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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O BAILE DA ILHA

Uma tonelada de camarão, cerca de 900 aves, 10000 litros de cerveja, 304 caixas de vinho, afora montanha de doces e gelados, eis a comilança, consumida ou desperdiçada, na festa que a monarquia promoveu seis dias antes de morrer. Por cenário a aprazível Ilha Fiscal, na baía da Guanabara, frontal ao Centro Histórico da então capital da monarquia.
A “base aliada” erigida em nome da “governabilidade” não realiza propriamente um baile nestes dias. O botim que capturou do erário público está disperso em múltiplos convescotes e demonstrações explícitas de ostentação: mansões, carrões, iates, haras, enfim, em tudo que costumeiramente exibe-se a abastança. Mas nem porque não haja uma ilha, um baile, há de perder-se a comparação. Tal como a ausência de percepção que revelava a Corte quando o vulcão abaixo de si já expelia as primeiras lavas, a trupe palaciana assombra a nação, produzindo a mais irreal avalanche de despropósitos, declarações e medidas de que se tem notícia.
Como se a operação Lava Jato estivesse a ocorrer no século passado ou na Polinésia, o aliado Marco Maia pespega-nos relatório em que os jerarcas das empreiteiras e da Petrobras poderiam ser indicados ao Oscar da honestidade, se o laurel existisse. De outra parte, no parlamento, a horda populista aprova projeto de lei em que o dito fica por não dito, onde se deve ler Diogo em lugar de digo e digo onde conste Diogo; onde seis vale mais do que trinta e seis e, não há exagero, a milenar e respeitada técnica das partidas dobradas é violentada a fim de que migre o que era débito para a coluna do crédito. Isso não bastasse, o inefável Ministro da Justiça, agraciado com título de porquinho pela mandatária, proclama a inocência da diretoria da Petrobras e, pasmem, nos assegura que o Governo, cercado no Planalto pela opinião pública e pelo avanço da investigação, não deixará pedra sobre pedra na apuração dos crimes contra o patrimônio público.

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