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quinta-feira, 24 de outubro de 2013

LEILÃO



Fácil acusar de inimigo da pátria quem se opõe ao desgoverno reinante há mais de uma década. É que foi criada e posta em circulação, com a estrita finalidade de caluniar opositores, a fórmula “quanto pior, melhor”. Essa consigna esfarrapada a ninguém seduz e, sejamos sinceros, se por algum grupo foi adotada, grupelho será tão insignificante que “se subiu, ninguém sabe, ninguém viu”.
Não há quem queira o pior para seu país. O que se não quer é ver e ouvir a zoeira produzida pelo oficialismo em torno de programas de incerto resultado, remoto além de incerto. Nessa ordem de ideias insere-se o leilão do mirífico lençol de petróleo, dito pré-sal. Com avassaladora carga publicitária, por onde se escoa grossa dinheirama, parte superfaturada, o Palácio tonteia o povo, levando-o à ilusão de que somos ricos e de que temos um governo tão afortunado que até a dádiva incomensurável do pré-sal Deus lhe põe no regaço.
O fracasso se anuncia até para os menos sagazes. Fracasso do leilão, bem entendido, e dos demagogos que o urdiram. Vitória da verdade, ponto de partida para qualquer avanço. A cantilena tipo jogral que pregoeiros a soldo soltaram à rosa dos ventos não comoveu as maiores petroleiras do mundo. Tratou-se de semear o mito para colher votos. Seria a jazida nova maravilha: lençol inesgotável de óleo, capaz de catapultar o país para as nuvens, grande entre os grandes, na abastança e na glória. Oportuno citar o venerável provérbio: de fortuna e caridade, metade da metade.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

CARTILHA FILOSÓFICA (continuação)



Platão (428-347 a.C.)



Virando as costas ao acervo deixado por seus predecessores materialistas, seguindo a trilha aberta por Sócrates, Platão sentou as bases da visão idealista do Cosmos, e criou os fundamentos da filosofia escolástica.
A escolástica vigeu por boa parte da Idade Média e teve sua mais alta expressão no cristianismo. Foi no pensamento de Platão, com apoio na lógica aristotélica, que os “doutores da Igreja” fundaram o dogma apostólico.
Influenciado pela exatidão e pela beleza das formulações geométricas, a projetar verdades irrefutáveis, sem que para chegar-se a elas houvesse necessidade da interferência dos sentidos, concebeu Platão a teoria de que o raciocínio era a única fonte do conhecimento.
Foi mais longe: aquilo a que se chega através do raciocínio é a única realidade possível. Mais longe ainda: as coisas sensíveis são destituídas de realidade, sendo apenas sombras das coisas reais. Estas, eternas, perfeitas e imutáveis são percebidas por algo igualmente perfeito, eterno e imutável: a alma. A alma, detentora, desde sempre, do conhecimento das imagens reais, delas vinha a recordar-se no transcurso da vida terrena.
Radicalizando, chegou Platão a ensinar que uma cama, um cavalo, um vaso não passavam de cópias toscas e ilusórias da cama, do cavalo, do vaso, ideais e perfeitos. Isto explica a denominação de “realista” com que passou a ser designada a escola platônica. Realista no sentido de conferir realidade aos conceitos e irrealidade às coisas a eles correspondentes.
Nem mesmo a imensa influência de Aristóteles a atenuar o “realismo” de seu mestre, pode impedir que a visão platônica dominasse a filosofia ocidental até os dias atuais.
Em política, o conservadorismo de Platão é indisfarçável. A democracia ateniense não lhe inspirava simpatia, a julgar pela forma como propunha que fosse organizado o governo, em sua obra A República. O poder deveria ser confiado aos filósofos. A uma espécie de força armada, a que denominava de Guardiães, caberia a manutenção da ordem. Aos cidadãos restantes, comerciantes e artesãos, o trabalho.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

ESCÂNDALO



A fala presidencial de ontem à noite, pirateando a audiência da novela, foi a mais vergonhosa e explícita demonstração de demagogia que jamais imaginei presenciar neste meu “vão discurso humano” como disse Camões. Postos de lado o sucesso ou insucesso do leilão, o que se viu foi uma arenga paranoica da presidente-candidata, lendo, com trejeitos de animadora de programa infantil, um texto ufanista, onde se descrevia, e prometia, país ante o qual o paraíso bíblico seria deserto.
A simples consideração de que a primeira gota a emergir das profundezas tardará cinco anos, já recomendaria parcimônia a quem coubesse comentar o leilão. Coisa, aliás, que em nenhum lugar civilizado seria incumbência do mais alto mandatário. Nada explica, que não seja a triste feição bolivariana em que estamos submersos, a presença da presidente da república em rede nacional a apregoar as excelências de um empreendimento. Mais: a presença de uma candidata à reeleição, lendo um texto ardilosamente confeccionado, com requintes de ilusionismo, para tornar palpável e presente improvável bonança.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

CARTILHA FILOSÓFICA (continuação)



SÓCRATES (469/399 a. C.)




Sem que tenha deixado obra escrita, conhecido apenas pelo que sobre ele escreveu Platão, Sócrates é tido, por critérios a nosso ver nem tão pacíficos, como fundador da filosofia ocidental.
Sua maior contribuição foi a de ter ampliado o campo da especulação filosófica, para que dele fizessem parte questões de ética, de moral, de bem, mal, sentido da existência, enfim, retirou a filosofia de um círculo estreito que só cuidava da origem do universo.
De grande relevância também a contribuição de Sócrates para o desenvolvimento do método de abordagem das questões filosóficas, coisa que, vale repetir, deduz-se do que relatou Platão em várias de suas obras. Nelas narra-se como Sócrates expunha seu pensamento por meio de diálogos que travava com discípulos. Ali se evidencia que o filósofo já dominava princípios de lógica que somente mais tarde seriam sistematizados por Aristóteles no clássico Organon.
Por meio de uma cadeia de perguntas, que cumprem o papel de premissas, Sócrates vai encaminhando as respostas para um final irrecusável. Fazer aflorar a conclusão na mente de seu interlocutor foi por Sócrates comparado a um parto, maiêutica em grego.
A denominação de Método Dialético em Sócrates, embora adequada, tendo em vista o emprego de diálogos, traz o inconveniente de gerar confusão com o sentido que veio a dar o marxismo ao termo dialético. É que em Hegel, e depois em Marx, dialética tem raízes em Heráclito, em sua teoria do desenvolvimento, da contradição imanente às coisas e fenômenos, do movimento constante, nada tendo a ver com a visão socrática. Sócrates transforma-se no marco inicial da divisão que passa a dominar a filosofia até os dias atuais: idealismo versus materialismo.
Registre-se que o termo idealismo, no âmbito filosófico, prende-se ao radical ideia nada tendo a ver com o sentido de ideal. Por idealismo, aqui, entende-se que a ideia é o dado primário do real, a força motriz e matriz das coisas que existem. Por outras palavras: é a ideia que dá origem à coisa e não a coisa que dá origem à ideia.
Tal entendimento será analisado com mais vagar quando nos detivermos em Platão que é quem realmente explana, em sua obra, os fundamentos do idealismo.


CRISE



Quando se expandem os meios de pagamento à medida que decresce o Produto Interno Bruto, há crise a vista de qualquer profano. Não se requer nenhum conhecimento de economia, rudimentar que seja, para perceber que semelhante modelo é perfeitamente comparável a depósito de que só se tira sem nada repor.

É claro que no meio social, o aumento do volume de dinheiro, perseguido e posto em prática pelo Governo, provoca falsa sensação de bem estar e incremento não sustentável de alguns ramos da economia. Aumenta a atividade comercial e surgem novas inserções na área de serviços. Isto é feito por meio de isenção de tributos, facilitação de crédito, subsídios a produtos e serviços, tipo gasolina, luz e transportes. Por igual, a pródiga distribuição de cargos e funções concorre para aumentar a massa salarial, agravando assim o viés insustentável da atividade econômica.

Primária também a compreensão de que o bem estar, a abundância de dinheiro, a facilidade de aquisição dos bens, hoje, como nos primórdios da civilização, deverá descansar, fatalmente, na base infraestrutural da sociedade, assim entendida educação, saúde, segurança, transportes, agricultura, indústria, estradas, portos, ferrovias, aeroportos, energia, companhias mineradoras, enfim, tudo o que se vem a constituir em lastro para o desenvolvimento. Fora disto, o que pode existir é uma euforia, como a do carnaval, pra tudo terminar na quarta-feira.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

O DELÍRIO



A presidente da república inaugurou em S. Vitória da Conquista 1750 casas, das quais cerca de mil sem água e sem luz. Não estivesse a sociedade brasileira muito doente, acometida de uma frouxidão em que se misturam desânimo e leniência, a alucinada inauguração teria provocado uma convulsão social.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

NEM SEI O QUE LHES DIGA

Coisas há tão disparatadas, tão faltas de sentido e de decoro, que se torna difícil abordá-las.  É o caso da sacada da presidente Dilma quando mandou seus rivais Aécio, Eduardo e Marina Silva que fossem estudar. É crível?
Dilma foi educada para a política por um analfabeto. Não conseguiu assimilar sequer as rudimentares lições de malandragem que o ruidoso mestre tentou lhe passar. Agora, a outros, que intelectualmente lhe estão muito a frente, recomenda o que nunca fez.