Sem entrar na questão do
papel do oficialismo no fomento às artes, reconhecendo até que não fosse o
suporte político e financeiro da Igreja na renascença não teríamos a Capela
Sistina, a Pietá, a estátua de David, para só enumerar três entre milhares de
obras imortais ;admitin-do ainda que, mais remotamente, sem Péricles e sua
entourage, talvez não tivessem podido os arquitetos gregos construir as obras
cujas ruínas nos eletrizam, tudo isso considerado, ainda me atrevo: vivam os
malditos.
Tantos que, como Van Gogh,
Modigliani, Gregório Matos, a lista é grande, mas a alma é pequena, dispensaram
qualquer suporte e realizaram sua obra sem que jamais lhes ocorresse recorrer
aos Mecenas, legaram-nos a dúvida: pode a criação, sem se contaminar, ser
financiada?
O que se vê é muito triste.
Artistas, alguns de merecido renome, fazendo a corte a políticos cujas condutas
fazem corar estátuas, atrás de verbas de pretenso fomento como as da lei
Rouanet. Outros, a pretexto de salvar relíquias, realmente valiosas, a
coonestar a ação de bandidos enquistados em Órgãos vitais da nação, como a
Petrobrás, nada menos.
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