Platão (428-347 a.C.)
Virando as costas ao acervo deixado por
seus predecessores materialistas, seguindo a trilha aberta por Sócrates, Platão
sentou as bases da visão idealista do Cosmos, e criou os fundamentos da
filosofia escolástica.
A escolástica vigeu por boa parte da
Idade Média e teve sua mais alta expressão no cristianismo. Foi no pensamento
de Platão, com apoio na lógica aristotélica, que os “doutores da Igreja”
fundaram o dogma apostólico.
Influenciado pela exatidão e pela
beleza das formulações geométricas, a projetar verdades irrefutáveis, sem que
para chegar-se a elas houvesse necessidade da interferência dos sentidos,
concebeu Platão a teoria de que o raciocínio era a única fonte do conhecimento.
Foi
mais longe: aquilo a que se chega através do raciocínio é a única realidade
possível. Mais longe ainda: as coisas sensíveis são destituídas de realidade,
sendo apenas sombras das coisas reais. Estas, eternas, perfeitas e imutáveis
são percebidas por algo igualmente perfeito, eterno e imutável: a alma. A alma,
detentora, desde sempre, do conhecimento das imagens reais, delas vinha a
recordar-se no transcurso da vida terrena.
Radicalizando, chegou Platão a ensinar
que uma cama, um cavalo, um vaso não passavam de cópias toscas e ilusórias da
cama, do cavalo, do vaso, ideais e perfeitos. Isto explica a denominação de
“realista” com que passou a ser designada a escola platônica. Realista no sentido
de conferir realidade aos conceitos e irrealidade às coisas a eles
correspondentes.
Nem mesmo a imensa influência de
Aristóteles a atenuar o “realismo” de seu mestre, pode impedir que a visão
platônica dominasse a filosofia ocidental até os dias atuais.
Em política, o conservadorismo de
Platão é indisfarçável. A democracia ateniense não lhe inspirava simpatia, a
julgar pela forma como propunha que fosse organizado o governo, em sua obra A
República. O poder deveria ser confiado aos filósofos. A uma espécie de força
armada, a que denominava de Guardiães, caberia a manutenção da ordem. Aos
cidadãos restantes, comerciantes e artesãos, o trabalho.
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