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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

CARTILHA FILOSÓFICA (continuação)


Pré-socráticos. Heráclito (540/480 a.C.) e Parmênides. (530/460 a.C.)

 

 Entre estes dois filósofos, situa-se uma das questões cruciais da filosofia: a mudança é real ou aparente? Para Heráclito o movimento é a própria essência das coisas. Por tal forma de ver até o princípio da identidade é posto em dúvida. Heráclito diz: ninguém se banha duas vezes no mesmo rio”. Se assim é, o rio é e deixa de ser o que é, ao mesmo tempo.
Heráclito via no equilíbrio entre opostos a explicação para o movimento e a unidade do universo. Materialista decidido afirmou:” o mundo não foi criado por nenhum Deus mas foi é e será um fogo vivo que se acende e apaga segundo leis.”
A visão de Heráclito serviu de base para a gigantesca formulação de Hegel, filósofo alemão que viveu entre os séculos 18 e 19. Hegel como veremos adiante foi ponto de partida para o marxismo.
Em oposição frontal a Heráclito coloca-se Parmênides, filósofo que juntamente com Zenão e outros criou em Eléia, colônia grega, uma escola que se tornou conhecida como Os Eleatas. Sem contar ainda com os conhecimentos de lógica que viriam a ser plenamente desenvolvidos por Aristóteles, Parmênides apoiou-se num raciocínio lógico para demonstrar que o movimento era apenas uma ilusão da percepção humana.
Em síntese, a conclusão de Parmênides é a seguinte: Se algo existe (é) não pode ao mesmo tempo não existir(não é). Portanto uma coisa que existe (é) não pode deixar de ser o que é para transformar-se em outra. Logo tudo o que existe funde-se em uma coisa única e imutável, sendo qualquer movimento ou transformação, mera aparência.
A física moderna dá respaldo tanto para Heráclito como para Parmênides, dependendo da natureza e do tipo de indagação do experimento que está sendo posto em prática.
Zenão, da escola de Parmênides, celebrizou-se por seus paradoxos que denominava Aporias. Muito conhecida a aporia do coelho e da tartaruga. Em uma corrida em que o coelho largasse a certa distância atrás da tartaruga, jamais poderia ultrapassá-la. De cada vez que o coelho cobrisse a diferença, a tartaruga teria avançado algo. Baseando-se na infinidade da escala numérica Zenão torna irrefutável a aporia, eis que a distância entre os animais encurtava-se indefinidamente sem terminar jamais. Pretendia assim o célebre filósofo negar a existência do movimento, tese central dos Eleatas.
Em muitas oportunidades, no devir da filosofia, surgiram questões que, de alguma forma, tinham algo a ver com a antinomia surgida entre os gigantes Heráclito e Parmênides. (continua)

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