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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

VERÍSSIMO



Minha admiração pelo humorista só não é maior do que meu desprezo por tudo o que pensa e escreve quando de política se trata. Seu afã de pairar acima das opiniões correntes, como alguém que fosse blindado contra elas, “todas vãs, todas mudaves” como diria Sá de Miranda, leva-o a construir raciocínios tão frondosos quanto ocos.
É o caso do artigo “Meios e fins” ZH, 22,4 em que o autor se pergunta se as maravilhas da Cuba socialista compensariam os horrores da cuba totalitária. Causa espanto antes de nada que ele acredite nas maravilhas e não menor espanto o questionar-se sobre se as benesses, reais que fossem, compensariam a tirania.
Pior, muito pior, a passagem em que voltando ao tema, Veríssimo se indaga a respeito de haver o fastígio da China atual compensado os flagelos que o genocida Mao infligiu ao povo. Onde, clamo aos céus, onde, terá encontrado o escritor elo entre uma coisa e outra?
Confesso que me bafeja a esperança de que o grande humorista esteja apenas a pilheriar como se dizia antigamente.

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