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terça-feira, 22 de outubro de 2013

ESCÂNDALO



A fala presidencial de ontem à noite, pirateando a audiência da novela, foi a mais vergonhosa e explícita demonstração de demagogia que jamais imaginei presenciar neste meu “vão discurso humano” como disse Camões. Postos de lado o sucesso ou insucesso do leilão, o que se viu foi uma arenga paranoica da presidente-candidata, lendo, com trejeitos de animadora de programa infantil, um texto ufanista, onde se descrevia, e prometia, país ante o qual o paraíso bíblico seria deserto.
A simples consideração de que a primeira gota a emergir das profundezas tardará cinco anos, já recomendaria parcimônia a quem coubesse comentar o leilão. Coisa, aliás, que em nenhum lugar civilizado seria incumbência do mais alto mandatário. Nada explica, que não seja a triste feição bolivariana em que estamos submersos, a presença da presidente da república em rede nacional a apregoar as excelências de um empreendimento. Mais: a presença de uma candidata à reeleição, lendo um texto ardilosamente confeccionado, com requintes de ilusionismo, para tornar palpável e presente improvável bonança.

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