Certamente não há caldo mais perfeito para o cultivo da cretinice do
que esse criado pelas agências de publicidade em torno daquilo que antigamente
se chamava reclame. Fácil de entender: a regra fundamental é procurar o máximo
de comunicabilidade entre mensagem e alvo, mesmo que para tal o texto ou imagem
se reduza ao tosco.
Resulta palmar que nessa limitação quase indigente não poderá
florescer o espírito, nada se devendo esperar de sutil, requintado ou belo,
exceções aparte. Em profusão proliferam clichês: falar caminhando para passar
dinamismo, tirar o paletó para o mesmo efeito, sorrir ainda que para anunciar o
desabamento de um prédio que abrigava uma creche.
Na política então? Primeiro prepara-se o candidato para a hipótese de
que ele, por natureza, já não seja adequadamente imbecil. Nada, nadíssima do
que lhe possa vir à mente será aproveitado. É preciso que o candidato se
convença de que ignora por completo aquilo que lhe convém. Sua visão de
política, trazida da própria militância, de sua formação, de suas emoções
vividas serão incineradas.
Exagero? Como explicar então que um homem como José Serra, preclaro
combatente de memoráveis lutas, exímio gestor que a ONU reconheceu como o
melhor Ministro da Saúde de determinado ano, tenha dito na campanha passada que
ele, Serra, era melhor que a candidata Dilma para dar continuidade à obra de
Lula?
Sou dos que acham que o diabo não existe. Mas quando penso nestas
coisas confesso que balanço.
Nenhum comentário:
Postar um comentário