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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

MARKETING



Certamente não há caldo mais perfeito para o cultivo da cretinice do que esse criado pelas agências de publicidade em torno daquilo que antigamente se chamava reclame. Fácil de entender: a regra fundamental é procurar o máximo de comunicabilidade entre mensagem e alvo, mesmo que para tal o texto ou imagem se reduza ao tosco.
Resulta palmar que nessa limitação quase indigente não poderá florescer o espírito, nada se devendo esperar de sutil, requintado ou belo, exceções aparte. Em profusão proliferam clichês: falar caminhando para passar dinamismo, tirar o paletó para o mesmo efeito, sorrir ainda que para anunciar o desabamento de um prédio que abrigava uma creche.
Na política então? Primeiro prepara-se o candidato para a hipótese de que ele, por natureza, já não seja adequadamente imbecil. Nada, nadíssima do que lhe possa vir à mente será aproveitado. É preciso que o candidato se convença de que ignora por completo aquilo que lhe convém. Sua visão de política, trazida da própria militância, de sua formação, de suas emoções vividas serão incineradas.
Exagero? Como explicar então que um homem como José Serra, preclaro combatente de memoráveis lutas, exímio gestor que a ONU reconheceu como o melhor Ministro da Saúde de determinado ano, tenha dito na campanha passada que ele, Serra, era melhor que a candidata Dilma para dar continuidade à obra de Lula?
Sou dos que acham que o diabo não existe. Mas quando penso nestas coisas confesso que balanço.

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