apenados são
coagidas pelo terror a colaborar com o crime, multiplicando assim as correntes
de transmissão da teia delituosa. Dos delinquentes de colarinho branco, graças
à couraça da impunidade, nenhum presídio até agora tivera notícia.
A experiência
histórica deixa ver que nunca processo como este, quando determinada ordem é
golpeada na cúpula com golpe dessa contundência, pode ser interrompido. Há de
prosseguir vigoroso, irreversível, forçando novo patamar em nossa democracia,
onde se possa, enfim, respirar um mínimo de decência.
em meados do século passado o sistema de combater as formigas cortadeiras (nome popular da saúva), era o uso de formicida, cuja a marca de um tornou-se famosa, o “Tatu”, que era eficientíssimo com as formigas, as matava instantaneamente pois tinha como veneno o clorpirifós, organofosforado (não sei o que é, mas achei o nome bonito). Também matava gente com a mesma eficiência, era o veículo preferido para o suicídio de moças desprezadas, donzelas desonradas e mulheres abandonadas pelos maridos. Com menos freqüência era usado para envenenar os desafetos.
ResponderExcluirPois é, entregaram uma lata de formicida Tatu, para a grande faxineira do Brasil, mas não está resolvendo o problema de exterminar esse grupo de saúvas corruptas, que está exaurindo os cofres públicos. Pode ser que a faxineira por total incapacidade não sabe usá-lo direito, o talvez o produto, comprado por concorrência viciada e com larga distribuição de propinas, tenha sido entregue com a validade vencida.
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Meu caro doutor Abero, O Brasil acaba com a sauva ou a mesma toma conta da nossa amada Pátria, plagiando o Auguste de Sant Hilare(naturalista 1779-1853), se extermina esses sangsungas ou vamos afundar a nível da Venesuela.
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