Pesquise aqui

sábado, 30 de maio de 2015

FIFA

A ninguém que pense com a própria cabeça, ou que tenha que prover seu sustento ou o dos seus, é dado imaginar que o mundo dos clubes de futebol e de seus fagueiros cartolas pertença à esfera do que, minimamente, se entenda como moralidade. Não. Inconcebível haja vivente cujo grau de credulidade possa admitir que em mundo onde craques se tornem potentados, onde cartolas vivam em mansões de esplendor asiático e viajem em jatos particulares na rosa-dos-ventos, seja necessário mendigar perdão ao governo por dívidas avoengas à Previdência e ao Fundo de Garantia.
As prisões na Suiça nos fazem reprisar o surrado uso do belo título de Gabriel Garcia Marques: "Crônica de uma morte anunciada".

quinta-feira, 28 de maio de 2015

SIMPLES COMO UM COPO D’AGUA


Desde que a megalomania de Marx o levou a chamar de “científico” o modo como via o mundo, a esquerda contraiu a enfermidade crônica da empáfia. Por igual que as pessoas que ganham o apelido de “cheguei” e que mal se abancam semeiam repulsa, piedade ou riso, conforme se as vê, ideólogos e políticos de matriz marxista, antes de nada, chocam pela incomensurável autossuficiência. Entre uma legião, pelo simples dever da brevidade, cito as deputadas Jandira Fhegali e Maria do Rosário. Elas não falam como qualquer de nós. Assomam à tribuna como sacerdotisas de um templo profanado, como guardiãs das palavras sagradas. E apontam o rumo.
Tão senhoras se acham da infalibilidade da seita que abraçaram que se revelam surdas, cegas e mudas ao lamaçal em que se envolveram seus partidos ou aliados. Roubalheira na Petrobrás? Que significado tem perante o entreguismo criminoso dos privatistas? Adolescentes assassinos? Que dizer de médicos insolentes a pedalar acintosamente, tripudiando sobre a miséria da infância abandonada?
Dois milênios e meio faz que viveu aquele sobre cuja cabeça repousa o alicerce de nossa cultura. Disse lisamente: “Tudo o que sei é que sei nada”. Um lampejo, um tênue raio do farol socrático chegasse às nossas bravas deputadas!

UM BARCO AFUNDA. UM PAÍS NASCE


Importantíssima decisão tomou o STF acolhendo pedido do TCU pela quebra do sigilo bancário de contratos entre BNDES e JBS-FRIBOI. Ausente o ministro Tófoli, votaram a favor Luiz Fux (relator) Rosa Weber e Marco Aurélio Mello. Contra, Luís Roberto Barroso. O fundamento da defesa e do voto vencido foi o direito de sigilo de que gozam as operações bancárias, o que é pertinente quando de dinheiro privado se cogita.
Não quando o dinheiro sai de nós. Ignoro quanto de recurso público nutre o BNDES, mas é de alcance comum que seja a quase totalidade. No baile da democracia, por ser único, dançam mendigos e grão-duques. Daí poderem exigir plena claridade sobre o que lhes pertence.
A decisão praticamente derroga o absurdo veto da presidente Dilma à lei aprovada nas duas casas do Congresso que já houvera posto fim ao suspeitíssimo sigilo. Não pouca coisa, desconfia-se, sairá dessa toca, visto que aberto está o caminho para que venham à luz patrocínios semeados aos quatro ventos, onde se incluem obras em Cuba e outras tiranias de sinistra feição. Afora o que já estão a indicar rumores na própria JBS. É o Brasil que emerge com força inusitada para um campo de luz.

domingo, 24 de maio de 2015

DILMA E PROUST

The Wall Street Journal lançou consistente e bem ordenada matéria sobre o governo Dilma. Fui lendo até o ponto em que, por falsa informação, de que ninguém está livre, afirma o autor do texto que a mandatária, avessa a reuniões políticas, preferia a leitura de Proust. Parei de ler. Não um camelo, mas uma cáfila passará pelo buraco de uma agulha antes que Dilma consiga discernir uma linha de “No caminho de Swann”, romance que abre a série “ Em busca do tempo perdido.”

sábado, 23 de maio de 2015

MÍSTICA


Tudo leva a crer que os envolvidos nos mega escândalos, políticos ou não, eram adictos de crença tão arraigada quanto absurda: Lula seria um semideus, e o poder encarnado nele indestrutível. Somente isso pode explicar a desenvoltura, quase infantil, com que se iam ao pote. Explica também porque, de profundis, lançam aos antigos senhores desesperado clamor por socorro, ameaçando-os de delação. Como não há socorro possível, choram os prisioneiros e tremem os mandantes.
A bem da verdade é de se reconhecer que essa mística de indestrutibilidade do poder tem raízes históricas e culturais. Tropeçamos a cada momento com tiradas paralisantes do tipo: vai dar em nada, eles sempre dão a volta por cima, a pizza está assando.
Não faz nada, o ministro Zavascki, tido como homem posto no Supremo pelo lulismo para servir, decidiu que Dilma, contrariamente ao que sustentavam os arautos do lulismo, pode ser investigada, abrindo assim trilha mais segura do que o impeachment, para afastá-la do poder.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

HISTORIETA COM CONOTAÇÕES SEMÂNTICAS

Ito carvalho, em tempos idos, recebeu uma carta em que o remetente, ao tratar de um imóvel escreveu: ”a casa pertencia ao ex-falecido fulano de tal.” Eis que agora, dos sinistros porões do mensalão e do petrolão exsurge um personagem que, ao se confirmarem as suspeitas, validaria a premonitória construção do folclórico missivista: o ex-falecido deputado Janene.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

BANCO DO DIABO

Cumpre-se o velho refrão: pior cego é aquele que não quer ver. O Governo, como quem se perde no mato, troca a esmo de rumo, e, não raro, surpreende-se a refazer trilhas refeitas. Em semelhante quadro não estranha que a psicologia comece a afastar a política na formulação de análises, eis que, turbados pela proximidade do fim, passam os governantes do erro ao desatino e deste à demência explícita.
É elementar que questões afetas ao destino dos povos não sejam confiadas a um técnico por mais qualificado que seja. Aos expert, que não foram ungidos pelas urnas, estará sempre reservado papel que não pode sobrepujar o dos governantes, por relevante que venha a ser.
Eis porque o desempenho do ministro Levy entra para o rol dos fracassos anunciados. Profano que é em matéria política, não consegue enxergar que a economia, já exangue, vê seu mal agravado pelo simples anúncio de suas medidas. Crê, por ser egresso do alto mundo financeiro, que a única causa do descrédito do mercado na gestão governamental é a ameaça de calote nos juros da Dívida Pública e por isso apega-se à ideia de prover a reserva conhecida como superávit primário. “Foco e determinação” rezam as cartilhas. Firme nestes postulados sai nosso corpulento cavaleiro a decepar direitos, expondo ao relento viúvas, pescadores, e desempregados, numa triste paródia de seus antepassados medievais que precisamente na proteção dos mais fracos encontravam inspiração para suas cavalarias.
Deixando de lado lanças cavalos e armaduras, resta a malta de ladravazes ensandecidos que em meio ao cataclismo continuam a distribuírem-se
ministérios, cargos e verbas numa evidente fuga da realidade que os espreita com algemas e tornozeleiras.
Ontem ainda, em mais um lance da patética farsa em que se transformou a presidência, recebeu a Câmara medida em que pede o Palácio autorização para aumentar em 50 bilhões os fundos do BNDES, casa que se transformou no banco do diabo, a emprestar a 6, dinheiro tirado a 13% do couro do povo. Isto de cambulhada com as famigeradas medidas do ajuste fiscal. Não se iludam. Não é porque se façam de surdos que as panelas deixarão de bater.