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sábado, 28 de fevereiro de 2015

ELES


Cavalgávamos eu e meu pai pelos corredores da Mina, de volta “às casas” após visitar um amigo quando ele perguntou:
- Quem são “eles” que fulano repete a todo o momento?
- Eles são o contra – respondi – a adversidade, o que atrapalha.
Meu pai lançou-me olhar de admiração, de pasmo. Era parcimonioso em elogios, por isso mal pude disfarçar o orgulho quando ouvi:
- Sim senhor! Nunca escutei explicação tão clara em minha vida. Eles são o que se atravanca, o que dificulta. Sim senhor!
Era um menino. Nunca imaginei que, passados quase setenta anos, ia deparar com minha intuição infantil confirmada em cenário tão vasto. O lulopetismo bate sem alívio no “eles”. Eles são inimigos dos pobres. Eles querem vender a Petrobrás. Eles...
Tudo o que resiste a seu disparatado ideário leva a marca sinistra: “eles”.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

NO LIMITE

O que é o que é uma coisa que parece aquela coisa, mas é outra coisa que parecia aquela coisa? Esta adivinhação em forma de bestialógico (brincadeira colegial de outros tempos) busca dar acanhada ideia da clareza com que se expressam, já não mais as desvalidas Dilma, Ideli e Gleisi, mas os intelectuais da esquerda, seus ideólogos e, sobretudo, o guru, o iluminado, aquele a quem Deus dispensou o abecedário para que chegasse ao doutorado.
Este, já em alto mar de insanidade, proclama defender a Petrobrás. Chamando o MP, polícia, bombeiros, juízes? Não. Ao Stédile para que ponha na rua sua tropa e detenha a turba que quer pôr a baixo o “nosso projeto.” Aquele que tirou 40 milhões de brasileiros de onde não estavam e levou para onde melhor fora que nunca fossem.
Lula chamou de exército o aglomerado que o demagogo, explorando carência e boa fé, aviltou, pondo-o sob dependência e lavando-lhe a mente por meio de sistemática catequização onde se ensina o culto a Guevara e o ódio a quem o destino livrou da pobreza.
Venderam gasolina barata quando era cara, a cata de votos, vendem-na cara agora que está barata para cobrir o rombo. “Mas a dor que excrucia e que maltrata” como dizia o saudoso monarca D.Pedroll, é tentarem nos convencer de que não houve isso.
A agência Moodys, cujos méritos não cabe discutir numa hora destas, se levarmos em conta que seu aval atrairá ou afastará bilhões de dólares, rebaixou o grau da Petrobrás para aquilo que na gíria financeira é chamado de basura em espanhol, lixo em português, junk em inglês. Ante esse quadro a presidente do Brasil lamentou que a agência assim agisse por ignorar a situação da estatal. O pior é que está certa: não só a agência, mas ela, Dilma, as torcidas juntas do Flamengo e do Corínthians, o Pentágono, as universidades de Oxford, Harvard e Cambridge, o papado, enfim o mundo, anseia por conhecer a extensão do estrago a que foi submetida a empresa.
Vana verba em latim, conversa fiada em português, quando uma só palavra nos diz tudo. Basta!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

SINDICATO DE LADRÕES


Quando Elia Kazan dirigiu este filme no começo dos anos cinquenta que denunciava a influência da máfia no sindicato portuário americano, a esquerda burra (incluído este servidor) pichou o excelente drama (Marlon Brando e Karl Malden no elenco) sob fundamento de que se destinava a desmoralizar a classe operária.
Nisto residia uma das gritantes dubiedades amorais do marxismo. Na doutrina eram os sindicatos criticados por serem instrumentos da burguesia para frear a luta por seu caráter corporativo em detrimento do escopo supremo: a destruição do Estado burguês. Na tática, nos panfletos, nas palavras de ordem, endeusados como correias de transmissão entre o partido e as massas.
A verdade é que o sindicato, como qualquer instituição, só funciona em padrão aceitável nas democracias consolidadas. Nas mambembes, sofre ele em grau intolerável, ora a pressão patronal, apelegando-se, ora a do governo populista, apelegando-se em dobro. Entre nós é tangível a contribuição que deram as associações de classe e os movimentos populares para o erguimento da fantasmagoria lulopetista.
Agora se dá algo completamente novo. A tecnologia da comunicação está ensejando a formação de movimentos que possuem pautas mínimas e pontuais, com alto apelo mobilizador, de modo a dispensar pesadas estruturas e lideranças. O governo acossado pelo temporal que se avizinha, chamou as esclerosadas lideranças sindicais ligadas ao transporte para “equacionar” o pleito dos caminhoneiros. Os líderes formais, em diálogo com a formalidade ambulante e obsoleta do ministro Rosseto deram pelo congelamento por seis meses do preço do diesel como prato principal a ser oferecido. Ivar Schmidt líder do movimento comentou: “devem estar mal da cabeça. Querem que continuemos no prejuízo por mais seis meses”. Outro item do acordo é risível: carência de prestações para quem adquiriu caminhões novos. E para quem não?
Até as nuvens erradias sabem que a intenção de arrancar o couro dos pobres para preservar o gigantismo e a roubalheira da máquina de poder é além de inexequível, criminoso.


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

SOBRE HONESTIDADE

Ser rico é muito bom. Isto é tão certo que ninguém precisa experimentar para certificar-se. Muitas vezes para tornarmos a pobreza menos dolorosa passamos a desfigurar a riqueza e nos tornamos mais pobres ainda. Sim porque diminuímos nosso estoque de lucidez ao afirmar uma sandice.
Dizem que riqueza não traz felicidade. E não traz mesmo. Traz conforto, segurança, possibilidade de conviver com e cultivar a beleza. De quebra a suprema chance de ajudar o próximo. Traz também muita porcaria: ostentação, arrogância, mau gosto generalizado; no vestir, no mobiliar, no ouvir, no ler.
Mas o mal maior que se pode atribuir à opulência é seu poder de atração a pôr a prova nossa honestidade. Mensalões e petrolões aí estão para dizer de que é capaz um humano para acercar-se ao poder do dinheiro. Quando ouvia alguém apregoar a honestidade de outrem o saudoso sábio que foi Otávio Santos indagava:
- Mas ele tem matéria prima?
- Que matéria prima doutor?
- Pergunto se já teve chance de roubar.
Otávio punha como pressuposto da honestidade a renúncia ao roubo. Esta sim capaz de trazer felicidade. A sensação da honra em sua plenitude é um bem indizível que, entrevisto, nos atrairá com uma força cósmica.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

PENA DE MORTE

Há quem seja a favor e quem seja contra. Tautologia? Sim. Estou gastando parte da quota mínima a que todos temos direito. Vez por outra se faz necessário colocar a evidência na portada de um assunto para que as coisas se esclareçam. Como é perfeitamente compreensível haver quem respalde a pena capital, nada há de estranhável que ela figure no ordenamento jurídico de uma democracia. É o que ocorre na Indonésia. A reprimenda está prevista na legislação daquele país para os crimes que envolvem narcotráfico.
Por desgraça, compatriotas nossos foram condenados, um deles já morto por fuzilamento. O governo brasileiro, cumprindo inescapável dever de solidariedade empenhou-se diplomaticamente para obter a sustação da pena. Até aí morreu Neves.
Como o atual governo parece ter celebrado um pacto com o grotesco, nossa presidente, rompendo todos os princípios secularmente firmados no comércio diplomático, coroando uma série de ameaças de represálias, ridículas diga-se, acabou por desfeitear o novo embaixador da Indonésia, mandando que o avisassem, já nos corredores do palácio, ele que vinha para apresentar credenciais, de que não seria recebido. Lembremo-nos que a presidente recomendou diálogo com o Estado Islâmico e silenciou sobre as arbitrariedades de Maduro na Venezuela. Seria de cair para trás, já não nos houvesse derrubado o incomensurável Petrolão.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

CRÍTICA IMPROCEDENTE (continuação)


Se do capitalismo colheu-se do bom e do ruim, como tudo nesta vida, do socialismo o que se viu foi um rosário de trágicos fracassos: o vir-abaixo da União Soviética, transformada em gigantesco campo de concentração; sucessivos genocídios na China, com a morte pela fome e frio de centenas de milhões de camponeses por conta da delirante aventura do maoísmo durante o “grande salto”; palco de horrores no sudeste asiático com a figura de Pol Pot, tirano cujo sadismo e loucura chegam a apequenar os crimes de Hitler; destruição da economia da Alemanha Oriental; empobrecimento de todos os países do leste europeu sob domínio de Moscou; ruína total em Cuba; caso aparte na Venezuela: transformação de uma Potência Petrolífera em nação miserável.
A segunda crítica que nos fazem os esquerdistas, por igual injusta, é a de sermos adoradores da grande imprensa. Apontam defeitos nos meios de comunicação, realmente existentes, mas que lhes são inerentes, e esquecem-se de dizer que quando o oficialismo lhes reserva espaços nas redes oficiais, a audiência que logram mal se afasta do zero. A verdade, que não conseguem esconder nem dos néscios, é que pretendem instaurar a censura, a pretexto de coibir o monopólio.
Por derradeiro, imputam-nos os bolivarianos a pecha de neoliberais. Há realmente, pelo mundo afora, quem sustente a onipotência do mercado como forma ideal de governo. Não vejo nada de infamante nem de vergonhoso em assim pensar, embora não me agregue a tal corrente. Pelo que se percebe, os adeptos do liberalismo extremado não têm expressão eleitoral e nem mesmo quando elegem um de seus representantes, caso de Margareth Thatcher, conseguem imprimir seu rumo na política do país. A ministra celebrizou-se por seu magistral desempenho, mas o Reino Unido não se transformou em palco do neoliberalismo.
A discussão sobre o tamanho que deve ter o Estado é por demais bizantina. Deve ter o tamanho necessário, pois não é?

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

CRÍTICA IMPROCEDENTE


Sofremos, os que refutam postulados esquerdistas, acusações que podem e devem ser rebatidas, visto baseadas em premissas falsas. Para começar a de que endeusamos o capitalismo. Crianças talvez entre nós ou quem a elas se equipara em ingenuidade pode ter semelhante leitura. Sabemos que a economia de mercado enseja vasta cadeia de males e deformações, entre as quais, desigualdade, consumismo, desperdício e poluição. Também sabemos, com sabedoria implacável, que toda tentativa de suprimir o capitalismo, quer pela força quer pela persuasão, resultará em sangue, suor, lágrimas, fome, censura, insegurança e doença. É que, para mal de nossos pecados, somos todos capitalistas, desde o mendigo ao grão duque, realizados alguns, frustrados outros, egoístas todos; apegados ao “meu”, base humana e, ao que tudo indica, imutável, sobre que repousa nosso frágil consenso civilizatório.
Desde que assumiu sua face atual, por volta de 1760, notadamente com o surgimento dos teares ingleses, propiciados pela máquina a vapor, a livre iniciativa tem ensejado ponderáveis avanços e trágicos retrocessos. Entre os primeiros, basta que se atente para os pavilhões insalubres, mal iluminados, mal arejados, onde, em jornadas de 15 horas, de segunda a sábado, vidas eram consumidas num labor cruel, de mínimas esperanças e interminável martírio. Desconhecia-se qualquer rudimento de seguridade social. Hoje, em decorrência de uma narrativa rica e complexa, que obviamente não cabe nestas notas, chegou-se à empresa moderna em que o conforto do trabalhador deixou de ser apenas magnanimidade ou obrigação para transformar-se em fator de lucro. No meio social, aparelhada a esse avanço, disparou a ciência, com assombrosos resultados na tecnologia, na saúde, na educação, na diminuição da fome crônica e epidêmica. Mais ponderável que tudo, o fortalecimento da percepção coletiva sobre a imperiosidade do respeito aos direitos, individuais ou coletivos.
Entre os males, em grande parte devida ao fortalecimento do nacionalismo dos séculos dezenove e vinte, a luta bestial por mercados, expansão do colonialismo e duas guerras catastróficas.
(Haverá continuação destas notas sob
o mesmo título)