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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

HISTÓRIA QUE SE QUER ESTÓRIA

Inconsistente a forma com que a turma que se diz esquerda analisa acontecimentos históricos. Entre outros, o erro de atribuir ineditismo a fatos que se vêm repetindo ao longo da sofrida saga humana.
Desde nossa origem, remota e não muito clara, vimos sofrendo migrações, assimilações de cultura, aniquilamentos, escravismo, alternando-se vitoriosos e derrotados. A romanização da Península Itálica nos primórdios da formação do Império Romano fez-se a custa do aniquilamento de todas as nações adjacentes cujos traços conservam-se dentro da própria cultura romana.
A Grécia que se expandira subjugando inúmeros povos, aos quais colonizou e helenizou, foi por sua vez tragada pelos romanos que se apossaram de seu território e de sua cultura, para referir apenas episódios menos remotos da cadeia que nunca se atenuou senão após a última grande guerra, quando tenderam a se firmar os princípios de soberania e não intervenção.
Por isso não se pode entender por que a descoberta e colonização de nosso continente deva ser entendida como façanha particularmente ignominiosa, cujos episódios de truculência e crueldade tivessem, por algo, se destacado da milenar e cediça estupidez humana. Querem os engenhosos analistas moralistas que todos nós, descendentes ou não dos colonizadores, baixemos a cabeça e abramos as carteiras, para resgatar a dívida contraída com os povos aniquilados por nossos antepassados. Resulta assim que inocentes pagam pelo mal que não causaram e recebem a paga felizardos que não foram vítimas.
No rastro de tão desarrazoado enfoque, surgem outros, como a exacerbação do culto aos hábitos dos nativos, chegando-se ao extremo de ungir o infanticídio como patrimônio cultural. Há tribos que costumam sacrificar crianças, seja para livrarem-se de futuros portadores de deficiência, seja para controle populacional, ou, quem sabe, por questões puramente ritualísticas. Há quem legitime essa abominável prática sob fundamento de que é direito dos silvícolas cultivar tradições e regerem-se pelas próprias leis, ainda que aceitem do estado comida, medicina e proteção contra eventuais pilhagens. Se o estado presta ou não presta esses serviços é questão que, obviamente, não se alinha com as razões deste artigo, figurando como uma desídia a mais, entre as que afetam segurança, saúde e educação dos demais cidadãos.

Constata-se assim que analistas adstritos a sistemas não tratam de ajustar suas lupas aos fatos. Intentam antes forçar os fatos a se enquadrarem no alcance de suas lupas.

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