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terça-feira, 30 de junho de 2015

ESQUISITICES DA ERA LULA


Nem Platão com sua assombrosa teoria da precedência das ideias sobre as coisas atreveu-se a voar tão alto como o fizeram os ideólogos gramscianos do PT com a construção de uma elite reacionária, a opor-se aos “ideais progressistas” do partido. Que ideais? O mundo já havia acordado e descoberto que Mao Tse Tung não passava de um bufão narcisista, afeito a hábitos nada condizentes com a pureza revolucionária que vendiam seus acólitos; Stalin um psicopata inqualificável que realizou em cenário mais opulento as mesmas atrocidades de seu irmão em doença Adolf Hitler; esparramadas pelo sudeste da Ásia e pelo leste europeu, ditaduras feitas à imagem e semelhança da soviética produziram mais sofrimento e lágrimas do que todo o sofrimento e todas as lágrimas vertidas pelo mundo até ali.
Sobre os escombros desta tenebrosa saga nasceu o Partido dos Trabalhadores. Para renegá-la? Longe disso. Sem que comemorem ostensivamente as sinistras fabulações de seus antecessores, está claramente claro que as subscrevem. Se em algo diferem é naquilo que separa os tiranos aspirantes dos tiranos apoderados.
Elite reacionária não passa de moinho de vento de que se vale o ardil petista para nos apanhar na rede gramsciana. Fracassaram porque se deixaram contaminar por pseudolideranças, como a de Lula, que os sumiu num fosso irresgatável de corrupção. A esperança é que tenhamos amadurecido o suficiente para não lhes dar nova chance.
Não se extraia destas considerações que estejamos a postular a extinção forçada do PT. Na democracia que almejamos há espaço suficiente para que ele e outras siglas assemelhadas vegetem sem causar dano. As agruras pelas quais estamos passando devem ser lançadas à conta das correntes liberais do comércio político, notadamente o PMDB que, cedendo à sofreguidão fisiológica, ouviu o canto de sereia do demagogo Luís Inácio, e atrelou-se ao carrossel neoesquerdista. Se a duríssima prova por que estamos passando servir para matar para sempre as ilusões bolivarianas e o culto a “salvadores” da pátria, terá valido muito a pena.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

DILMA NA CASA BRANCA

Vive o Brasil momentos de incerteza e angústia. Quis a história, que não segue traçado linear e lógico, como imaginam muitos, que esta fosse a ocasião de sermos representados, face ao presidente da mais poderosa nação da terra, pela mais fraca presidente de quantos ocuparam essa eminência.
O diálogo com Obama poderia ser a chave de uma reconquista. Sair o Brasil do estrangulamento a que o condenou política de bloco com tiranias e republiquetas falidas, para o intercâmbio com nações onde vige o Estado de Direito, substrato para o desenvolvimento material e cultural dos povos. Melhor fora que se frustrasse esse encontro de presidentes.
Dois são os prováveis desdobramentos das conversações: por risonho temos o de que sinalize Dilma Rousseff afastamento dos desastrosos postulados bolivarianos que até aqui nortearam seu governo. Quem, indaga-se, acreditará em suas palavras quando, senão não por ação, por inação, traz comprometimento com o mais espantoso escândalo de corrupção da história?
Pode acontecer ainda que a presidente, que costuma oscilar cedendo a pressões de última hora, ou por efeito de suas próprias convicções, renove as baboseiras esquerdopatas e intervencionistas que têm sido nossa desgraça.

domingo, 28 de junho de 2015

COMITIVA DA VERGONHA


Desnecessário relembrar como comissão legitimamente constituída de Senadores, respaldada pelo Itamaraty, falsamente autorizada pelo governo venezuelano rumou para aquele país e foi ali vilipendiada. Sobrante dizer o que foram ali fazer os senadores. Disto até os restos mortais do rei Salomão estão cansados de saber. Foram levar a solidariedade do parlamento brasileiro aos presos políticos daquela ditadura disfarçada, se é que disfarçada é.
Outra caravana partiu. Não para tentar melhor sorte eis que os dados já tinham sido jogados. Foram para desfilar sem nenhum tropeço e assim demonstrar que na pátria da penúria solidária reina completa liberdade. Prometeram ouvir os dois lados. Negaram-se a visitar os presos para não ferir a soberania da Venezuela.
Quatro são os caravaneiros: Roberto Requião, Vanessa Grazziotin, Lindbergh Farias e Telmário Mota. Nada há que seduza em suas biografias, mas esta viagem à Venezuela, para quantos amam a democracia, lança-os irremissivelmente no abismo.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

QUANDO A VERDADE ENCOBRE A MENTIRA


Luís Fernando Veríssimo condena a virulência dos ataques a Jô Soares. Diz compreender a rejeição ao PT por seu acervo de erros e fracassos, mas não o ódio. Concordo. Jô a quem se reconhece como maravilhoso comediante, raramente acerta como entrevistador. Sua lamentável entrevista com a não menos lamentável presidente resultou em fiasco que em nada o recomenda, mas não passa disso. Por mais que o lulopetismo a tenha desfigurado, a democracia ainda respira no Brasil e o atribulado Jô exerceu um direito ao ter feito o que fez. Veríssimo, sem reconhecer o ridículo protagonizado pela dupla Jô e Dilma condena a demonização do comediante, e, a meu ver, até aqui razão lhe assiste. Só até aqui.
A coisa, o texto melhor dito, se desarruma, quando Luís Fernando começa a repetir sem o menor resquício de lucidez as lorotas distributivistas do PT, com a desbotada conversa de distribuição de renda, diminuição de pobreza, promoção de igualdade e outras fantasmagorias. Até as nuvens passageiras sabem que essas aparentes bondades foram feitas sem o menor cuidado com a sustentabilidade, logradas ao preço do derrame irresponsável do dinheiro público com o sinistro reverso que aí está: a miséria batendo-nos à porta. Igualdade sim, essa que a todos nos submerge na angústia e falta de horizonte.
Para piorar, Luís Fernando embrenha-se em distinção com laivos metafísicos entre antipetismo e ódio ao PT. Diz que o ódio ao PT antecede ao próprio PT (lindo, não?) e está no DNA da classe dominante. Pasmem, o talentoso escritor desce à vulgaridade e lança mão deste fóssil que já era caduco ao tempo ainda da guerra fria. Diz-nos que a dita dominante sufoca sempre, pelas armas se necessário qualquer avanço dos oprimidos. Deixa-nos sem compreender como se deu a independência, a república, a abolição da escravatura, a revolução de trinta, a redemocratização recente.
Torna-se incompreensível possa alguém com a monumental cultura de Veríssimo falar em conspiração de elites contra o lulopetismo. Quem será essa elite? Nunca, em tempo algum de nossa sofrida história, empreiteiros, banqueiros, latifundiários e investidores foram tão palacianos, tão íntimos do poder como nestes tristes dias. Ademais quem, que possa ser levado a sério, hostilizou o socorro aos pobres? Calma Luís. Negar-se a reconhecer a nação nas multidões que ganham as ruas em protesto já é a pior cegueira, aquela consabida do ditado: a de quem não quer ver.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

UM MUNDO IMBECIL


Tempo houve em que havia natural separação entre os campos da sociologia e da política. Ao primeiro pertenciam questões que lato senso se podiam entender como dinâmica social. Ao homem comum cabia pleno direito de fazer escolhas e leitura do meio, moldando e sendo moldado ao sabor do jogo de pressões da vida em sociedade.
À política cabia captar em determinado grau de maturação os conflitos surgidos no seio dessa dinâmica para buscar via legislativa a possível pacificação. Afora, por óbvio, as demais e clássicas questões pertinentes à res pública.
Em tal patamar floresceu e atingiu sua plenitude a democracia representativa. Nesse apogeu chegou ao mais alto grau a liberdade de opinião, o exercício do juízo (certo ou errado). A superação de preconceitos e tabus cingia-se tão-somente ao ritmo do processo civilizatório. Apenas de forma pontual matérias dessa natureza migravam do social para o político, para o efeito de sofrerem disciplinamento legal.
Inverteu-se essa ordem. Em flagrante prejuízo ao indivíduo, o político invadiu o social e antes que possamos formular nosso juízo sobre qualquer fato, conduta ou costume, somos submetidos a verdadeiras lavagens mentais desencadeadas a partir do oficialismo entrincheirado nos gabinetes e sinecuras que lhe garantem o poder.
O resultado aí está, sombrio, devastador. A primeira vítima é a arte e seu primeiro filho o humor. É proibido rir dos outros, nos adverte o tenebroso censor sem rosto. E de nós mesmos? Pode? Em termos, em termos, é a resposta.
Muito além do humor há uma grave ameaça pairando sobre a literatura, o teatro, o cinema e de forma mais sutil sobre todas as formas de criação artística. Nada menos que Monteiro Lobato, vulto indesbotável de nossas letras, gênio da literatura infantil, foi assacado de racista porque narrou que a adorável Tia Anastácia, fugindo da onça, subiu na árvore como uma macaca. Agora nos atacam com a aterradora construção batizada de “ideologia de gênero”. É o seguinte: deve ser banida da percepção infantil a distinção entre menino e menina. Somente quando sexualmente despertas deverão as crianças escolher a que gênero pertencem. A intenção é recolher essa assombrosa excrescência em norma legal. Vale dizer: apaga-se no campo cognoscitivo, a pretexto de combater preconceito, distinção imposta pela biologia.
Essa proposição obscurantista dá aterradora visão de até onde poderá evoluir a praga do “politicamente correto”. Conforta-nos a esperança de que não há de prosperar.

terça-feira, 23 de junho de 2015

EURÍPEDES AGAIN


Podem me acusar de repetitivo mas depois de ler o discurso que Lula proferiu para religiosos no instituto que leva seu nome, sou obrigado a citar, mais uma vez, a frase imortal de Eurípedes: os deuses primeiro enlouquecem aqueles que querem destruir.

POSIÇÃO DA OAB


Peço desculpa a quem me ligou sobre este assunto por não lhe ter guardado o nome. Não sou manso, como diz o gaúcho, destes meandros da internet e não soube recuperar o nome do interpelante. Mas vamos à questão.
A OAB ameaça recorrer da decisão contida no mandado do juiz Sérgio Moro por incluir, ou não excluir, o Departamento Jurídico da empresa Odebrecht do alcance da Busca e Apreensão.
A matéria é momentosa e nova. Entendo que não assiste razão ao órgão de classe. Inviolável é o escritório do advogado. Não departamentos simplesmente porque se denominem "jurídico". Se assim fosse, tais secções se transformariam em verdadeiras fortalezas a esconder peças do delito.
A matéria, volto a repetir, não é encontradiça. Com a palavra os tribunais.