A
fala presidencial de ontem à noite, pirateando a audiência da novela, foi a
mais vergonhosa e explícita demonstração de demagogia que jamais imaginei
presenciar neste meu “vão discurso humano” como disse Camões. Postos de lado o
sucesso ou insucesso do leilão, o que se viu foi uma arenga paranoica da
presidente-candidata, lendo, com trejeitos de animadora de programa infantil,
um texto ufanista, onde se descrevia, e prometia, país ante o qual o paraíso
bíblico seria deserto.
A
simples consideração de que a primeira gota a emergir das profundezas tardará
cinco anos, já recomendaria parcimônia a quem coubesse comentar o leilão.
Coisa, aliás, que em nenhum lugar civilizado seria incumbência do mais alto
mandatário. Nada explica, que não seja a triste feição bolivariana em que
estamos submersos, a presença da presidente da república em rede nacional a
apregoar as excelências de um empreendimento. Mais: a presença de uma candidata
à reeleição, lendo um texto ardilosamente confeccionado, com requintes de
ilusionismo, para tornar palpável e presente improvável bonança.
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