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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

POLÍTICA E DIVÃ




Tal como fogo fátuo, que deslumbra mas não aquece, surgiu o Partido dos Trabalhadores, formado por fragmentos da explosão da utopia comunista de que foram mostras mais dramáticas a extinção da União Soviética e a destruição do muro de Berlim. Jovem, belo, o PT via aumentar seu poder sedutor pelo sentimento de total orfandade em que se encontrava a rapaziada, ainda em plena embriagues do festival de consignas e palavras de ordem que por mais de um século embruteceu corações e mentes.
Um jovem viril, barbudo e animoso, forjado nas lutas sindicais, que veio a se saber não passavam de pantomimas, preenchia a perfeição o papel de líder, tão necessário a essas trágicas encenações: Lula.
Pouco importava que esse Lenin crioulo, adaptado a estas bizarras plagas, mal soubesse ler. O partido nascente era rico, riquíssimo, em letrados canônicos e seculares, titulados e autodidatas. Deu no que deu.
O animoso líder, seguindo trágica sina, que nosso folclore consagrou nas figuras de Pedro Malasarte e Macunaíma, iniciou o partido nas artes do rapeluz, do truque, da trampa, do “primeiro o meu”, da maracutaia, do “vai que é mole”, enfim, de tudo isso que mais que qualquer descrição, todos nós palpamos, cheiramos e, o que é pior, somos forçados a engolir.
Mas como se costuma dizer não há mal que sempre dure. A festa acabou. O animado convescote tinha a impunidade como pressuposto, mas a algema está comendo. Isso explica o toque sonambúlico do discurso atual de Lula. Quer a volta do PT adolescente que ajudou a criar, banindo da narrativa toda a sordidez que lhe ensinou a praticar.

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