Acertos pontuais de um governo errado não merecem
apoio da oposição. Não me refiro a questões de ordem estritamente
administrativa que não raro justificam até unanimidade em sua aprovação. Falo
de linhas de atuação que balizam o conteúdo geral de atuação do governo. É o
caso da grave divergência que se desenha entre o Planalto e os ditos movimentos
sociais. Por mais que se evidencie o erro abissal que o conjunto de forças sedizentes
de esquerda cometeu na condução das políticas indigenista e de reforma agrária
ao fomentar de forma alarmante o peleguismo, descabido é, neste momento, correr
em seu socorro, quando por razões de puro oportunismo viram as costas ao
conjunto de excluídos a que, em vez de meios de superação, estenderam esmolas
com o escuso fito de arregimenta-los para seus propósitos hegemônicos.
A nomeação da Senhora Kátia Abreu para o
Ministério da Agricultura desencadeará fortíssima reação por parte das
organizações que o governo cooptou para servir-lhe de base eleitoral. Quem
pariu Mateus que o embale. Infantil seria nesta quadra a oposição encampar o
desgaste do populismo, atraindo para si a pecha de direita e de inimiga de
índios, de sem-terra e de bispos. A ministra nada tem a ver com as forças que
se opõem ao lulopetismo. É, sem rodeios, uma simples trânsfuga que desertou por
puro carreirismo. Os “movimentos” não requerem qualquer tipo de hostilidade. Um
governo sério nada teria a fazer senão retirar-lhes o suporte mantido com o
dinheiro do povo, e cuidar de atender a parte legítima de seus reclamos.
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