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domingo, 22 de setembro de 2013

PREVENDO O PREVISÍVEL



Claro está que mais dia menos dia haverá nova explosão nas ruas. Enquanto o Governo se embriaga com a fantasia do pré-sal, outra jazida, a do ódio, rasa e profunda, se adensa sem parar. Já seria insuportável o marasmo que se seguiu aos dias de junho. A ele, para remate de males, agregou-se a trágica sessão do Supremo onde, na casa onde vagueia o espectro de Rui Barbosa, deu-se pela admissão de um recurso que assassinou a esperança.

Como sempre acontece, na história de todas as ditaduras e de todos os governos corruptos, formam-se nichos de resistência. A Polícia Federal, com apoio em mandados que emanam de setores preservados do Judiciário, deflagra a cada dia operações contra a corrupção. Elas ostentam nomes que, pelo bom gosto, solenizam o trabalho. As operações são belas e luminosas mesmo quando desvendam a sordidez.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

RÉQUIEM PARA UM TRIBUNAL

Tecnilidades jurídicas aparte o Supremo Tribunal Federal submergiu na vaga de descrença que já engolira o parlamento e o executivo. A nação consciente pôs na Corte a última esperança de um sinal no sentido da erradicação da impunidade. Não veio o sinal. Restou a amargura do pacote de margarina, do frango, dos três cacetinhos. O furto de víveres deste porte tornam efetiva a represália do estado, e os agentes dos delitos vão conhecer o inferno. Já aqueles que, como dizia Vieira, chegam pobres às Índias ricas, e saem ricos das Índias pobres, sempre poderão contar com o emaranhado das leis e dos recursos, com a interpretação do emaranhado, com o emaranhado do emaranhado, enfim, com o nunca acabar.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

VIVAM OS MALDITOS



Sem entrar na questão do papel do oficialismo no fomento às artes, reconhecendo até que não fosse o suporte político e financeiro da Igreja na renascença não teríamos a Capela Sistina, a Pietá, a estátua de David, para só enumerar três entre milhares de obras imortais ;admitin-do ainda que, mais remotamente, sem Péricles e sua entourage, talvez não tivessem podido os arquitetos gregos construir as obras cujas ruínas nos eletrizam, tudo isso considerado, ainda me atrevo: vivam os malditos.
Tantos que, como Van Gogh, Modigliani, Gregório Matos, a lista é grande, mas a alma é pequena, dispensaram qualquer suporte e realizaram sua obra sem que jamais lhes ocorresse recorrer aos Mecenas, legaram-nos a dúvida: pode a criação, sem se contaminar, ser financiada?
O que se vê é muito triste. Artistas, alguns de merecido renome, fazendo a corte a políticos cujas condutas fazem corar estátuas, atrás de verbas de pretenso fomento como as da lei Rouanet. Outros, a pretexto de salvar relíquias, realmente valiosas, a coonestar a ação de bandidos enquistados em Órgãos vitais da nação, como a Petrobrás, nada menos.

domingo, 15 de setembro de 2013

MITO DA IGUALDADE




Em nenhum lugar do mundo programas destinados a promover melhor distribuição dos bens resultou exitoso, sem que o houvesse precedido vigoroso aumento da riqueza. Esta constatação, quase acaciana, vem a pelo em face da estarrecedora declaração da Presidente Dilma, na cidade mineira de Uberlândia, onde disse que de nada adianta crescimento que não redunde em benefício do povo. Esqueceu-se de esclarecer que em país subdesenvolvido não pode haver benefícios sem crescimento.

Difundiu-se nos círculos neoesquerdistas a ideia de que se pode promover igualdade por meio de leis, quando não por farta distribuição de ganhos ou facilidades no acesso a vagas de ensino ou de cargos, tendo em vista características sociais ou raciais dos destinatários. Debalde invocam-se exemplos de fracasso rotundo de tais experiências ao largo do globo e ao longo do tempo. Mostra-se imune o populismo ululante, tornando vana verba1  tudo que se diga em contrário.

Repugna a essa vaga bolivariana de dirigentes a constatação solar de que ao Estado incumbe gastar com extrema probidade e competência o dinheiro dos impostos. Essa é a única forma conhecida, desde que o mundo é mundo, de se promover igualdade e justiça. A nação, livre das deformações que lhe impõe o Estado corrupto e intervencionista, gera riqueza abundante, reduzindo drasticamente os bolsões de miséria. A estes devem socorrer o poder público e a filantropia privada com medidas assistenciais. Quando a inépcia, a corrupção e o desperdício disseminam a miséria, torna-se impossível enfrentá-la com distributivismo simplista que, se algo faz, é agravar o problema.

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1 Palavras vãs.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Mitos



Somente a liberdade política pode ensejar o florescimento da igualdade. Em termos relativos, é claro, pois nunca seremos nem plenamente livres nem plenamente iguais. Em nosso país, o Estado de Direito, penosamente conquistado, luta para se desenvolver em meio a pesada herança oligárquica que secularmente tem colocado o estado a serviço de minorias. Estas se alternam ao longo do processo. Ontem o coronelismo, escorado na propriedade rural, hoje o populismo, formado a base de esquemas de poder que se não conseguem perpetuarem-se em mãos de uma única facção, alternam-se de umas a outras sem mudar de face.
Nos marcos desse quadro adverso, avança a democracia. A transparência, resultado inevitável desse avanço, exacerba o quadro de desmandos, corrupção, má gestão, enfim, todo um feixe de circunstâncias aptas a criar meio favorável ao florescimento de idéias e movimentos bizarros quando não perigosos. Fórmulas igualitaristas que vão da extravagância a mais escancarada obsolescência pululam por toda a parte e, o que é pior, nos meios acadêmicos e culturais financiadas muitas vezes pelo erário.

A questão indígena 

A tragédia dos silvícolas teve início com a chegada dos europeus ao continente e consumou-se ainda no século passado. Os remanescentes do rosário de erros e crimes cometidos nesse lapso converteram-se em problema social dos mais graves. Em vez de soluções de natureza médica e alimentar em socorro a esse esgarçado segmento do tecido social, uma minoria ensandecida, parte da qual enquistada em órgãos governamentais, promove gigantesca distribuição de terras, formando reservas da dimensão de países, em detrimento de colonos secularmente instalados.
Os expurgos dos produtores, voltados a uma plena exploração agropastoril, em muito se assemelham àqueles que foram promovidos pelo tirano Josef Stalin nos anos trinta da era soviética.
Na sequencia abordaremos outros tópicos nesta ordem de coisas.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

TV Câmara




Será que só eu me assombro com a cascata de homenagens prodigalizadas por nossos edis e, pior, repetidas ad nauseam pela TV? Quero crer que tanto quanto a mim, a todos espanta essa fúria laudatória que sugere uma fuga, um ópio para mitigar a angústia por tudo que nos cerca: saúde, segurança, educação, escolas desmoronando, postos de saúde fechando, buracama geral, inflação, barragem barrada, enfim, “nenhum problema resolvido, sequer colocado” como diria o Drummond.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

AMANHÃ



O Supremo julgará se cabem ou não Embargos Infringentes no mensalão. Se disser que não, estará sepultada para sempre em nosso país a impunidade, pai e mãe de todas as desgraças. Se disser que sim, nossa indignação que se acumula dia a dia, subirá vários pontos.