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quarta-feira, 23 de outubro de 2013

CARTILHA FILOSÓFICA (continuação)



Platão (428-347 a.C.)



Virando as costas ao acervo deixado por seus predecessores materialistas, seguindo a trilha aberta por Sócrates, Platão sentou as bases da visão idealista do Cosmos, e criou os fundamentos da filosofia escolástica.
A escolástica vigeu por boa parte da Idade Média e teve sua mais alta expressão no cristianismo. Foi no pensamento de Platão, com apoio na lógica aristotélica, que os “doutores da Igreja” fundaram o dogma apostólico.
Influenciado pela exatidão e pela beleza das formulações geométricas, a projetar verdades irrefutáveis, sem que para chegar-se a elas houvesse necessidade da interferência dos sentidos, concebeu Platão a teoria de que o raciocínio era a única fonte do conhecimento.
Foi mais longe: aquilo a que se chega através do raciocínio é a única realidade possível. Mais longe ainda: as coisas sensíveis são destituídas de realidade, sendo apenas sombras das coisas reais. Estas, eternas, perfeitas e imutáveis são percebidas por algo igualmente perfeito, eterno e imutável: a alma. A alma, detentora, desde sempre, do conhecimento das imagens reais, delas vinha a recordar-se no transcurso da vida terrena.
Radicalizando, chegou Platão a ensinar que uma cama, um cavalo, um vaso não passavam de cópias toscas e ilusórias da cama, do cavalo, do vaso, ideais e perfeitos. Isto explica a denominação de “realista” com que passou a ser designada a escola platônica. Realista no sentido de conferir realidade aos conceitos e irrealidade às coisas a eles correspondentes.
Nem mesmo a imensa influência de Aristóteles a atenuar o “realismo” de seu mestre, pode impedir que a visão platônica dominasse a filosofia ocidental até os dias atuais.
Em política, o conservadorismo de Platão é indisfarçável. A democracia ateniense não lhe inspirava simpatia, a julgar pela forma como propunha que fosse organizado o governo, em sua obra A República. O poder deveria ser confiado aos filósofos. A uma espécie de força armada, a que denominava de Guardiães, caberia a manutenção da ordem. Aos cidadãos restantes, comerciantes e artesãos, o trabalho.

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