Tal como fogo fátuo, que deslumbra mas não aquece,
surgiu o Partido dos Trabalhadores, formado por fragmentos da explosão da
utopia comunista de que foram mostras mais dramáticas a extinção da União
Soviética e a destruição do muro de Berlim. Jovem, belo, o PT via aumentar seu
poder sedutor pelo sentimento de total orfandade em que se encontrava a
rapaziada, ainda em plena embriagues do festival de consignas e palavras de
ordem que por mais de um século embruteceu corações e mentes.
Um jovem viril, barbudo e animoso, forjado nas
lutas sindicais, que veio a se saber não passavam de pantomimas, preenchia a
perfeição o papel de líder, tão necessário a essas trágicas encenações: Lula.
Pouco importava que esse Lenin crioulo, adaptado a
estas bizarras plagas, mal soubesse ler. O partido nascente era rico,
riquíssimo, em letrados canônicos e seculares, titulados e autodidatas. Deu no
que deu.
O animoso líder, seguindo trágica sina, que nosso
folclore consagrou nas figuras de Pedro Malasarte e Macunaíma, iniciou o
partido nas artes do rapeluz, do truque, da trampa, do “primeiro o meu”, da
maracutaia, do “vai que é mole”, enfim, de tudo isso que mais que qualquer
descrição, todos nós palpamos, cheiramos e, o que é pior, somos forçados a
engolir.
Mas como se costuma dizer não há mal que sempre
dure. A festa acabou. O animado convescote tinha a impunidade como pressuposto,
mas a algema está comendo. Isso explica o toque sonambúlico do discurso atual
de Lula. Quer a volta do PT adolescente que ajudou a criar, banindo da
narrativa toda a sordidez que lhe ensinou a praticar.
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