Modéstia é conceito que pode
extrapolar o campo da moral e da ética, onde habitualmente é manejado, para ser
alvo de especulação puramente pragmática. Isto porque a vaidade, que vem a ser falta
de modéstia, equipara instantaneamente o mais inteligente ao mais néscio.
No momento em que alguém se
acha suficientemente apto, a ponto de dispensar outras visões, encerrou-se para
essa pessoa a fase de captação. A partir daí passa a carregar pesada bagagem,
refutando, com maior ou menor enfado, a variante que se lhe ofereça sobre
qualquer assunto.
É na captação que se
prolonga a juventude. Quem quer aprender, descobrir, estar a par do que está
ocorrendo, define-se jovem, qualquer que seja sua idade. A vaidade inibe a
captação de modo irremediável.
Vaidade e arrogância são
aspectos de uma mesma desgraça. Quando consciente da fealdade, inerente à
arrogância, busca o vaidoso escondê-la por meio de sutilezas mais ou menos
eficazes, dependendo do grau de percepção de quem as observa. São disfarces
para esconder defeitos que, ao fim, resultam em exacerbação do feio.
Perceber com clareza o
quanto a vaidade entorpece pode nos transformar em cultores da modéstia, ainda
que por razões de berço, genética ou destino ela não nos assista.
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