Paira no ar um cheiro de renúncia. Nenhum presidente, ou
general, ou chefe de bando resiste à sensação de beco. A demora na tomada da
decisão suprema está na razão direta do senso de avaliação do governante. Para
muitos a estupidez ou vaidade, ou estas duas coisas juntas fazem tardar a
percepção de que chegou a hora de sair. Nas ditaduras pior. Os tiranos
resistem, sacando do arsenal de arbítrios medidas cruéis de persuasão,
homicídio e tortura, para adiar o momento que sempre chegará.
A Petrobras é grande. Tão grande que pode, por seu corpo
físico e por sua legenda, mais do que representar a nação consubstanciar-se
nela, ser ela, por outras palavras, a Petrobras é o Brasil. E é isto, este
território de afirmação e de esperança que foi profanado por um reles grupo de
delinquentes, societas sceleris, quadrilha que reserva parte do botim para manter-se
no poder e divide o resto para desfrute de cada bandido.
É o fundo do poço. Tem-se como certo que o mal se alastra
para outros entes; Eletrobrás, BNDES, obras do PAC. A presidente quer figuras
respeitáveis nos postos de comando. Mas só para que posem para a foto. Se
decidirem atuar, e começarão por dizer a verdade, desnudando o rei, ela entra
em crise e profliga contra o séquito servil de ministros coléricas reprimendas.
É o que ocorre no momento. O Conselho da Petrobras, sem
alternativa, ensaiou revelar alguns dados que apontam para a realidade. A
tempestade desabou. Chilique. Há um cheiro de renúncia no ar.
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