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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

CARTILHA FILOSÓFICA (CONTINUAÇÃO)



ARISTÓTELES (384-322. A.C)


Possivelmente jamais haja existido mente cuja amplitude possa ser comparada a de Aristóteles. Misto de pensador e sábio, o discípulo de Platão detinha completo domínio sobre todo o acervo cultural acumulado até os seus dias. A todas as disciplinas em que se distribuía o conhecimento ele trouxe contribuição criadora.
Aristóteles afasta-se de Platão na teoria da precedência das idéias. Longe de separar os conceitos das coisas a que se referem, Aristóteles, repondo a tradição sensorialista dos pré-socráticos, atribui concretude e primariedade à coisa e não ao conceito. Nisto, todavia, ao aprofundar-se na definição da essência das coisas, recai em construção idealista. Aristóteles decompõe a realidade em duas substâncias: matéria e forma. Assim, em um vaso, separa a argila da forma. É a forma o que faz com que um vaso se constitua. Antes existia o barro. Ao ganhar determinada forma, o barro se converte em vaso.
Vê-se que ele busca conferir concretude ao lavor humano, ao ato de moldar que, ao que parece, não pode existir separadamente da coisa moldada.
A visão de Aristóteles, ao não se opor frontalmente às idéias de seu mestre Platão, projetou para o mundo medieval, que veio a suceder a cultura clássica greco-romana, a controvérsia sobre a natureza dos conceitos. A discussão ganhou a alcunha de “Querela dos Universais” e impregnou a filosofia da idade média, como veremos no tópico referente à filosofia da Idade Média.
Como já referido, a obra de Aristóteles traz, acima de tudo, a marca da universalidade. Da política à biologia, passando pela física, pela poética, pela retórica, penetrando a fundo no oceano da metafísica, criou o genial pensador a mais intrigante construção já intentada pelo espírito humano. Acrescente-se, ao que já assombra pelo monumental, que boa parte de seus escritos pode haver desaparecido.
De todo o acervo deixado pelo prodigioso mestre destaca-se, não por ser o mais importante, mas pela perfeição de que se reveste, o tratado Organon. Nessa obra vêm expostos os princípios e as regras que disciplinam o aspecto formal do pensamento humano. É o mundo da lógica, com seus termos, proposições, silogismos e, sobretudo, com as leis que estruturam, limitam e validam o ato de pensar.
Aristóteles fez escola no sentido formal e material do termo. Além da Escola Aristotélica que emana da obra do filósofo, a história registra seu papel de fundador de uma academia, o celebríssimo Liceu, casa de cultura onde lecionou em Atenas.
Por razões afetas ao estudo da história e não da filosofia, a Grécia e suas colônias caíram sob o domínio de Roma. O Império absorveu parte da cultura helênica, mas a filosofia, em todo o seu esplendor especulativo, não seduziu o pragmatismo romano. Apenas o estoicismo, corrente das menos expressivas da contribuição grega, veio a florescer em Roma, notadamente com dois ilustres adeptos dessa escola: Sêneca e Cícero. Ambos, contudo, eram muito mais escritores do que filósofos.
 

Um comentário:

  1. O grande Tribuno Gaúcho (Aceguá) GASPAR SILVEIRA MARTINS, dizia que idéias não são metais que se fundem.

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