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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

CARTILHA FILOSÓFICA (continuação)



            Demócrito (460/370 a. C.) e Leucipo (data incerta)


Com estes nomes encerramos a resenha de filósofos pré-socráticos. Com justiça Demócrito e Leucipo considerados geniais, eis que, com antecipação de aproximadamente 2400 anos, formularam os princípios da teoria atômica. Não há certeza sobre qual dos dois é o criador, mas os escritos, onde a teoria vem exposta, devem-se a Demócrito.
Sustentavam que o universo era formado de partículas indivisíveis (átomos em grego) que se deslocavam no vazio e de cujo entrechoque resultava a formação de corpos.
A física moderna deu pela divisibilidade do átomo. Isto, contudo, não contradiz a tese de Demócrito, visto subsistir a possibilidade de que existam sub-partículas indivisíveis. Ademais, a simples concepção da teoria em tão remota era já coloca a dupla de pensadores na condição de gênios.
Em linha gerais, conclui-se que, à exceção de Pitágoras, os pré-socráticos eram predominantemente materialistas em suas concepções. Isto porque retiravam da esfera dos mitos e da religião a origem das coisas e dos fenômenos, para buscá-la na observação direta, baseada nos sentidos e na experimentação.

domingo, 13 de outubro de 2013

RIFIFI CHEZ ENEMY



O sentido dessa frase que inspirou o clássico policial, intitulado Rififi chez les hommes, do diretor americano Jules Dassin, vem a ser, salvo engano meu, tumulto no campo do inimigo e teria inspiração militar. Ainda salvo engano, era muito usada por De Gaulle ao recomendar que se procurasse semear a discórdia entre as hordas nazistas na França ocupada.
Ocorre-me a frase título em função do que está por acontecer entre os condenados do mensalão. Como hoje é de todos sabido, o lulopetismo instituiu sólida aliança entre governo e larápios de colarinho branco, empreiteiros, banqueiros e trambiqueiros de alto voo com grande expertise em lavagem e traficância de dinheiro. Eis que a societas sceleris[1] não era tão sólida como parecia. A cana que está por vir não será distribuída com equidade. Parece que recairá de forma mais benigna sobre os políticos do que sobre os sócios destituídos de múnus[2].
Se isso acontecer, sérias serão as consequências para a sobrevivência do esquema. Além da inutilização da “máquina”, uma torrente de delações deve ser esperada. A dimensão do estrago é difícil de ser avaliada.


[1] Associação de criminosos; bando; quadrilha.
[2] Obrigação que deve ser feita por alguém; as funções realizadas por um indivíduo; tarefa ou trabalho.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

CARTILHA FILOSÓFICA (continuação)

 Protágoras (480 /410 a.C.)


Quando Protágoras diz: “o homem é a medida de todas as coisas” não se entenda queira ele dizer que o homem é o fato ou o fenômeno central do universo. O que ele efetivamente  expressou foi um ponto de vista relativista, pelo qual todo o juízo reflete simplesmente a impressão do homem que o emite, sem que se lhe possa atribuir peso de verdade. Assim, o que é verdade para A, pode ser mentira para B, bom para C, mau para D.
Na era de Péricles, quando viveu Protágoras, apogeu da democracia Ateniense, o acatamento às leis era muito cultuado. Por isso quem não se sentia capaz de produzir sua própria defesa, na eventualidade de ser processado, podia valer-se de um defensor contratado. Protágoras ganhou grande renome realizando defesas bem como ensinando discípulos a sustentarem polêmicas, qualquer que fosse a tese escolhida. Eram chamados de sofistas, palavra que significa algo como sábios. Tanto Sócrates como Platão, mais tarde, teceram severa crítica aos sofistas por quem nutriam grande desprezo. Aristóteles chamava-os de “sábios de uma sabedoria imaginária.”

domingo, 6 de outubro de 2013

BRASIL REALIDADE

Para ler o Brasil torna-se obrigatória a busca de dados no estrangeiro. Isto porque o mau costume bolivariano de falsificar índices alastrou-se como peste por esta malsinada América Latina. A poupança, destinada a pagar os juros da dívida, é falseada por meio do que eufemística e debochadamente o Palácio denomina contabilidade criativa. Consiste em lançar mão de artifícios, dignos de um mágico amador. Por eles, débitos são lançados como créditos. Assim o montante vai mermando enquanto o jogral palaciano nos diz que está aumentando. A nós outros só resta rir para não chorar.
Já o número de desempregados ostenta placar comparável ao da Alemanha. Não se diz ali que somente são computados os que se declaram como tal. Não são contados aqueles que por absoluta impossibilidade de inserção melhor lançam-se a formas rudimentares de trabalho informal que mal mascara a indigência.
Não menos risível a festejada ascensão de 40 milhões de brasileiros ao status de classe média por haver atingido o nível de mil reais de renda familiar. Poderíamos ir longe, muito longe, enumerando coisas deste naipe. Vamos aos poucos. Por ora pesa-nos registrar que há quem acredite nas falsificações, mas, mil vezes pior, não são poucos os que fingem acreditar.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

MÉDICO NO GROTÃO



Que conduta deve adotar o médico quando se depara com quadro que está a indicar infecção grave? Pneumonia, por exemplo? Uma síndrome aguda e severa de abdômen com dores insuportáveis? Não há medicamentos aptos a sustentar o paciente para melhor análise, sequer para aliviar-lhe o sofrimento. Que fazer?
Antes de ver o doente sucumbir, ante o olhar estupefato dos familiares, há de se empenhar o profissional em removê-lo para um hospital de porte regional, muitas vezes situado a distâncias consideráveis. Isto em situações muito afortunadas, casos em que consegue acionar uma ambulância.
Muito poucos, nenhuns talvez, como diriam os escritores quinhentistas, ao chegar ao hospital conseguem atendimento. O quadro de horror com que ali se vão defrontar dispensa a pintura deste descolorido texto, vez que os jornais televisivos estão a toda a hora a pintá-lo com muito mais dramaticidade. Mortes nos corredores, falta de medicamentos, exames aprazados para meses quando o óbito se mostra iminente. É sobre essa realidade arrepiante que a presidente-candidata monta a reles demagogia de importar médicos de duvidosa competência.

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

CARTILHA FILOSÓFICA (continuação)


Pré-socráticos. Heráclito (540/480 a.C.) e Parmênides. (530/460 a.C.)

 

 Entre estes dois filósofos, situa-se uma das questões cruciais da filosofia: a mudança é real ou aparente? Para Heráclito o movimento é a própria essência das coisas. Por tal forma de ver até o princípio da identidade é posto em dúvida. Heráclito diz: ninguém se banha duas vezes no mesmo rio”. Se assim é, o rio é e deixa de ser o que é, ao mesmo tempo.
Heráclito via no equilíbrio entre opostos a explicação para o movimento e a unidade do universo. Materialista decidido afirmou:” o mundo não foi criado por nenhum Deus mas foi é e será um fogo vivo que se acende e apaga segundo leis.”
A visão de Heráclito serviu de base para a gigantesca formulação de Hegel, filósofo alemão que viveu entre os séculos 18 e 19. Hegel como veremos adiante foi ponto de partida para o marxismo.
Em oposição frontal a Heráclito coloca-se Parmênides, filósofo que juntamente com Zenão e outros criou em Eléia, colônia grega, uma escola que se tornou conhecida como Os Eleatas. Sem contar ainda com os conhecimentos de lógica que viriam a ser plenamente desenvolvidos por Aristóteles, Parmênides apoiou-se num raciocínio lógico para demonstrar que o movimento era apenas uma ilusão da percepção humana.
Em síntese, a conclusão de Parmênides é a seguinte: Se algo existe (é) não pode ao mesmo tempo não existir(não é). Portanto uma coisa que existe (é) não pode deixar de ser o que é para transformar-se em outra. Logo tudo o que existe funde-se em uma coisa única e imutável, sendo qualquer movimento ou transformação, mera aparência.
A física moderna dá respaldo tanto para Heráclito como para Parmênides, dependendo da natureza e do tipo de indagação do experimento que está sendo posto em prática.
Zenão, da escola de Parmênides, celebrizou-se por seus paradoxos que denominava Aporias. Muito conhecida a aporia do coelho e da tartaruga. Em uma corrida em que o coelho largasse a certa distância atrás da tartaruga, jamais poderia ultrapassá-la. De cada vez que o coelho cobrisse a diferença, a tartaruga teria avançado algo. Baseando-se na infinidade da escala numérica Zenão torna irrefutável a aporia, eis que a distância entre os animais encurtava-se indefinidamente sem terminar jamais. Pretendia assim o célebre filósofo negar a existência do movimento, tese central dos Eleatas.
Em muitas oportunidades, no devir da filosofia, surgiram questões que, de alguma forma, tinham algo a ver com a antinomia surgida entre os gigantes Heráclito e Parmênides. (continua)

terça-feira, 1 de outubro de 2013

GERDAU DÁ NOTA AO GOVERNO



Para quem se dedica à bandidagem, não é recomendável brincar de gente séria. A presidente Dilma convidou o empresário Jorge Gerdau para presidir uma certa Câmara de Gestão e Planejamento do Governo Federal, órgão destinado a assessorá-la. Sabem o que fez o homem? Participando de um fórum de debates deu nota entre três e quatro para a administração federal. Que me dizem?