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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

CUIDADO



Acertos pontuais de um governo errado não merecem apoio da oposição. Não me refiro a questões de ordem estritamente administrativa que não raro justificam até unanimidade em sua aprovação. Falo de linhas de atuação que balizam o conteúdo geral de atuação do governo. É o caso da grave divergência que se desenha entre o Planalto e os ditos movimentos sociais. Por mais que se evidencie o erro abissal que o conjunto de forças sedizentes de esquerda cometeu na condução das políticas indigenista e de reforma agrária ao fomentar de forma alarmante o peleguismo, descabido é, neste momento, correr em seu socorro, quando por razões de puro oportunismo viram as costas ao conjunto de excluídos a que, em vez de meios de superação, estenderam esmolas com o escuso fito de arregimenta-los para seus propósitos hegemônicos.
A nomeação da Senhora Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura desencadeará fortíssima reação por parte das organizações que o governo cooptou para servir-lhe de base eleitoral. Quem pariu Mateus que o embale. Infantil seria nesta quadra a oposição encampar o desgaste do populismo, atraindo para si a pecha de direita e de inimiga de índios, de sem-terra e de bispos. A ministra nada tem a ver com as forças que se opõem ao lulopetismo. É, sem rodeios, uma simples trânsfuga que desertou por puro carreirismo. Os “movimentos” não requerem qualquer tipo de hostilidade. Um governo sério nada teria a fazer senão retirar-lhes o suporte mantido com o dinheiro do povo, e cuidar de atender a parte legítima de seus reclamos.

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