As velhas oligarquias baseadas na corrupção tinham como fundamento do poder, que no norte era dito “pudê”, a invulnerabilidade
contra a mão da justiça. A polícia não só era comprada senão que
reduzida à condição de escrava. O delegado era o primeiro a se informar
se o coronel tinha melhorado do resfriado. Não se pense que esse quadro
vigia apenas nos perdidos grotões. A força do coronelismo projetava-se
para o mundo urbano; parlamento, universidade, tribunais, imprensa,
refletiam, quando menos majoritariamente, a cultura colonial que a industrialização
incipiente não chegava a desfigurar. Tal como a pele dos répteis, que
subsiste por algum tempo, mesmo quando já formada nova camada, o que
agora se vê é uma estrutura caduca que mistura o viés falsamente austero
do passado, com a farsa do populismo e, creia-se, o delírio
bolivariano, em patético coquetel que não permite deslinde entre o
cômico e o trágico.
Esse mundo caiu. Nações desenvolvidas, onde os problemas são satisfatoriamen te
resolvidos, apontando algumas para futuro radioso como Alemanha,
Suécia, Holanda, Dinamarca, para citar algumas, mais o exemplo dos
Estados Unidos, a enfrentar dificuldades sem jamais romper o compromisso
com a liberdade, tornaram-se farol do mundo e abriram os olhos de todos
para constatação tão simples quão verdadeira: o progresso passa
ineludivelmente por rigorosa
exação do dinheiro público. Agregue-se a isso o avanço interno do país,
associando o influxo da globalização ao dinamismo de seus próprios
recursos. Nesse quadro resulta insuportável a obsolescência de prática
política que se lastreia no aparelhamento do Estado, domesticação do
congresso, feudalização dos ministérios e estatais entregues de porteira
fechada a fâmulos e aliados, tudo a desaguar na mais desabrida
roubalheira. Metade da população porque minimamente informada do
desastre acha-se em pé de guerra; metade, anestesiada pela distribuição
de bondades, tão pronto quanto golpeada pela crise há de encrespar-se
asperamente.
Esse caudal de insatisfação teria forçosamente que encontrar instrumentos que lhe permitissem aflorar na palestra política. Aí está a Polícia, o Ministério Público, o Judiciário, a imprensa, as redes sociais a formar poderoso exército cujos golpes, tão certo como o raiar do dia, livrarão a nação da inépcia e da rapinagem. A operação Lava Jato é o começo do fim.
Esse caudal de insatisfação teria forçosamente que encontrar instrumentos que lhe permitissem aflorar na palestra política. Aí está a Polícia, o Ministério Público, o Judiciário, a imprensa, as redes sociais a formar poderoso exército cujos golpes, tão certo como o raiar do dia, livrarão a nação da inépcia e da rapinagem. A operação Lava Jato é o começo do fim.
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